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Frear só na frente do radar e acelerar logo depois pode deixar de ser uma saída para os motoristas, porque a BR-101 no Espírito Santo testou um sistema que mede a velocidade média ao longo de todo um trecho e flagrou um carro a 124 km/h numa via de 60 km/h

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 30/05/2026 às 16:09
Atualizado em 30/05/2026 às 16:14
Assista o vídeoRadar de velocidade média testado na BR-101, no ES, flagrou um carro a 124 km/h numa via de 60, mas a ação foi educativa e não gera multa por falta de lei.
Radar de velocidade média testado na BR-101, no ES, flagrou um carro a 124 km/h numa via de 60, mas a ação foi educativa e não gera multa por falta de lei.
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A tecnologia usa dois radares: um marca a entrada, o outro a saída, e o sistema calcula a média no percurso inteiro. Importante: por enquanto, isso não gera multa no Brasil, pois não há lei que permita autuar por velocidade média. Foi uma ação educativa do Maio Amarelo, não um radar fixo valendo.

Frear só na frente do radar e acelerar logo depois pode deixar de ser uma saída para os motoristas. A concessionária Ecovias Capixaba testou na BR-101, no Espírito Santo, um sistema que mede a velocidade média do veículo ao longo de todo um trecho, e não apenas em um ponto, e flagrou um carro a 124 km/h de média numa via onde o limite é de 60 km/h. O teste, porém, teve caráter educativo e não resultou em multa.

A ação aconteceu em 26 de maio de 2026, no município de Sooretama, no Norte do estado, como parte da campanha Maio Amarelo de conscientização no trânsito. É importante esclarecer desde já, para não gerar confusão: não se trata de um radar fixo instalado para valer, mas de uma ação pontual e educativa que demonstra como esse tipo de fiscalização funcionaria. Atualmente, não há previsão legal no Brasil para multar motoristas com base na velocidade média, como confirma a própria Polícia Rodoviária Federal.

Como funciona o radar de velocidade média

Radar de velocidade média testado na BR-101, no ES, flagrou um carro a 124 km/h numa via de 60, mas a ação foi educativa e não gera multa por falta de lei.
A tecnologia é diferente da que os motoristas estão acostumados. 

Em vez de medir a velocidade em um único ponto, o sistema usa dois radares instalados em locais distintos da rodovia: o primeiro registra o horário em que o veículo passa, e o segundo calcula quanto tempo ele levou para percorrer o trecho, determinando assim a velocidade média mantida ao longo de todo o caminho.

A lógica é simples e eficaz: se o motorista chega ao segundo ponto antes do tempo mínimo esperado para aquele trajeto dentro do limite, significa que ele trafegou acima do permitido em algum momento do percurso. Como explicou Carlos Diniz, coordenador de tráfego da Ecovias Capixaba, o objetivo é conscientizar os usuários de que a segurança precisa ser mantida durante todo o trajeto, e não apenas na frente do equipamento.

O flagrante dos 124 km/h

O caso que chamou a atenção ilustra bem o problema que a tecnologia quer combater. No trecho monitorado em Sooretama, onde o limite é de apenas 60 km/h por causa da proximidade com a Reserva Biológica de Sooretama, um motorista foi identificado mantendo uma velocidade média de 124 km/h, mais do que o dobro do permitido, segundo o diretor-superintendente da Ecovias Capixaba, Roberto Amorim.

O detalhe mais revelador é que, segundo Amorim, esse motorista não ultrapassou o limite nos pontos isolados onde ficavam os radares. Ou seja, ele provavelmente reduzia a velocidade ao passar pelos equipamentos e acelerava no restante do caminho, exatamente a manobra que o sistema de velocidade média consegue desmascarar. “Ele não ultrapassou a velocidade nos dois radares, mas manteve a média de 124 km/h”, afirmou o diretor.

Por que ainda não gera multa

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Este é o ponto mais importante para o motorista entender e não se assustar à toa. Apesar de o monitoramento já funcionar tecnicamente, a ação tem caráter exclusivamente educativo e não resulta em multas, porque a legislação brasileira atualmente não prevê autuação com base no cálculo de velocidade média entre dois pontos da rodovia. A própria Polícia Rodoviária Federal reforça que não existe previsão legal para esse tipo de penalidade.

Vale deixar claro também o papel de cada um: a Ecovias é responsável pela operação dos equipamentos e pela tecnologia usada nos testes, mas a fiscalização oficial e a aplicação de multas continuam sendo atribuições dos órgãos competentes, como a PRF. Portanto, ao contrário do que algumas manchetes podem sugerir, não há fiscalização por velocidade média valendo no Brasil neste momento, e o motorista flagrado a 124 km/h não foi multado.

Quanto seria a multa, se valesse

Ainda assim, o caso serve de alerta sobre a gravidade da infração. Se aquele motorista tivesse sido flagrado por um radar convencional trafegando a 124 km/h numa via limitada a 60 km/h, a infração seria classificada como gravíssima, com multa de R$ 880,41 e suspensão do direito de dirigir, já que a velocidade estaria mais de 50% acima do limite permitido.

Esse é justamente o recado que a campanha quer passar. Mais do que punir, a ideia é mostrar ao condutor o risco que ele cria para si mesmo e para os outros ao manter velocidades altas, sobretudo em um trecho sensível, próximo a uma reserva ambiental, onde a redução do limite existe por boas razões de segurança e de proteção à fauna. A discussão, no fundo, é tanto sobre fiscalização quanto sobre ética no trânsito.

Uma tecnologia que já é realidade lá fora

Embora ainda não tenha respaldo legal no Brasil, o sistema de velocidade média não é novidade no mundo. Países como o Reino Unido já utilizam há anos as chamadas câmeras de velocidade média, que fiscalizam trechos inteiros de rodovias e são apontadas por estudos como mais eficazes na redução de acidentes do que os radares de ponto fixo, justamente por inibir a frenagem pontual seguida de aceleração.

O teste capixaba pode, portanto, ser um indício de para onde a fiscalização de trânsito caminha, caso a legislação brasileira venha a ser alterada no futuro para permitir esse tipo de autuação. Por ora, fica o debate e o aprendizado, num momento em que a Ecovias afirma ter registrado redução de acidentes e de vítimas fatais na BR-101 no primeiro trimestre de 2026, atribuída à combinação de infraestrutura, fiscalização e educação no trânsito.

O teste do radar de velocidade média na BR-101 é uma janela para o futuro da fiscalização de trânsito no Brasil, mostrando uma tecnologia capaz de flagrar quem só respeita o limite na frente do equipamento. Por enquanto, vale reforçar, trata-se de uma ação educativa que não gera multas, já que falta previsão legal para isso. Mas o recado de segurança é atemporal: respeitar o limite de velocidade durante todo o percurso, e não apenas diante do radar, é o que de fato salva vidas nas estradas.

E você, o que acha de um radar que mede a velocidade média ao longo de todo o trecho? Acredita que esse tipo de fiscalização deveria ser adotado no Brasil para coibir quem só freia na frente do radar? Deixe seu comentário, conte sua opinião sobre segurança no trânsito e compartilhe a matéria com aquele motorista que vive freando bruscamente diante dos radares.

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Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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