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Google transformou uma fábrica de papel fechada na Finlândia em data center usando túneis antigos, água do Golfo da Finlândia e uma estrutura feita para outra indústria

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 19/06/2026 às 18:33
Atualizado em 19/06/2026 às 18:35
Google transformou uma fábrica de papel fechada na Finlândia em data center usando túneis antigos
Imagem ilustrativa: Google transformou uma fábrica de papel fechada na Finlândia em data center usando túneis antigos
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A antiga fábrica Summa, em Hamina, virou data center do Google ao reaproveitar uma estrutura industrial já existente, usar água do Golfo da Finlândia no resfriamento dos servidores e mostrar como espaços criados para uma economia baseada em papel podem ganhar novo papel na era da nuvem, dos dados e da inteligência artificial

O Google transformou uma fábrica de papel fechada na Finlândia em data center e aproveitou túneis antigos ligados ao uso de água do Golfo da Finlândia para resfriar servidores.

As informações foram divulgadas por Google Data Centers, página institucional do Google sobre centros de dados. A empresa registra que comprou a fábrica de papel Summa e o terreno vizinho em 2009, antes de abrir seu primeiro centro de dados em Hamina em 2011.

A mudança chama atenção porque uma estrutura feita para outra indústria passou a servir a um setor que sustenta a internet, a nuvem e a inteligência artificial. Em vez de uma planta industrial parada, o local virou parte da nova economia dos dados.

A fábrica de papel que perdeu função industrial virou base para servidores

A fábrica Summa ficava em Hamina, cidade no sul da Finlândia, perto do Golfo da Finlândia. O local foi escolhido porque já tinha uma construção industrial que poderia ser reaproveitada.

Um data center é um centro de dados. Em palavras simples, é um prédio cheio de computadores grandes e potentes, chamados servidores, que guardam e processam informações usadas por serviços digitais.

antiga fábrica Summa, em Hamina, virou data center do Google
Antiga fábrica Summa, em Hamina, virou data center do Google

Esses servidores trabalham sem parar. Por isso, eles geram muito calor e precisam de resfriamento constante para funcionar com segurança.

A antiga fábrica deixou de ser apenas um espaço ligado à produção de papel. Ela passou a fazer parte de uma estrutura usada por serviços digitais que dependem de máquinas, energia, água e controle de temperatura.

Túneis antigos ajudaram a levar água do Golfo da Finlândia para o sistema de resfriamento

O ponto mais curioso do projeto está nos túneis antigos. Eles já faziam parte da estrutura industrial da fábrica e tiveram aproveitamento em uma nova função.

WIRED, revista sobre tecnologia, negócios, ciência e cultura, detalhou que a antiga fábrica tinha um túnel subterrâneo usado para puxar água do Golfo da Finlândia. Essa água fria passou a fazer parte do sistema usado para resfriar servidores.

A reportagem registrou que o túnel tinha 450 metros e atravessava rocha de granito. Esse detalhe mostra que o projeto não foi apenas uma troca de máquinas, mas uma adaptação de uma estrutura industrial complexa.

Na prática, a água fria ajuda a retirar parte do calor gerado pelos equipamentos. A ideia é simples: os servidores esquentam, e o sistema precisa levar esse calor embora para manter tudo funcionando.

Por que data centers precisam tanto de resfriamento

Servidores são máquinas feitas para processar uma enorme quantidade de dados. Eles sustentam buscas, vídeos, arquivos, mapas, serviços de nuvem e ferramentas digitais usadas todos os dias.

Quando muitas máquinas trabalham juntas, o calor aumenta. Se esse calor não for controlado, o ambiente fica inadequado para os equipamentos.

Por isso, o resfriamento é uma parte central de qualquer data center. Ele não é um detalhe técnico escondido, mas uma condição para que o serviço continue funcionando.

No caso de Hamina, o uso de água do Golfo da Finlândia ganhou importância porque ajuda a explicar por que regiões frias podem ser atraentes para grandes empresas de tecnologia.

O frio virou vantagem para a nova indústria dos dados

Em lugares frios, controlar a temperatura dos equipamentos pode ser mais fácil. Isso não significa que o funcionamento de um data center seja simples, barato ou sem impactos, mas ajuda a entender o interesse por regiões como a Finlândia.

O Google registra que Hamina foi escolhida por três fatores principais: mão de obra local qualificada, uma fábrica de papel existente que poderia ter reaproveitamento e uma combinação adequada de infraestrutura de energia.

Esse conjunto mostra que a decisão não dependeu apenas do clima. O local precisava ter estrutura, trabalhadores e condições para receber uma operação de grande porte.

A fábrica de papel que perdeu função industrial virou base para servidores
A fábrica de papel que perdeu função industrial virou base para servidores

Para quem olha do Brasil, o caso também mostra como antigas áreas industriais podem ganhar novos usos. Mas isso não significa que qualquer fábrica fechada possa virar data center. Cada projeto depende de energia, conexão, licenciamento, segurança e custo de adaptação.

O projeto nasceu antes do boom da inteligência artificial, mas voltou ao centro da conversa

A compra da fábrica ocorreu em 2009 e o primeiro data center em Hamina teve abertura em 2011. Isso aconteceu muito antes da atual corrida por inteligência artificial dominar as discussões sobre tecnologia.

Mesmo assim, o caso ganhou novo interesse porque a IA exige grande poder de computação. Em linguagem simples, isso significa mais máquinas trabalhando para treinar, responder e operar sistemas digitais.

A página oficial de Hamina também registra que o Google anunciou, em 2024, a construção de um sétimo centro de dados na cidade. No mesmo ano, a empresa anunciou €1 bilhão em investimento na Finlândia voltado a metas de sustentabilidade e IA.

Outro dado citado é o investimento acumulado de €3.5B na região. Esses números ajudam a mostrar que a antiga fábrica Summa virou parte de uma estrutura maior, ligada ao crescimento dos centros de dados.

O reaproveitamento da fábrica mostra que a nuvem também ocupa espaço físico

A internet parece invisível para quem usa um celular, mas ela depende de prédios, cabos, água, energia, máquinas e trabalhadores. A nuvem não fica no ar. Ela funciona dentro de estruturas reais.

O caso de Hamina mostra esse lado material da tecnologia. Uma fábrica de papel fechada virou um centro de dados porque tinha parte da estrutura necessária para receber outra atividade.

A página oficial também registra 98% de uso de energia livre de carbono pelo Google na Finlândia em 2023. A mesma página cita uma iniciativa de recuperação de calor com estimativa de atender 80% da demanda.

Esses dados reforçam como data centers passaram a fazer parte de debates sobre energia, cidade, indústria e meio ambiente. Eles não são apenas prédios técnicos. Eles influenciam território, investimento e planejamento.

A transformação da antiga fábrica Summa mostra como uma instalação criada para a indústria do papel passou a servir a uma economia movida por dados. O mesmo espaço ganhou outra função, sem apagar totalmente a lógica industrial que já existia ali.

O caso também ajuda a entender por que data centers deixaram de ser assunto restrito à tecnologia. Eles agora envolvem resfriamento, energia, reaproveitamento de estruturas, impacto local e a expansão da inteligência artificial.

Se uma fábrica fechada pode ganhar nova função na economia digital, quais antigas estruturas industriais do Brasil poderiam ser reaproveitadas sem perder sua história e sem criar falsas promessas?

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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