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Em Virgínia, uma família de agricultura familiar se recusou a trocar o campo pela cidade e transformou a produção de leite em queijo artesanal premiado da Mantiqueira de Minas

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 21/06/2026 às 23:33
Atualizado em 21/06/2026 às 23:35
Assista o vídeoEm Virgínia, no sul de Minas, uma família de agricultura familiar transformou a produção de leite em queijo artesanal premiado da Mantiqueira de Minas.
Em Virgínia, no sul de Minas, uma família de agricultura familiar transformou a produção de leite em queijo artesanal premiado da Mantiqueira de Minas.
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Em Virgínia, no sul de Minas, a família de seu João Batista contrariou o êxodo rural: os filhos ficaram no campo e montaram um laticínio que transforma a produção de leite em queijo artesanal premiado, na tradição da Mantiqueira de Minas. E o melhor: na roça, quase nada se perde.

Enquanto o interior do Brasil vê os jovens fazerem as malas rumo à cidade e as casas da roça irem ficando vazias, uma família do sul de Minas remou contra a maré. Em Virgínia, seu João Batista, de 74 anos, criou os cinco filhos no mesmo pedaço de chão onde nasceu, e em vez de ver a prole partir, viu os filhos ficarem e montarem um laticínio que vive da produção de leite da propriedade. A história foi registrada pelo canal Lucas Pereira Lima, no YouTube.

O resultado dessa teimosia tem nome e sabor: queijo artesanal. A família transformou o leite das próprias vacas numa pequena indústria caseira que faz vários tipos de queijo, doce de leite e manteiga, e ainda colhe o que talvez seja o maior prêmio para quem vive de agricultura familiar, a chance de manter todo mundo junto, com renda, sem precisar abandonar o campo. E não é um queijo qualquer: ele carrega a fama da Mantiqueira de Minas, uma das regiões mais premiadas do país.

A família que não trocou o campo pela cidade

Em Virgínia, no sul de Minas, uma família de agricultura familiar transformou a produção de leite em queijo artesanal premiado da Mantiqueira de Minas.
Seu João Batista

Seu João Batista é daqueles que dizem que o umbigo foi enterrado ali mesmo. Em 74 anos, nunca passou uma semana fora de casa para trabalhar, e construiu o rebanho cabeça por cabeça, hoje em torno de cem animais em cerca de quinze hectares. A propriedade inteira, segundo ele, gira em função da queijaria, e cada filho tem a sua função nessa engrenagem de agricultura familiar.

A divisão de tarefas é de cooperativa. Antônio Marcos, o mais velho, cuida da tiragem do leite; João Márcio busca o leite e ajuda na fabricação dos queijos, ao lado da esposa, Ana Maria, que também põe a mão na massa; Luís Henrique entra na lida do dia a dia; e a filha Dalva, que mora em Osasco, em São Paulo, cuida das redes sociais da família a distância. É a roça e a cidade trabalhando pela mesma queijaria.

O contraste com a vizinhança é o que mais impressiona seu João Batista. Ele aponta as casas vazias ao redor, lembra dos irmãos que foram embora para a cidade de Virgínia e admite que o que acontece na família dele é quase inexplicável. “Eu vivo pela família”, resume o produtor, que enxerga na permanência dos filhos no campo a maior das conquistas, acima de qualquer lucro.

Do leite ao queijo premiado, sem desperdiçar quase nada

A grande virada veio quando a produção de leite deixou de ser vendida crua e passou a virar produto. A família conta que, no começo, entregava o leite a um laticínio da região, mas quando esse comprador fechou, os fornecedores ficaram na mão. Foi aí que o filho João Márcio assumiu o risco e começou a fabricar queijo artesanal ali mesmo, comprando inclusive o leite dos vizinhos e dando sobrevida à renda de outras famílias.

A variedade saída daquela cozinha impressiona. Saem dali muçarela, queijo de nó, um tipo que eles chamam de mantiqueira, parecido com parmesão, e o meia cura, além de doce de leite e da manteiga retirada do soro. O que sobra do processo, o soro que muita gente joga fora, vira alimento para os porcos e os bezerros, num aproveitamento quase total que faz da pequena queijaria um exemplo de produção de leite sustentável.

O reconhecimento veio em forma de medalha. A família relata, no vídeo, ter levado seus queijos a um concurso com cerca de duas mil amostras e voltado para casa com três medalhas, uma emoção que, segundo eles, arrancou lágrimas. Para quem começou improvisando numa casinha onde a vaca atolava no barro, transformar a produção de leite em queijo artesanal premiado é a prova de que dedicação rende fruto.

Virgínia, no coração do queijo da Mantiqueira de Minas

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Vídeo do YouTube

A conquista da família não é um ponto fora da curva, e sim parte de uma tradição forte. Virgínia fica na região da Mantiqueira de Minas, um dos territórios mais respeitados do país quando o assunto é queijo artesanal, e que coleciona prêmios dentro e fora do Brasil. Não é à toa que o queijo de lá ganhou nome próprio no mercado.

A força regional aparece nos concursos oficiais. Segundo a Agência Minas, o Concurso Estadual dos Queijos Artesanais de Minas Gerais de 2025, realizado em Itanhandu e avaliado por 32 jurados, premiou produtores da Mantiqueira de Minas, incluindo o produtor Carlos Henrique Lamim, de Virgínia, que ficou em segundo lugar na categoria de queijos com maturação acima de 50 dias. É o mesmo município de seu João Batista figurando no pódio estadual.

O esforço por trás de cada medalha é grande, e os próprios premiados não escondem. “O sentimento é de muito orgulho e emoção. É uma vida muito difícil”, afirmou o produtor Alexandre Honorato à Agência Minas, ao descrever o reconhecimento de mais de duas décadas de dedicação. É essa mistura de trabalho duro e orgulho que move a agricultura familiar do queijo artesanal mineiro, da qual a família de Virgínia faz parte.

Energia solar e os desafios de quem fica na roça

Ficar no campo não significa parar no tempo, e a família mostra isso na prática. Há poucos meses, eles instalaram placas de energia solar na propriedade, e o efeito no bolso foi imediato: a conta de luz, que chegava a mil reais, despencou para algo entre cem e cento e cinquenta. É tecnologia moderna entrando na rotina da agricultura familiar para baratear o custo de produzir.

Mas a vida na roça ainda cobra seu preço. Seu João Batista conta que a energia cai com frequência nos temporais, às vezes por dias, o que é um perigo para uma queijaria que depende de câmara fria, e a família ainda não tem gerador. A estrada esburacada é outro tormento, encarece o frete de tudo o que entra e sai, e faz da velha Toyota tração nos quatro o herói da propriedade nos dias de chuva.

Esses gargalos explicam por que ele faz um apelo ao poder público. Para o produtor, já que a queijaria gera renda e movimenta a região, falta ao município olhar com mais cuidado para quem está no campo, e não só para a cidade. É o recado de quem provou que a produção de leite bem trabalhada pode segurar uma família inteira na terra, desde que tenha um mínimo de infraestrutura.

A história da família de seu João Batista, em Virgínia, é um lembrete bonito de que nem todo jovem precisa trocar a roça pela cidade para vencer. Ao transformar a produção de leite em queijo artesanal premiado, dentro da tradição da Mantiqueira de Minas, e ainda apostar em energia solar e no aproveitamento total da matéria-prima, essa turma de agricultura familiar mostrou que dá para construir futuro sem sair de casa.

E você, largaria a cidade para tocar um laticínio no campo como esse, ou acha que essa vida não é para qualquer um? Conta aí nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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