O vídeo de um homem que diz ter comprado uma casa da Shopee por R$ 20 mil viralizou, mas o valor é só a parte que ele desembolsou. A casa é feita em Wood Frame pela construtora Alea, sai pelo Minha Casa Minha Vida com financiamento da Caixa, e levanta o velho debate: vale a pena trocar a alvenaria?
Um vídeo simples, gravado na frente de uma casa pequena, virou febre na internet ao prometer algo que parece bom demais para ser verdade: uma casa própria por R$ 20 mil. No canal Kaiera, o apresentador mostra o imóvel que apelidou de casa da Shopee, com dois quartos, banheiro, sala e cozinha integradas e um terreno grande, e resume o orgulho numa frase: é mil vezes melhor do que pagar aluguel para os outros.
Mas, antes de você sonhar com a casa de R$ 20 mil, vale separar o que é manchete do que é realidade. A casa da Shopee não custou R$ 20 mil à vista, e o próprio vídeo entrega a pista quando diz que a Caixa financiou a compra. O imóvel é construído em Wood Frame, um sistema de madeira e placas, pela construtora Alea, e é vendido como qualquer casa popular: com entrada, parcelas e financiamento.
O que é a “casa da Shopee”
O apelido nasceu de deboche, mas pegou. Como a casa é feita de um material diferente do tijolo, madeira e placas no estilo das construções americanas, ela ganhou na cidade do apresentador a fama de casa da Shopee, em referência ao site de compras barato. Tem gente que vai além e chama de “casa de papelão”, segundo o próprio vídeo do canal Kaiera.
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Por dentro, o imóvel é compacto e direto ao ponto. O tour mostra dois quartos de tamanho razoável, um banheiro, uma sala integrada à cozinha e dois corredores laterais estreitos, de pouco mais de um metro. O terreno é o grande trunfo, espaçoso e já com muros dos vizinhos em parte da divisa, o que reduz o custo de fechar o lote.
O apresentador não tenta vender beleza, e isso dá credibilidade ao relato. Ele admite que a casa da Shopee não é nenhuma mansão, mas defende a lógica de quem precisa sair do aluguel: o terreno é dele, ele pode reformar ou até derrubar e reconstruir no futuro. Para ele, ter o que é seu vale mais do que pagar a casa dos outros todo mês.
A verdade sobre o preço de R$ 20 mil
Aqui está o ponto que o título viral não explica. Os R$ 20 mil são o que o comprador colocou para fechar o negócio, e não o valor cheio do imóvel. No próprio vídeo, ele conta que a Caixa financiou a compra, ou seja, o restante do preço foi parcelado em um financiamento habitacional, como acontece com qualquer casa popular.
Esse modelo é justamente o que torna a conta possível. As casas em Wood Frame da Alea são elegíveis ao programa Minha Casa Minha Vida, o que abre acesso a crédito com juros menores e subsídios do governo para famílias dentro das faixas de renda. Em vez de juntar dezenas de milhares de reais à vista, o comprador entra com um valor inicial e assume as prestações, exatamente como faria numa casa de alvenaria.
Por isso, tratar a casa da Shopee como uma casa de R$ 20 mil é enganoso. O que o caso mostra de verdade é outra coisa, talvez até mais interessante: que já dá para entrar numa casa nova, financiada e com terreno, desembolsando pouco de entrada, desde que se aceite um sistema construtivo diferente do tijolo.
O que é Wood Frame, o sistema por trás da casa
Apesar da fama de frágil, o Wood Frame não é improviso. Segundo a construtora Alea, o sistema usa madeira de reflorestamento e placas em múltiplas camadas, com paredes formadas por oito camadas que, de acordo com a empresa, suportam mais de duas toneladas a cada metro de vedação. Não é papelão, é estrutura projetada para aguentar peso e durar.
A fabricação também foge do canteiro de obra tradicional. A Alea afirma produzir as casas em fábrica, a que chama de maior fábrica de casas da América Latina, integrando as instalações hidráulicas e elétricas já na montagem, com desempenho térmico e acústico que a empresa diz ser comprovado. É o tipo de processo que torna a obra mais rápida e padronizada do que levantar parede por parede.
Tem ainda o selo que mais pesa contra o apelido de “casa de papelão”. A construtora afirma que suas casas atendem às normas técnicas brasileiras NBR 15.575, de desempenho, e NBR 16.936, específica para construções em Wood Frame de madeira, além de serem certificadas para o Minha Casa Minha Vida. Em outras palavras, é um sistema reconhecido, e não uma gambiarra que a Caixa financiaria às cegas.
Vale a pena trocar a alvenaria?
Mesmo com a ficha técnica a favor, o debate continua, e é cultural tanto quanto técnico. O brasileiro foi criado com a ideia de que casa de verdade é de tijolo, e qualquer coisa diferente desperta desconfiança sobre durabilidade, manutenção e revenda. Trocar a alvenaria por madeira e placas ainda soa arriscado para muita gente, e essa resistência aparece nos próprios comentários que o tema gera.
Por outro lado, os argumentos a favor são concretos. O Wood Frame tende a ser mais rápido de erguer e, com a produção em fábrica e o financiamento pelo Minha Casa Minha Vida, fica mais acessível para quem nunca conseguiria comprar uma casa de alvenaria nova. Para a família que vive de aluguel, a comparação não é entre madeira e tijolo, é entre ter casa própria ou não ter.
A resposta honesta é que depende de cada caso, e o tempo vai ajudar a decidir. O sistema é novo no Brasil em larga escala, e só os próximos anos vão mostrar como essas casas envelhecem em comparação com a alvenaria. Mas, com norma técnica, certificação e financiamento habitacional, a casa da Shopee está longe de ser a piada que o apelido sugere.
A casa da Shopee virou meme, mas conta uma história séria sobre moradia no Brasil. O vídeo de R$ 20 mil esconde uma realidade mais rica: a de um imóvel novo em Wood Frame, certificado nas normas brasileiras e comprado com financiamento do Minha Casa Minha Vida, que coloca a casa própria ao alcance de quem só conhecia o aluguel. Resta a velha pergunta, que agora você decide com informação na mão.
E você, trocaria a segurança da alvenaria por uma casa da Shopee em Wood Frame, ou ainda prefere o tijolo de sempre? Conta aí nos comentários.


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