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Polícia Federal entra no caso para identificar responsável por invasão ao sistema da Defesa Civil que enviou dez alertas falsos, assustou moradores de diferentes capitais e transformou mensagens sobre risco real em notificações com “misantropia” e até ataque alienígena

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 21/06/2026 às 23:50
Atualizado em 21/06/2026 às 23:52
Agentes da Defesa Civil do Rio de Janeiro verificam notificações de alerta em celulares durante operação em área urbana após chuvas.
Agentes da Defesa Civil monitoram uma área urbana do Rio de Janeiro enquanto verificam nos celulares a notificação falsa investigada pela Polícia Federal.
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A apuração busca identificar quem acessou a plataforma nacional sem autorização e disparou dez mensagens falsas para celulares de moradores de várias cidades brasileiras

A Polícia Federal abriu uma investigação preliminar para apurar o envio de alertas extremos falsos atribuídos à Defesa Civil entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada de sábado (20).

As mensagens foram recebidas por moradores de diferentes cidades do Brasil. Parte delas continha a palavra “misantropia”, enquanto outras citavam um suposto ataque alienígena.

Entretanto, não havia qualquer situação real de emergência. Por isso, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional acionou a Polícia Federal após a confirmação de acesso não autorizado.

A principal suspeita é de que a plataforma nacional tenha sido invadida e utilizada remotamente por alguém sem ligação com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.

Celular exibe alerta extremo falso atribuído à Defesa Civil com a palavra “misantropia”, caso investigado pela Polícia Federal.
Alerta da Defesa Civil enviado a moradores — Foto: Reprodução

Polícia Federal apura origem dos alertas extremos falsos

Segundo a Polícia Federal, o procedimento de investigação já está em andamento. A apuração deverá esclarecer como ocorreu o acesso e quem foi responsável pelos disparos.

De acordo com o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, tudo indica que o episódio tenha sido causado por um ataque hacker.

Ao todo, dez alertas falsos foram enviados. Desse total, nove foram transmitidos pelo sistema Cell Broadcast e um foi encaminhado por SMS.

Ainda assim, as autoridades não conseguiram estimar quantos aparelhos receberam as notificações.

A investigação também deverá apurar se houve falha de segurança, uso indevido de credenciais ou outra forma de acesso remoto à plataforma.

Sistema foi retirado do ar após invasão

A Defesa Civil Nacional informou que a plataforma foi retirada do ar às 1h30 de sábado (20).

Segundo o órgão, o alerta foi ordenado remotamente por alguém alheio ao sistema oficial. Além disso, a mensagem foi enviada na categoria Alerta Extremo.

Essa classificação representa o nível mais grave da ferramenta. Normalmente, ela é usada quando existe risco iminente à vida e necessidade de proteção imediata.

A Defesa Civil Nacional afirmou que o serviço somente seria religado após o restabelecimento das condições de segurança.

Enquanto isso, a Defesa Civil de São Paulo também desabilitou temporariamente a ferramenta até que as autoridades federais esclarecessem o ocorrido.

Mensagens falsas foram recebidas em várias cidades

Relatos sobre os alertas surgiram em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Campo Grande.

No Rio de Janeiro, moradores receberam mensagens com erros de escrita, abreviações e palavras sem contexto.

Em um registro encaminhado ao g1, a notificação apresentava o termo “misantropo” junto de uma sequência incomum de palavras.

Já em Belo Horizonte, a mensagem orientava moradores a se protegerem de um suposto “ataque alienígena”.

As Defesas Civis do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro negaram a emissão dos avisos. Os órgãos também reforçaram que nenhuma situação real de perigo estava em andamento.

Em Mato Grosso do Sul, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil informou que o episódio seria investigado.

Investigação envolve o uso do Cell Broadcast

O sistema afetado utiliza a tecnologia Cell Broadcast, criada para transmitir alertas emergenciais a celulares localizados em regiões específicas.

Diferentemente do SMS, o aviso não é enviado individualmente para números cadastrados. A mensagem é transmitida pelas antenas aos aparelhos compatíveis conectados naquela área.

Por isso, o serviço não exige cadastro, aplicativo, internet ou pacote de dados.

Os alertas aparecem sobre o conteúdo exibido na tela. Além disso, notificações extremas podem emitir sinais sonoros para chamar a atenção da população.

A ferramenta é usada em situações de chuvas intensas, enchentes, alagamentos, deslizamentos, vendavais e outras ameaças.

Uso do nível mais grave amplia apuração da Polícia Federal

A utilização indevida da categoria Alerta Extremo aumentou a gravidade do episódio investigado pela Polícia Federal.

A classificação é reservada a situações nas quais existe ameaça imediata à vida. Portanto, mensagens falsas podem gerar pânico e comprometer a confiança no sistema.

A Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel, mantém um portal com o histórico dos avisos enviados pela plataforma.

Em 31 de maio de 2026, por exemplo, um alerta extremo foi emitido para Manaus devido ao risco de deslizamentos.

Durante 2025, a mesma categoria foi utilizada em ocorrências envolvendo tempestades, inundações, granizo, alagamentos e vendavais.

Termo “misantropia” reforçou suspeita de invasão

Segundo o dicionário Michaelis, misantropia significa aversão, rejeição ou desconfiança em relação à humanidade.

A palavra também pode estar associada ao isolamento social, à melancolia ou a uma visão pessimista sobre outras pessoas.

Entretanto, o termo não possui qualquer relação com fenômenos climáticos ou situações de emergência.

Por isso, sua presença nas notificações reforçou a hipótese de invasão e uso indevido da plataforma, agora investigados pela Polícia Federal.

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Caio Aviz

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