A QJ Motor, que no Brasil vira SBM, prepara duas motos de 300cc para encarar a CB 300F, líder da baixa cilindrada. No papel, as chinesas levam vantagem, com refrigeração líquida e até 32,6 cv contra os 24,7 cv da Honda. Mas os números ainda são preliminares e não há preço nem data confirmados.
O segmento de entrada das motos no Brasil está prestes a ficar ainda mais disputado. A QJ Motor, gigante chinesa que por aqui ganhou a marca SBM, prepara duas motocicletas de 300 cilindradas para brigar de igual para igual com a rainha da categoria, a Honda CB 300F Twister. A novidade foi mostrada pelo canal Bill Motoka, especializado em motos, e promete mexer com quem está de olho na baixa cilindrada.
O recado, por enquanto, é mais promessa do que realidade, e vale começar pelo aviso. As fichas técnicas das duas chinesas ainda são preliminares, saídas do catálogo da QJ Motor, e não há preço nem data de lançamento confirmados no Brasil. Ainda assim, os números que circulam já bastam para tirar o sono de quem hoje só pensava na CB 300F: as duas novatas chegam com refrigeração líquida e mais cavalos que a Honda.
A SBM e a ofensiva chinesa na baixa cilindrada

A SBM, sigla de Shineray do Brasil Motors, é a divisão premium que a fabricante chinesa Shineray criou para o mercado brasileiro, em parceria com a QJ Motor, uma das maiores montadoras de motos da China. Segundo o Autopapo, a marca estreou no Festival Interlagos 2025, realizado entre 29 de maio e 1º de junho, em São Paulo.
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A ambição da operação não é pequena. O CEO José Edson Medeiros resumiu o plano ao Autopapo de forma direta. “Honrando nossa posição de terceira maior montadora em vendas do país, levaremos para o autódromo de 20 a 25 motocicletas com cilindradas que variam de 150 a 600 cc”, afirmou o executivo, deixando claro que a SBM quer atacar várias faixas ao mesmo tempo.
É nesse pacote que entram as duas 300cc. Em vez de empurrar um único modelo, a QJ Motor aposta na estratégia de oferecer mais de uma moto na mesma cilindrada com propostas diferentes, justamente para abocanhar pedaços distintos da baixa cilindrada. Uma é mais voltada ao dia a dia, a outra é mais esportiva, e ambas miram diretamente a clientela da CB 300F.
As duas 300cc: uma street e uma naked
A primeira delas é a SRK 300S, de pegada street. Segundo as informações preliminares mostradas pelo canal Bill Motoka, ela traz um motor monocilíndrico de 292 cm³ com refrigeração líquida e cerca de 28,6 cavalos, além de suspensão invertida, freios a disco com ABS nos dois canais, painel TFT e um peso de 162 kg. É a proposta mais confortável, pensada para rodar na cidade encarando de frente a CB 300F.
A segunda é a SRK 300SA, uma naked de visual mais agressivo e espírito esportivo. Essa, ainda conforme o preview, ganha um motor monocilíndrico DOHC de 299,1 cm³, também com refrigeração líquida, mais envenenado, chegando a cerca de 32,6 cavalos, e ainda mais leve, com apenas 144 kg. Em compensação, sacrifica um pouco o conforto do garupa em troca de uma postura de pilotagem bem inclinada.
Vale repetir o alerta para não criar falsa expectativa. Esses números saem do catálogo global da QJ Motor e do que o canal Bill Motoka apurou, mas a configuração brasileira, o nome final e os equipamentos podem mudar quando, e se, as motos forem de fato homologadas como SBM por aqui.
Por que elas miram a CB 300F (e onde levam vantagem)
A escolha do alvo não é por acaso. A Honda CB 300F Twister é a street mais popular do país na baixa cilindrada, e justamente por isso virou o troféu que toda concorrente quer. De acordo com o Motoo, a Honda usa um motor monocilíndrico de 293,5 cm³, mas com uma diferença importante: ele é refrigerado a ar e entrega 24,7 cavalos a 7.500 rpm.
É aí que as chinesas tentam atacar. Enquanto a CB 300F aposta na simplicidade do arrefecimento a ar, as duas QJ Motor chegam com refrigeração líquida, que ajuda a manter o desempenho em uso intenso, e com mais potência no papel, 28,6 e 32,6 cavalos contra os 24,7 da Honda. Para quem olha só a ficha técnica, a vantagem das estrangeiras é clara.
Só que ficha técnica não é tudo, e a Honda tem trunfos que não aparecem na tabela de potência. A CB 300F custa a partir de R$ 24.657 na versão CBS e R$ 25.637 na ABS, segundo o Motoo, e carrega a confiabilidade, a rede de assistência e o valor de revenda da marca, fatores que pesam muito no bolso do brasileiro na hora de financiar uma moto de baixa cilindrada.
O que ainda não se sabe
O ponto que decide tudo continua em aberto: o preço. De nada adianta uma chinesa ter mais cavalos se chegar cara, porque o comprador da CB 300F costuma ser sensível a cada real na parcela. Sem o valor de tabela das duas 300cc da SBM, é impossível dizer se elas vão de fato incomodar a Honda ou ficar só na conversa de ficha técnica.
Há também a questão da confiança. Marca chinesa nova ainda precisa provar durabilidade, rede de oficinas e peças no Brasil, três pontos em que a Honda larga muito à frente. A QJ Motor e a SBM vêm investindo nisso, com presença forte no Festival Interlagos, mas é o tipo de reputação que só o tempo constrói.
Por enquanto, o que se tem é um movimento promissor e uma boa notícia para o consumidor. Mais concorrência na baixa cilindrada tende a forçar preços para baixo e a empurrar a tecnologia para cima, e quem ganha com isso é quem vai à concessionária. Resta esperar a confirmação oficial para saber se a ameaça à CB 300F é real ou só marketing.
As duas 300cc da QJ Motor que devem chegar como SBM mostram que a baixa cilindrada brasileira virou campo de batalha, e que a liderança da CB 300F não está mais tão tranquila. No papel, as chinesas oferecem mais potência e refrigeração líquida que a Honda, mas o jogo só se decide com preço, confiança e rede de assistência na mesa.
E você, trocaria a segurança da Honda por uma chinesa mais forte e mais barata, ou ainda confia mais na CB 300F de sempre? Conta aí nos comentários.


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