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Um predador marinho com 13 metros, maior que dois ônibus articulados, passou décadas dentro de coleções de museus do Texas debaixo do nariz dos paleontólogos: agora batizado Tylosaurus rex, ele tinha dentes serrilhados capazes de esmagar crânio e dominou os oceanos da América do Norte há 80 milhões de anos

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 25/05/2026 às 11:56
Atualizado em 25/05/2026 às 11:58
Esqueleto montado de mosassauro no Texas Science and Natural History Museum em Austin com mandíbula aberta
Esqueleto de mosassauro montado no Texas Science Museum, em Austin.
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Em paper publicado em 21 de maio na Bulletin of the American Museum of Natural History, três paleontólogos batizaram um predador marinho de 13,2 metros encontrado no Texas e esquecido em coleções de museus por décadas, mal identificado como outra espécie: agora oficialmente Tylosaurus rex, o T. rex dos mares que dominou os oceanos da América do Norte há 80 milhões de anos.

O fóssil principal foi encontrado em camadas geológicas do Texas que correspondem ao final do Cretáceo Superior.

O bicho viveu entre 81 e 79 milhões de anos atrás, no estágio Campaniano.

O tamanho atestado pelas medições do crânio e dos ossos cervicais chega a 13,2 metros, ou 43 pés.

Pra comparação visual, é o equivalente a dois ônibus articulados estacionados em fila.

O predador reinou no Mar Interior Ocidental, gigantesco mar raso que cortava a América do Norte de norte a sul no Cretáceo.

O mar cobria desde o Ártico canadense até o Golfo do México.

Dividia o continente em duas massas de terra: Laramidia a oeste e Appalachia a leste.

O Tylosaurus rex era o predador de topo desse ecossistema marinho inteiro.

Fico imaginando o terror que era estar nadando naquele mar enquanto o sol entrava pelas águas rasas e iluminava uma silhueta cinzenta de treze metros vindo na direção da gente.

O paper é assinado por Amelia R. Zietlow, Michael J. Polcyn e Ronald S. Tykoski.

Foi publicado em 21 de maio na edição 482 do Bulletin of the American Museum of Natural History, com 77 páginas e 50 figuras.

Os três pesquisadores vieram do American Museum of Natural History, em Nova York, do Perot Museum of Nature and Science em Dallas e da Southern Methodist University.

O fóssil que ninguém tinha identificado

O inusitado da história é que o fóssil estava em coleções de museu há décadas, mal identificado como outra espécie de mosassauro.

O nome anterior era Tylosaurus proriger, espécie parente que vivia mais ao norte, no que hoje é o Kansas, cerca de 4 milhões de anos antes.

Bastou uma análise cuidadosa de mandíbula, ossos do crânio e contagem de dentes para os pesquisadores perceberem que era uma espécie nova, distinta.

As diferenças se mantêm mesmo em espécimes de tamanho corporal parecido, segundo o paper.

É o tipo de descoberta que mostra como acervos paleontológicos guardam segredos que vão se revelando aos poucos, ao longo de gerações de pesquisadores.

Mapa do Mar Interior Ocidental cortando a América do Norte no Cretáceo Superior

Os dentes serrilhados que mudaram a história

O traço mais marcante do Tylosaurus rex é uma característica rara em mosassauros: dentes finamente serrilhados.

São serrilhas pequenas, parecidas com as de uma serra de açougueiro, distribuídas ao longo da face cortante.

A maioria dos mosassauros conhecidos tem dentes cônicos lisos, otimizados para perfuração e fixação da presa.

Os dentes serrilhados sugerem cortes em movimento, mordidas que rasgam ao penetrar.

Combine isso com a mandíbula e a musculatura cervical mais densas que as do Tylosaurus proriger.

O resultado é uma mordida que esmagava o crânio da presa em vez de só fixar o agarre, como descreveu o estudo.

Pra efeito de contexto, isso coloca o Tylosaurus rex em um nicho ecológico parecido com o do tubarão branco moderno.

Talvez ainda mais violento, porque o tubarão branco mede entre cinco e seis metros, menos da metade do comprimento do Tylosaurus rex.

O predador provavelmente caçava outros mosassauros menores, plesiossauros, peixes grandes e até tubarões pré-históricos.

Fragmentos fósseis da subfamília Tylosaurinae mostram dentes e ossos cranianos típicos do gênero

Mais um gigante na onda de descobertas recentes

O Tylosaurus rex se junta a uma sequência recente de descobertas paleontológicas de gigantes do Cretáceo Superior.

Pesquisadores na Tailândia identificaram em maio o Nagatitan chaiyaphumensis, dinossauro de pescoço longo de 27 metros e 28 toneladas.

Existem ao menos cinco espécies novas de répteis pré-históricos batizadas só este mês.

É evidência circunstancial de que o ritmo de descrição de novos vertebrados mesozoicos está acelerando.

O Perot Museum em Dallas, onde parte do material do Tylosaurus rex está guardada, organizou uma exposição sobre a espécie.

O esqueleto montado fica numa sala dedicada a fósseis do Mar Interior Ocidental.

Aliás, é possível que coleções brasileiras guardem fósseis mal identificados de répteis pré-históricos parecidos.

O Brasil tem ocorrências de mosassauros menores em depósitos de Pernambuco e Sergipe.

Em geral, fósseis mal preservados, mas com potencial real pra revisão técnica futura.

Confesso que essa parte é a que mais me fascina: descoberta paleontológica não depende só de cavar terra nova, mas de olhar de novo para o que já está dentro da gaveta do museu.

E você, qual descoberta científica recente mais te assustou pelo tamanho do bicho? Conta aí.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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