Em paper publicado em 21 de maio na Bulletin of the American Museum of Natural History, três paleontólogos batizaram um predador marinho de 13,2 metros encontrado no Texas e esquecido em coleções de museus por décadas, mal identificado como outra espécie: agora oficialmente Tylosaurus rex, o T. rex dos mares que dominou os oceanos da América do Norte há 80 milhões de anos.
O fóssil principal foi encontrado em camadas geológicas do Texas que correspondem ao final do Cretáceo Superior.
O bicho viveu entre 81 e 79 milhões de anos atrás, no estágio Campaniano.
O tamanho atestado pelas medições do crânio e dos ossos cervicais chega a 13,2 metros, ou 43 pés.
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Pra comparação visual, é o equivalente a dois ônibus articulados estacionados em fila.
O predador reinou no Mar Interior Ocidental, gigantesco mar raso que cortava a América do Norte de norte a sul no Cretáceo.
O mar cobria desde o Ártico canadense até o Golfo do México.
Dividia o continente em duas massas de terra: Laramidia a oeste e Appalachia a leste.
O Tylosaurus rex era o predador de topo desse ecossistema marinho inteiro.
Fico imaginando o terror que era estar nadando naquele mar enquanto o sol entrava pelas águas rasas e iluminava uma silhueta cinzenta de treze metros vindo na direção da gente.
O paper é assinado por Amelia R. Zietlow, Michael J. Polcyn e Ronald S. Tykoski.
Foi publicado em 21 de maio na edição 482 do Bulletin of the American Museum of Natural History, com 77 páginas e 50 figuras.
Os três pesquisadores vieram do American Museum of Natural History, em Nova York, do Perot Museum of Nature and Science em Dallas e da Southern Methodist University.
O fóssil que ninguém tinha identificado
O inusitado da história é que o fóssil estava em coleções de museu há décadas, mal identificado como outra espécie de mosassauro.
O nome anterior era Tylosaurus proriger, espécie parente que vivia mais ao norte, no que hoje é o Kansas, cerca de 4 milhões de anos antes.
Bastou uma análise cuidadosa de mandíbula, ossos do crânio e contagem de dentes para os pesquisadores perceberem que era uma espécie nova, distinta.
As diferenças se mantêm mesmo em espécimes de tamanho corporal parecido, segundo o paper.
É o tipo de descoberta que mostra como acervos paleontológicos guardam segredos que vão se revelando aos poucos, ao longo de gerações de pesquisadores.

Os dentes serrilhados que mudaram a história
O traço mais marcante do Tylosaurus rex é uma característica rara em mosassauros: dentes finamente serrilhados.
São serrilhas pequenas, parecidas com as de uma serra de açougueiro, distribuídas ao longo da face cortante.
A maioria dos mosassauros conhecidos tem dentes cônicos lisos, otimizados para perfuração e fixação da presa.
Os dentes serrilhados sugerem cortes em movimento, mordidas que rasgam ao penetrar.
Combine isso com a mandíbula e a musculatura cervical mais densas que as do Tylosaurus proriger.
O resultado é uma mordida que esmagava o crânio da presa em vez de só fixar o agarre, como descreveu o estudo.
Pra efeito de contexto, isso coloca o Tylosaurus rex em um nicho ecológico parecido com o do tubarão branco moderno.
Talvez ainda mais violento, porque o tubarão branco mede entre cinco e seis metros, menos da metade do comprimento do Tylosaurus rex.
O predador provavelmente caçava outros mosassauros menores, plesiossauros, peixes grandes e até tubarões pré-históricos.

Mais um gigante na onda de descobertas recentes
O Tylosaurus rex se junta a uma sequência recente de descobertas paleontológicas de gigantes do Cretáceo Superior.
Pesquisadores na Tailândia identificaram em maio o Nagatitan chaiyaphumensis, dinossauro de pescoço longo de 27 metros e 28 toneladas.
Existem ao menos cinco espécies novas de répteis pré-históricos batizadas só este mês.
É evidência circunstancial de que o ritmo de descrição de novos vertebrados mesozoicos está acelerando.
O Perot Museum em Dallas, onde parte do material do Tylosaurus rex está guardada, organizou uma exposição sobre a espécie.
O esqueleto montado fica numa sala dedicada a fósseis do Mar Interior Ocidental.
Aliás, é possível que coleções brasileiras guardem fósseis mal identificados de répteis pré-históricos parecidos.
O Brasil tem ocorrências de mosassauros menores em depósitos de Pernambuco e Sergipe.
Em geral, fósseis mal preservados, mas com potencial real pra revisão técnica futura.
Confesso que essa parte é a que mais me fascina: descoberta paleontológica não depende só de cavar terra nova, mas de olhar de novo para o que já está dentro da gaveta do museu.
E você, qual descoberta científica recente mais te assustou pelo tamanho do bicho? Conta aí.

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