Após quase cinco décadas do Programa Três Norte, conhecido como Grande Muralha Verde, áreas ao redor do Taklamakan passaram a atuar como sumidouro de carbono segundo análise de 25 anos divulgada na PNAS e repercutida pelo Live Science
Durante muito tempo, especialistas enxergaram desertos como áreas inóspitas, dominadas por calor extremo e pouca biodiversidade. No entanto, cientistas começaram a revisar essa visão quando analisaram dados recentes sobre mudanças climáticas. No caso da China, pesquisadores identificaram um fenômeno surpreendente no deserto de Taklamakan.
A revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)” publicou o estudo, e o portal Live Science repercutiu os resultados. Os pesquisadores investigaram como políticas ambientais chinesas alteraram o balanço de carbono da região ao longo das últimas décadas.
O que o plantio de 66 bilhões de árvores provocou no Taklamakan?
O deserto de Taklamakan fica no noroeste da China e montanhas altas cercam toda a área, bloqueando a entrada de umidade. Como consequência, o local se transformou em um vasto mar de areia em constante movimento. Ainda assim, em 1978, o governo chinês iniciou o Programa Três Norte, também chamado de Grande Muralha Verde.
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O governo lançou o projeto com dois objetivos claros: conter o avanço da desertificação e reduzir tempestades de areia por meio do plantio de árvores nas bordas do deserto. Desde então, equipes ambientais plantaram mais de 66 bilhões de árvores na região.
Esse número impressiona não apenas pelo volume, mas também pela escala territorial envolvida. Além disso, pesquisadores passaram a monitorar os impactos ambientais do projeto de forma sistemática.
Para medir os resultados, cientistas analisaram cerca de 25 anos de registros de vegetação ao redor do Taklamakan. Com base nesses dados, eles identificaram uma mudança significativa no comportamento do carbono na região.
Como a região passou a capturar mais CO₂ do que libera?
Os pesquisadores observaram que, após décadas de reflorestamento, áreas ao redor do deserto começaram a absorver mais dióxido de carbono (CO₂) do que liberam. Ou seja, a região passou a funcionar como um sumidouro de carbono.
A vegetação recém-estabelecida captura CO₂ durante a fotossíntese e armazena carbono tanto na biomassa quanto no solo. Dessa forma, o reflorestamento alterou diretamente o balanço atmosférico local.
Além disso, os cientistas destacaram que desertos, por natureza, emitem pouco carbono. Portanto, quando árvores crescem nessas áreas, o saldo tende a se tornar positivo na captura.
Entretanto, os especialistas ressaltam um ponto importante: tecnologias industriais como a Captura e Armazenamento de Carbono (CCS) ainda removem volumes maiores de carbono de forma controlada. Assim, o reflorestamento não substitui soluções tecnológicas avançadas, mas complementa estratégias de mitigação climática.
Limites, desafios e o que ainda exige monitoramento
Apesar dos avanços no balanço de CO₂, os pesquisadores não confirmaram que o programa conseguiu conter totalmente a expansão do deserto ou reduzir de forma decisiva as tempestades de areia.
Além disso, o ambiente árido impõe desafios constantes, como escassez de água e adaptação das espécies plantadas. Por isso, cientistas continuam acompanhando a evolução do ecossistema.
Por outro lado, o estudo amplia o debate global sobre soluções climáticas. Ele mostra que políticas públicas de longo prazo podem transformar áreas consideradas improdutivas em aliadas no combate ao aquecimento global.
Dessa maneira, a China reforça sua posição em estratégias de reflorestamento em larga escala. Ao mesmo tempo, o caso do Taklamakan demonstra que enfrentar as mudanças climáticas exige múltiplas abordagens, desde reflorestamento até inovação tecnológica.
Você acredita que projetos de reflorestamento em desertos podem realmente ajudar a frear as mudanças climáticas ou deveriam ser apenas soluções complementares?


Eu li em outra reportagem que essas árvores alteraram o ciclo da água na região. Removendo muita água do solo e prejudicando outras regiões, inclusive interferindo nos ciclos das chuvas, ou seja raramente a intervenção humana consegue ser realmente benéfica. No máximo quando conseguem realmente reparar estragos causados por nós mesmo. Reflorestar áreas destruídas. Mas ainda assim corremos o risco de a natureza nos castigar.
Acredito que as florestas vão captar o excesso de co2 da atmosfera, e deixar o ar mais puro.
Sou a favor de plantar 50 bilhões de árvores na Amazônia Brasileira nos próximos 50 anos. 1 bilhão de árvores por ano.
De até 6000 espécies diferentes, mas todas de espécies nativas e/ou endêmicas da Amazônia. Incluindo espécies raríssimas, ameaçadas de extinção e recém descobertas.
E com a ajuda de cientistas pois certas espécies de árvores que existem em certas partes da amazônia não existem em outras