Entenda por que o desconhecimento sobre economia circular preocupa especialistas e como sustentabilidade, reciclagem e consumo consciente impactam o Brasil.
Uma pesquisa publicada pelo Movimento Plástico Transforma em parceria ao Instituto QualiBest no dia 2 de julho expõe um cenário desafiador para o futuro do desenvolvimento no Brasil: cerca de quatro em cada dez brasileiros (39%) nunca ouviram falar sobre o conceito de economia circular.
O dado acende um alerta para a urgência de acelerar a transição ecológica e expandir a reciclagem. O estudo indica que, embora o termo tenha atingido 57% da população, o entendimento ocorre de forma superficial, exigindo novas abordagens educacionais e corporativas.
O abismo do conhecimento em economia circular
A transição global rumo ao desenvolvimento ecológico depende de uma mudança estrutural na forma como produzimos e consumimos. No entanto, um levantamento encomendado pelo Movimento Plástico Transforma ao Instituto QualiBest, conduzido entre 30 de abril e 8 de maio de 2026 com 834 pessoas acima de 18 anos, demonstra lacunas profundas. Descobriu-se que, dentre os 57% que afirmam ter ouvido falar em economia circular, apenas 12% declararam de fato conhecer bem o conceito. Os outros 45% admitiram que ouviram a expressão, mas carecem de detalhes operacionais.
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Ao contrário do modelo produtivo linear tradicional — baseado no descarte imediato de recursos no ambiente —, a economia circular propõe uma alternativa regenerativa. Ela se baseia na gestão estratégica, promovendo a reutilização e a reinserção contínua de insumos no ciclo produtivo. Diante desse quadro, disseminar o modelo é crucial para o avanço corporativo do país.
Sustentabilidade e a divisão de responsabilidades
O avanço real da agenda global de sustentabilidade no cenário nacional exige esforços múltiplos e integrados. A pesquisa trouxe dados valiosos comparados com a edição anterior de 2025. Para a esmagadora maioria dos entrevistados, a gestão adequada do ciclo de vida dos produtos é vista como uma vertente essencial da sustentabilidade contemporânea, sendo uma responsabilidade compartilhada.
A cobrança por atuação governamental e empresarial subiu consideravelmente em comparação com o ano anterior, registrando aumentos de quatro e seis pontos percentuais, respectivamente. A responsabilidade pela destinação correta foi dividida da seguinte forma pelos entrevistados:
- 78% atribuem o papel à própria população;
- 63% apontam o dever do governo;
- 55% responsabilizam diretamente as empresas produtoras.
Beatriz Geraldes, integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma, avalia que conhecer o termo de forma superficial é insuficiente. Ela defende a urgência de aprofundar o tema na teoria e na prática para reverter esse cenário de desconhecimento nacional.
Os gargalos práticos da reciclagem urbana
O aprimoramento dos índices de reciclagem no território nacional caminha lado a lado com a clareza das informações transmitidas ao cidadão. O estudo revela que 55% dos brasileiros possuem acesso direto a alguma modalidade de coleta seletiva em suas residências ou ruas. No entanto, um gargalo crítico foi exposto: 11% dos entrevistados realizam a triagem interna de seus materiais reaproveitáveis, porém não os encaminham adequadamente aos pontos oficiais de destinação para que a reciclagem ocorra plenamente.
Dentro desse grupo que realiza a separação domiciliar incompleta, 63% admitem que acabam entregando os resíduos reaproveitáveis misturados aos materiais orgânicos no caminhão de lixo comum. Por outro lado, 36% direcionam esses insumos limpos aos catadores autônomos e cooperativas. O dado reforça que o ato da reciclagem eficiente necessita de uma infraestrutura municipal integrada e acessível.
Disposição para o consumo consciente
Apesar do desconhecimento teórico do conceito circular, o brasileiro demonstra expressiva abertura para assimilar preceitos do consumo consciente. Segundo as estatísticas da pesquisa de 2026, a disposição para mudar hábitos de compra e descarte se divide assim:
- 74% têm total disposição voluntária para modificar radicalmente seus hábitos com foco na menor geração de rejeitos;
- 23% afirmaram não ter qualquer tipo de disposição interna para promover essa mudança de conduta;
- 3% ainda hesitam sobre o tema.
Para converter essa intenção em atitudes práticas de consumo consciente, especialistas apontam que as iniciativas de ampliação do saber devem iniciar de maneira precoce. Focar os investimentos informativos em escolas e no núcleo familiar por meio de crianças e adolescentes cria vetores eficientes de comunicação orgânica com as comunidades.
Como gerenciar os resíduos sólidos nas cidades e fortalecer a economia circular
A correta destinação e tratamento de resíduos sólidos compõem um dos principais pilares legais das diretrizes de rejeitos. A aplicação efetiva da logística reversa foi avaliada pelo estudo. A maioria da população brasileira (42%) declarou já ter efetuado a devolução de algum item pós-consumo pelo menos uma vez, mitigando o acúmulo de resíduos sólidos urbanos, embora somente 14% realizem o procedimento com alta frequência.
Um dado encorajador é o elevado índice de credibilidade no sistema: 54% dos brasileiros declararam confiar plenamente que os materiais limpos e separados são de fato reprocessados pela indústria de resíduos sólidos. Essa alta confiança popular contrasta com apenas 6% de rejeição ou desconfiança explícita, mostrando que o brasileiro quer participar ativamente do tratamento.
O caminho para consolidar as metas ecológicas
A pesquisa coordenada pelo Instituto QualiBest serve como um excelente diagnóstico do momento atual. A urgência da expansão da economia circular é evidente para mitigar as crises climáticas e gerar empregos verdes de alta tecnologia. Contudo, sem a massificação do conhecimento, as ferramentas operacionais perdem eficácia. O engajamento civil observado indica terreno fértil para que governos, escolas e indústrias liderem essa transformação de forma duradoura.
Garantir que as diretrizes globais façam parte do cotidiano requer transformar a intenção em ação mensurável. Ao democratizar o acesso à informação e expandir os sistemas urbanos nas cidades, o país ganha eficiência mercadológica e reduz a pressão sobre recursos naturais finitos. Tratar os materiais reaproveitados como ativo econômico valioso é o passo que falta para o Brasil assumir a liderança da nova economia de baixo carbono.

