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China transforma um dos desertos mais áridos do mundo em polo de aquicultura e já produz quase 200 mil toneladas de peixe onde antes só havia areia

Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 11/02/2026 às 16:11
Atualizado em 11/02/2026 às 16:13
Assista o vídeoLagoas artificiais no Deserto de Taklamakan usadas para criação de peixes
China cria quase 200 mil toneladas de peixe em região desértica
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Projeto no Deserto de Taklamakan une química avançada, gestão térmica e engenharia hídrica para criar um “mar interior” artificial em plena aridez extrema

Durante milênios, o Deserto de Taklamakan foi sinônimo de perigo e isolamento. Mercadores da histórica Rota da Seda evitavam atravessá-lo a todo custo. Afinal, suas dunas móveis e o clima implacável transformavam a região em um território praticamente intransponível. Inclusive, o próprio nome, derivado do uigur, sugere um lugar “do qual não há retorno”.

No entanto, em 2026, a paisagem mudou radicalmente. Onde antes predominava a aridez absoluta, agora surgem lagoas artificiais que sustentam uma indústria aquática surpreendente. A China conseguiu o que parecia impossível: produzir frutos-do-mar em um dos desertos mais hostis do planeta.

A informação foi divulgada por “Xataka Brasil”, que detalhou como a região de Xinjiang passou de cenário desértico extremo a laboratório de aquicultura moderna. Assim, o que antes era apenas areia se tornou um polo produtivo capaz de desafiar conceitos tradicionais sobre agricultura e pesca.

Engenharia química e sistemas de recirculação tornam a aquicultura possível

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O desafio, entretanto, vai muito além da simples irrigação. O solo do Taklamakan apresenta alta concentração de sal e álcali, o que inviabiliza a agricultura convencional. Por isso, engenheiros chineses desenvolveram sistemas altamente sofisticados de recirculação de água voltados para aquicultura intensiva.

Primeiramente, a equipe extrai água de aquíferos salinos subterrâneos. Em seguida, realiza tratamento químico para replicar com precisão a composição da água do mar. Ajustando cuidadosamente o pH e a salinidade, os técnicos criam um ambiente ideal para espécies marinhas como garoupa e camarão-da-montanha.

Além disso, os sistemas mantêm a temperatura da água constante, mesmo diante das variações extremas típicas do deserto. Essa combinação entre química avançada e gestão térmica garante estabilidade produtiva.

Como resultado, em 2024, a produção aquícola da região de Xinjiang atingiu impressionantes 196.500 toneladas. Esse número representa um marco industrial que reforça a capacidade tecnológica chinesa de adaptar ambientes extremos para fins produtivos.

Estratégia nacional busca autossuficiência alimentar e redução de importações

A persistência da China nesse projeto não ocorre por acaso. Pelo contrário, trata-se de uma estratégia de longo prazo voltada à autossuficiência alimentar. Ao reduzir a dependência de importações de frutos-do-mar e da pesca em alto-mar, o país fortalece sua segurança alimentar.

O plano inclui a criação de um verdadeiro “mar interior” artificial. Para isso, os produtores aproveitam o derretimento das geleiras das montanhas próximas, que alimentam a Bacia do Tarim. Embora o recurso hídrico seja limitado, ele apresenta fluxo relativamente constante.

Dessa forma, a produção atende à população local sem exigir transporte de peixes desde a costa leste chinesa, reduzindo custos logísticos e emissões.

Entretanto, especialistas levantam preocupações relevantes. O Deserto de Taklamakan recebe menos de 100 mm de chuva por ano, enquanto a evaporação é extremamente elevada. Portanto, a manutenção das lagoas exige bombeamento contínuo de reservatórios subterrâneos que se reabastecem lentamente.

Por isso, a viabilidade de longo prazo ainda gera debates. Se o modelo se mostrar sustentável e replicável, poderá inaugurar uma nova era na indústria agroalimentar global. Caso contrário, o risco de esgotamento hídrico pode comprometer o experimento.

Enquanto isso, Xinjiang permanece como um laboratório a céu aberto. Mais do que produzir peixe, o projeto testa os limites da engenharia ambiental e da inovação tecnológica. Em jogo está a ideia de que, com conhecimento e investimento, até mesmo um deserto pode gerar vida.

Você acredita que a tecnologia pode transformar ambientes extremos sem comprometer os recursos naturais?

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Jefferson Augusto

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