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Aos 12 anos ele era ajudante de pedreiro, vendeu a própria moto para construir a primeira casa e hoje lidera empreendimentos com retorno estimado em R$ 1,1 bilhão após entregar mais de 2 mil imóveis

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 07/07/2026 às 16:31 Atualizado em 07/07/2026 às 16:44
Assista o vídeoEx-servente José Castelo Deschamps criou a Beco Castelo e hoje lidera projetos imobiliários estimados em R$ 1,1 bilhão.
Ex-servente José Castelo Deschamps criou a Beco Castelo e hoje lidera projetos imobiliários estimados em R$ 1,1 bilhão.
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Trajetória de José Castelo Deschamps passa por infância em canteiros de obra, venda da própria moto para iniciar a primeira casa e criação de uma construtora que aposta em garagens integradas aos apartamentos em Florianópolis.

José Castelo Deschamps, fundador da Beco Castelo, construiu uma trajetória que começou nos canteiros de obra e chegou a empreendimentos de alto padrão na Grande Florianópolis, onde a construtora atua há quase cinco décadas.

Aos 70 anos, o empresário está à frente do Park Haus, sistema patenteado pela empresa e associado a três projetos com investimento estimado em R$ 1,1 bilhão nos próximos anos, segundo publicação da revista Exame.

Na apresentação institucional da Beco Castelo, o Park Haus Cacupé aparece como um lançamento no bairro Cacupé, em Florianópolis, com proposta de garagens integradas aos apartamentos e acesso mais próximo da rotina dos moradores.

José Castelo Deschamps começou na construção civil ainda jovem

Antes de chegar ao comando de uma construtora, Deschamps deixou o interior de Antônio Carlos, a cerca de 40 quilômetros de Florianópolis, e passou a dividir a rotina entre trabalho, estudo e viagens de ônibus para rever a família em Biguaçu.

O primeiro contato com a construção civil ocorreu em Florianópolis, na casa de Osmar Nascimento, na Rua Presidente Goulart, onde ele fazia pequenos serviços durante o dia e estudava à noite na Escola Arquidiocesana São José.

“Chegando lá, eu primeiro fui trabalhar e depois estudar. Foi a primeira casa em que eu trabalhei”, relembra Deschamps, ao descrever a fase em que a obra virou fonte de renda, moradia improvisada e aprendizado prático.

Da convivência diária com operários, materiais e prazos, surgiu uma formação construída fora dos manuais de gestão, mas diretamente ligada às decisões que mais tarde marcariam sua atuação empresarial no setor imobiliário catarinense.

Ao longo dos anos seguintes, Deschamps passou por funções operacionais e administrativas, acumulando experiência em compra de materiais, organização de equipes, controle de custos, acompanhamento de prazos e entrega de imóveis aos clientes.

Primeira virada veio com uma obra em Itapema

A primeira mudança profissional mais significativa aconteceu quando ele foi chamado para gerenciar uma obra em Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina, função que exigia acompanhar a construção das etapas iniciais até a entrega final.

Para aceitar a oportunidade, Deschamps deixou os estudos e assumiu uma responsabilidade maior, em troca de um salário mais alto e de uma função que ampliou seu domínio sobre a rotina completa de uma obra.

Ex-servente José Castelo Deschamps criou a Beco Castelo e hoje lidera projetos imobiliários estimados em R$ 1,1 bilhão.
Ex-servente José Castelo Deschamps criou a Beco Castelo e hoje lidera projetos imobiliários estimados em R$ 1,1 bilhão.

Antes dessa etapa, ele já havia trabalhado como almoxarife em edifícios residenciais na região da Avenida Hercílio Luz, no Centro de Florianópolis, onde acompanhou obras que ajudaram a moldar sua experiência técnica.

Também fez parte do início do Ceisa Center, empreendimento comercial que se tornaria uma referência urbana da capital catarinense, ainda na fase de fundação, antes de seguir para outros desafios na construção civil.

Venda da moto ajudou a financiar a primeira casa

Com o salário maior da nova fase profissional, Deschamps comprou uma motocicleta Honda 150 cilindradas, chamada por ele de “Cinquentinha”, mas a conquista acabou sendo transformada em capital para iniciar uma obra própria.

Em 1976, o empresário vendeu a moto para comprar material de construção e erguer a primeira casa em Biguaçu, imóvel que inicialmente deveria servir de moradia para ele e a esposa.

A obra, porém, consumiu as economias antes de ficar pronta, e a falta de dinheiro levou Deschamps a vender o imóvel ainda inacabado, em uma negociação que marcaria o início de sua atuação como construtor independente.

“Minhas economias e a motoquinha começaram a casa, mas quando chegou na metade, acabou o dinheiro”, afirma.

O comprador foi Luiz Gonzaga da Silveira, e a venda transformou uma dificuldade financeira em recurso para novas construções, criando uma lógica de reinvestimento que acompanharia o empresário nas décadas seguintes.

A partir daquele momento, Deschamps passou a construir casas para terceiros como pessoa física, assumindo etapas que iam da documentação na prefeitura ao financiamento na Caixa, além do orçamento, da contratação de mão de obra e da entrega final.

Nesse período, Graciano Paulo de Amorim foi contratado como primeiro funcionário da trajetória empresarial de Deschamps e, mesmo aposentado, segue ligado à Beco Castelo, que reúne cerca de 200 colaboradores e gera mais de 300 empregos indiretos.

Sem ter concluído o ensino médio nem cursado faculdade, o construtor não podia assinar tecnicamente os projetos, mas desenhava casas, apresentava propostas, calculava custos e encaminhava a parte formal para engenheiros responsáveis.

Beco Castelo nasceu após sociedade em Biguaçu

No dia 4 de março de 1978, data de seu casamento, Deschamps vendeu a segunda casa que havia construído, reforçando a estratégia de transformar cada obra concluída em capital para financiar a próxima etapa.

“A noiva se casou e ficou sem teto”, brinca o empresário, ao lembrar que os imóveis já eram planejados para venda, com foco na expansão gradual da atividade de construção.

Ainda em 1978, um ex-patrão o convidou para ingressar como sócio na Biguaçu Empreendimentos e Construções, conhecida como Beco, movimento que levou sua atuação individual para uma estrutura empresarial.

Cinco anos depois, em 1983, veio o primeiro prédio da empresa, quando o lote e o projeto adquiridos por Deschamps deram origem ao Edifício Carlos Magno, com 24 unidades, em São José.

A sociedade seguiu até 1993, ano em que Deschamps comprou a parte do sócio e promoveu a fusão com a Castelo Construções, dando origem à Beco Castelo.

A partir dessa fase, a construtora passou a se especializar em edifícios residenciais e a testar soluções ligadas ao uso cotidiano dos moradores, como espaços de armazenamento próximos às garagens.

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No Edifício Ouro Fino, no Estreito, em Florianópolis, a proposta apareceu como uma pequena despensa no térreo, antes de o mercado popularizar o termo hobby box para esse tipo de ambiente.

Park Haus aposta em garagens integradas aos apartamentos

O projeto mais recente da Beco Castelo é o Park Haus, apresentado pela empresa como um sistema de garagens privativas integradas aos apartamentos, com uma proposta voltada a aproximar o carro da rotina doméstica.

Segundo a Exame, o sistema registrado no INPI permite que o morador estacione o veículo dentro da própria unidade, por meio de rampas internas e acessos planejados por pavimento.

Pela descrição da construtora, o Park Haus foi desenvolvido para permitir acesso direto do carro ao apartamento sem elevador veicular, usando rampas internas com fluxos independentes de subida e descida.

A origem da ideia é associada por Deschamps ao apagão de 2003 em Florianópolis, quando a falta de energia por quase três dias expôs dificuldades de acessibilidade em edifícios altos.

Para o empresário, a proposta aproxima a experiência de morar em apartamento da lógica de uma casa, sem abandonar a verticalização dos empreendimentos residenciais em áreas urbanas valorizadas.

“Existem, até o momento, quatro conceitos de moradia: a casa, o edifício, os condomínios horizontais e as casas geminadas. O quinto conceito é o Park Haus”, afirma o empresário.

A Exame informou que o empreendimento de Cacupé deve ser lançado em 2026, quando deverão ser divulgados dados como número de unidades, área construída e valores das unidades.

Ainda de acordo com a revista, o Park Haus, somado a outros dois projetos similares, representa investimento estimado em R$ 1,1 bilhão nos próximos anos.

Mesmo com a escala dos novos empreendimentos, Deschamps atribui o crescimento da construtora à participação de engenheiros, técnicos, operários, colaboradores e parceiros que passaram pela empresa ao longo de quase cinco décadas.

“Eu tive muitos colaboradores bons comigo ao longo do tempo, ninguém faz nada sozinho”, afirma.

Aos 70 anos, o fundador da Beco Castelo diz que pretende continuar trabalhando, mantendo no setor imobiliário a mesma rotina que começou quando ainda aprendia os primeiros serviços em uma obra.

Em um mercado pressionado por inovação, custo, localização e praticidade, até que ponto modelos como o Park Haus podem mudar a forma de morar nas grandes cidades?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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