A Pluvi, de Recife, já ultrapassou 10 milhões de litros de água potável produzidos e entrou em projetos de grande impacto em áreas vulneráveis, com economia estimada de até R$ 250 mil e expansão apoiada pelo governo de Pernambuco.
Uma startup de Recife está transformando chuva em água potável e já passou da marca de 10 milhões de litros gerados em comunidades da Região Metropolitana. A tecnologia, criada pela Pluvi, ganhou espaço justamente em áreas onde a falta de água tratada e a vulnerabilidade urbana tornam a crise hídrica parte da rotina.
O avanço não ficou só no discurso. Segundo Exame, a solução já levou economia estimada de R$ 250 mil para famílias atendidas e chegou a territórios como Alto da Telha e Jardim Monte Verde, onde a chuva costuma ser sinônimo de risco, e não de alívio.
A tecnologia também entrou no radar do governo de Pernambuco, que firmou convênio de R$ 6 milhões para instalar 400 unidades em áreas críticas. O movimento coloca a empresa no centro de uma resposta prática para locais que convivem com falta de água, alagamentos e pressão constante sobre a infraestrutura urbana.
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Da pesquisa da UFPE à rotina de comunidades sem água regular

A Pluvi nasceu em 2021 no Pólo Tecnológico da Universidade Federal de Pernambuco, a partir de pesquisas conduzidas com mentoria da professora Sávia Gavazza. A ideia era simples de entender e difícil de executar em escala: captar, tratar e distribuir água da chuva com um sistema pensado para funcionar em áreas vulneráveis.
O problema, no Brasil, é grande. Ainda segundo os dados citados pela reportagem, 35 milhões de pessoas vivem sem acesso regular à água tratada. Em Recife, cerca de 207 mil moradores estão em áreas de risco, o que representa 13% da população da capital pernambucana.
Nesses territórios, moradias improvisadas e a ausência de ligação formal à rede de água ou esgoto são parte do dia a dia. Foi nesse cenário que a startup encontrou espaço para crescer com uma proposta de impacto direto e de baixo custo operacional.
PluGoW usa energia solar e dispensa produtos químicos
O principal produto da empresa é o PluGoW, um sistema autoportante que pode operar com energia solar. Ele usa barreiras físicas, como a separação das primeiras águas da chuva, para purificar o líquido e deixá-lo potável dentro dos padrões do Ministério da Saúde.
Um dos pontos que mais chamam atenção é a simplicidade. Diferentemente de modelos convencionais, o processo pode ser feito sem produtos químicos. Isso ajuda a reduzir a dependência de soluções mais caras e pode facilitar a adoção em comunidades onde a infraestrutura é limitada.
De acordo com a empresa, o sistema já produziu mais de 10 milhões de litros de água potável em comunidades da Região Metropolitana do Recife, incluindo Alto da Telha e Jardim Monte Verde. A estimativa de economia chega a R$ 250 mil, valor equivalente ao custo de cerca de 1.000 caminhões-pipa.
Jardim Monte Verde virou símbolo do impacto da tecnologia
O uso da solução em Jardim Monte Verde deu visibilidade nacional ao projeto. A área, entre Recife e Jaboatão dos Guararapes, foi o epicentro do desastre de maio de 2022, quando deslizamentos provocados pelas chuvas deixaram 44 mortos, 17 deles na mesma rua, e mais de 750 famílias desabrigadas.
É nesse tipo de território que a tecnologia ganha dimensão humana. A reportagem mostra que, em vez de carregar baldes ou improvisar banhos com canecas, parte das famílias passou a ter acesso à água corrente quando chove. “Hoje, a chuva virou motivo de comemoração”, disse Silvia do Nascimento, moradora da comunidade.
Também há um efeito técnico importante: modelagem hidrológica feita por pesquisadores da UFPE indica que a instalação em massa do sistema poderia reter até 30% da água da chuva, reduzindo a infiltração no solo e a pressão sobre os sistemas de drenagem urbana.
Governo de Pernambuco amplia o projeto e coloca escala na solução
A entrada da Pluvi no maior programa de contenção de encostas do país reforça que a tecnologia saiu da fase experimental e passou a ocupar espaço em políticas públicas. O convênio de R$ 6 milhões prevê 400 unidades em áreas críticas, ampliando o alcance da solução para além dos projetos pilotos.
Para a CEO Isabelle Câmara, o impacto imediato é o que sustenta o trabalho. “O que me motiva todos os dias é poder ver o impacto imediato que essa tecnologia causa na vida das pessoas”, afirmou. A startup também conta com apoio do Sebrae desde 2020 e participou de iniciativas como o Catalisa ICT e a incubação na UFPE.
Em 2024, a empresa foi uma das duas brasileiras lideradas por mulheres a receber reconhecimento no BRICS Women’s Startups, em Moscou, após disputar com mais de mil concorrentes de 28 países. A vitória na categoria Inovação e Infraestrutura ajudou a levar a solução pernambucana para uma vitrine internacional.
Com mais de 10 milhões de litros já gerados, economia relevante para comunidades e expansão prevista em áreas críticas, a startup virou um exemplo raro de tecnologia simples com resultado mensurável. Se você quer mais histórias assim, acompanhe e compartilhe esta matéria com quem se interessa por inovação que muda a vida real.

