Com uso massivo de aviões, drones e milhares de geradores terrestres, país amplia programa de modificação do clima enquanto especialistas questionam evidências científicas e impactos geopolíticos
Em março de 2025, o céu do norte da China se transformou em um gigantesco laboratório atmosférico. Na ocasião, uma frota composta por 30 aviões e drones lançou partículas de iodeto de prata sobre regiões estratégicas do cinturão de grãos do país. Ao mesmo tempo, mais de 250 geradores terrestres disparavam foguetes com o mesmo material químico. O objetivo era claro: induzir artificialmente a chuva e aliviar a seca que ameaçava plantações no norte e noroeste do território chinês.
A informação foi divulgada por “BBC Future”, conforme reportagem assinada por Ally Hirschlag, que detalhou a dimensão da chamada operação “chuva de primavera”, conduzida pela Administração Meteorológica da China.
Segundo autoridades chinesas, a ofensiva teria gerado 31 milhões de toneladas adicionais de precipitação em 10 regiões suscetíveis à seca. Contudo, apesar dos números impressionantes, o debate científico permanece aberto e, em muitos casos, controverso.
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Como funciona a semeadura de nuvens e por que ela divide a comunidade científica
A China tenta aumentar artificialmente seus índices de chuva desde a década de 1950 por meio da técnica conhecida como semeadura de nuvens. Basicamente, o método consiste em liberar partículas microscópicas geralmente iodeto de prata dentro de nuvens que contenham água líquida super-resfriada (entre -15°C e 0°C). Essas partículas funcionam como núcleos de condensação, formando cristais de gelo que, ao se tornarem pesados, caem em forma de chuva ou neve.
No entanto, apesar de parecer simples na teoria, a comprovação científica é complexa. Conforme explica Robert Rauber, professor da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, “não conseguimos fazer a mesma nuvem acontecer duas vezes”, o que inviabiliza experimentos totalmente controlados.
Ainda assim, os chineses intensificaram seus esforços. Atualmente, o país realiza modificações climáticas em mais de 50% de seu território. Além disso, estabeleceu sua primeira base operacional permanente em 2013 e hoje conta com seis bases de pesquisa colaborando em estudos.
Adicionalmente, iniciativas ambiciosas como o projeto Tianhe (“rio do céu”) pretendem criar um corredor de vapor de água do Planalto Tibetano até regiões áridas do norte chinês por meio de milhares de geradores terrestres.
Por outro lado, surgem preocupações ambientais e geopolíticas. Elizabeth Chalecki, pesquisadora da Balsillie School of International Affairs, alerta que intervenções dessa magnitude podem impactar países vizinhos, como a Índia, especialmente em regiões de recursos hídricos compartilhados.
Contudo, uma análise ainda não publicada baseada em 27 mil experimentos de semeadura realizados na China concluiu que o impacto transfronteiriço teria sido mínimo.
Alegações bilionárias, evidências limitadas e o experimento Snowie

Em dezembro de 2025, a agência meteorológica chinesa afirmou que operações de chuva e neve artificial haviam produzido 168 bilhões de toneladas adicionais de precipitação desde 2021, volume equivalente a aproximadamente 67 milhões de piscinas olímpicas.
Além disso, o governo declarou que a operação “chuva de primavera” teria aumentado a precipitação em 20% em comparação com 2024.
Entretanto, cientistas permanecem céticos. Jeffrey French, da Universidade do Wyoming, afirma que muitas dessas alegações não podem ser cientificamente validadas.
O estudo considerado referência mundial é o experimento Snowie, conduzido em 2017 nas montanhas Payette, em Idaho (EUA). O projeto conseguiu comprovar, por meio de medições comparativas entre áreas a 1 a 2 quilômetros de distância, que a semeadura produziu neve mensurável.
Todavia, mesmo o Snowie demonstrou que o impacto é relativamente modesto. Katja Friedrich, da Universidade do Colorado, explica que o efeito da técnica é limitado e depende de condições atmosféricas muito específicas.
Além disso, a técnica não funciona se não houver nuvens adequadas e é menos eficaz nos meses quentes, quando raramente existem nuvens com água super-resfriada.
Por essa razão, especialistas como Adele L. Igel, da Universidade da Califórnia em Davis, reforçam que, embora a teoria indique que a técnica deveria funcionar, ainda é difícil comprovar rotineiramente seus resultados com observações independentes.
Tecnologia, inteligência artificial e nova fronteira climática
Nos últimos anos, entretanto, a China incorporou tecnologias mais avançadas ao processo. O uso de drones, radares sofisticados e inteligência artificial passou a otimizar a liberação de iodeto de prata.
Além disso, tanto China quanto Emirados Árabes Unidos experimentam métodos alternativos como o flare seeding e a liberação de íons negativos nas nuvens.
Mesmo assim, permanece escassa a pesquisa independente capaz de comprovar definitivamente a eficácia dessas novas abordagens.
Especialistas temem que o aumento global das secas, impulsionado pelas mudanças climáticas, acelere a adoção da tecnologia antes que existam evidências científicas robustas suficientes.
Enquanto isso, governos argumentam que o tempo é um luxo que regiões afetadas por escassez hídrica não possuem.
Você acredita que controlar a chuva pode ser a solução para a crise hídrica global — ou estamos entrando em um território climático perigoso demais?

No Brasil no governo dos militares já tentaram fazer isso no nordeste para fazer chover com o iodeto de potássio mas não deu certo isso aí é um experimento antigo tudo conversa fiada não existe mágica para a natureza e meio ambiente.
No Brasil no governo dos militares já tentaram fazer isso no nordeste para fazer chover com o iodeto de potássio mas não deu certo isso aí é um experimento antigo tudo conversa fiada não existe mágica para a natureza e meio ambiente.
No Brasil já conseguiram, já conseguiram fazer chover uma boa quantidade também, há uns tempos atrás, só que, não tocaram o projeto adiante.