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Mulher saiu de São Paulo para ajudar o pai de 88 anos no sertão da Paraíba, encontrou fazenda familiar abandonada, trocou mandioca e gado por frutas orgânicas e colheu 24 toneladas de melão e melancia no semiárido, provando que tradição, irrigação e planejamento podem transformar terra esquecida em negócio sustentável

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Escrito por Carla Teles Publicado em 10/07/2026 às 13:51 Atualizado em 10/07/2026 às 13:53
Mulher saiu de São Paulo para ajudar o pai de 88 anos no sertão da Paraíba, encontrou fazenda familiar abandonada, trocou mandioca e gado por frutas orgânicas e colheu 24
Frutas orgânicas da Fazenda Nova Boa Vista, em Monte Horebe, unem melão amarelo e melancia no semiárido. Imagem: Divulgação/Sebrae
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Segundo a ASN Paraíba, Inara Souza iniciou em 2021 a reorganização da Fazenda Nova Boa Vista, em Monte Horebe, apostando em frutas orgânicas, irrigação, certificação IBD e planejamento técnico. A produção somou 24 toneladas de melão amarelo e melancia, com apoio do Sebrae/PB no semiárido paraibano e foco em sustentabilidade.

As frutas orgânicas viraram o novo eixo produtivo da Fazenda Nova Boa Vista, na área rural de Monte Horebe, no alto sertão da Paraíba, depois que Inara Souza deixou São Paulo para ajudar o pai, José Dias de Souza, então com 88 anos, na gestão da propriedade familiar.

De acordo com a Agência Sebrae de Notícias da Paraíba, a mudança começou em 2021 e ganhou força a partir de 2022, quando a fruticultura passou a ocupar espaço em uma fazenda historicamente ligada à mandioca e à criação de bovinos.

Fazenda familiar mudou o foco da produção

A Fazenda Nova Boa Vista pertence à família desde a década de 1930. Segundo a reportagem da ASN Paraíba, o local tinha suas atividades tradicionais ligadas à cultura da mandioca e à criação de gado, antes da entrada mais estruturada no cultivo de melão amarelo e melancia.

Inara Souza explicou à fonte que começou a pesquisar alternativas ao chegar à Paraíba para ajudar o pai na administração da área. A escolha pela fruticultura veio como uma estratégia de reorganização produtiva, não como ruptura com a história da propriedade.

Cultivo começou com análise, planejamento e irrigação

O projeto de frutas orgânicas começou em uma área de dois hectares e, segundo a empreendedora, atualmente ocupa quase o dobro do terreno inicial. O primeiro passo foi analisar a propriedade e montar um planejamento viável para cada etapa da produção.

Como a região fica no semiárido, com temperaturas elevadas e poucas chuvas, a irrigação entrou como parte essencial do processo. A Fazenda Nova Boa Vista conta com uma área de 111 hectares, reservatórios como açude e sistema de irrigação voltado ao controle da produção.

Certificação orgânica abriu caminho para comercialização

A decisão de produzir sem agrotóxicos levou Inara a buscar a certificação IBD, que atesta o produto como orgânico para comercialização. Segundo a ASN Paraíba, o histórico da fazenda sem uso de produtos químicos em outras culturas ajudou nesse processo.

A certificação passou a ser um diferencial para posicionar as frutas orgânicas no mercado. Em vez de vender apenas produção rural in natura, o projeto passou a trabalhar com origem, método de cultivo e padrão de comercialização.

Melão e melancia somaram 24 toneladas

A Fazenda Nova Boa Vista registrou colheitas em 2022 e 2023. Nesse período, de acordo com a fonte, foram colhidas 18 toneladas de melão amarelo e seis toneladas de melancia, totalizando 24 toneladas.

Parte das frutas foi destinada a estabelecimentos comerciais no território paraibano, enquanto outra parcela seguiu para estados como São Paulo e Paraná. O resultado mostrou que a produção do semiárido poderia alcançar mercados além do entorno imediato da fazenda.

Sebrae/PB acompanhou a estruturação do projeto

O projeto é acompanhado pelo Sebrae/PB. Inara afirmou à ASN Paraíba que o apoio ajudou a entender o tamanho da produção, as possibilidades de escoamento e a importância da certificação orgânica na relação com compradores e investidores.

O analista técnico Fabrício Vitorino acompanha a iniciativa desde a fase inicial. Segundo ele, o projeto exigiu estudos técnicos, planejamento, consultorias e orientações para que o cultivo seguisse normas da legislação nacional.

Horticultura entrou como nova etapa da fazenda

Além do melão amarelo e da melancia, a propriedade adotou em 2024 a prática da horticultura. A produção passou a incluir itens como coentro, alface, beterraba, quiabo, cenoura, mandioca e batata doce para estabelecimentos comerciais da região.

Essa diversificação ajuda a reduzir a dependência de uma única cultura. Ao mesmo tempo, mantém a Fazenda Nova Boa Vista ligada ao cultivo de alimentos, fortalecendo o uso produtivo da terra com diferentes ciclos agrícolas.

Nova safra de melão está em preparação

No momento descrito pela ASN Paraíba, a produção de melão amarelo estava na fase de preparação do solo. A expectativa informada na reportagem era de uma nova colheita entre 18 e 20 toneladas.

Esse dado mostra que a experiência não ficou restrita a uma primeira safra bem-sucedida. O projeto passou a operar com planejamento de continuidade, combinando irrigação, preparo do solo, certificação e acompanhamento técnico.

Prêmio reconheceu a produtora rural em 2025

O negócio desenvolvido por Inara Souza foi destaque no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2025. A ação conquistou a primeira colocação na Paraíba na categoria Produtora Rural.

A premiação aconteceu em agosto de 2025, durante a Feira do Empreendedor, em Campina Grande. Segundo a ASN Paraíba, 12 empresárias foram contempladas em cinco categorias, com foco em empreendedorismo feminino, inovação, visão de futuro, estratégia e gestão empresarial.

O que a experiência mostra sobre o semiárido

A trajetória da Fazenda Nova Boa Vista mostra que o semiárido pode receber projetos produtivos quando há leitura correta do território, água planejada, assistência técnica e estratégia comercial. O caso não elimina os desafios da agricultura, mas mostra um caminho baseado em método.

A pergunta que fica é direta: quantas propriedades familiares poderiam ganhar novo uso com irrigação, certificação e planejamento, em vez de depender apenas de culturas tradicionais? Você acha que frutas orgânicas podem se tornar uma alternativa mais forte para o semiárido brasileiro? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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