A Reaqt apostou em um modelo de “pedágio da água” para grandes operações, já tratou mais de 10 bilhões de litros e diz que o formato pode reduzir em até 40% a conta de clientes industriais.
A brasileira Reaqt está chamando atenção ao vender água tratada como serviço, em um modelo que a própria empresa compara a um pedágio. A ideia já passou da fase de teste: são mais de 10 bilhões de litros tratados e economia de até 40% nas contas de clientes industriais, segundo Exame.
O negócio mira grandes companhias que precisam de soluções sob medida para reuso e tratamento de efluentes, sem arcar com investimento, operação e manutenção da estrutura. Entre os clientes citados estão Suzano e Heineken, enquanto a empresa projeta chegar a R$ 45 milhões de faturamento em 2025.
Fundada em 2013, a empresa nasceu com o nome Aquafix e hoje tem sede na Vila Madalena, em São Paulo. A operação ainda é enxuta, com cerca de 40 funcionários, mas ganhou tração depois de aportes que somam R$ 101,5 milhões desde 2021.
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O “pedágio da água” virou negócio para grandes indústrias

O modelo da Reaqt foge da lógica tradicional do tratamento hídrico. Em vez de vender apenas equipamentos ou projetos, a companhia entra com a estrutura, implanta a operação e cobra pelo uso da água tratada. O cliente, segundo o CEO e cofundador Marcos Heitor Cardoso, paga pelo consumo e não precisa assumir a operação do sistema.
A proposta faz sentido especialmente para setores que gastam muita água e lidam com efluentes complexos, como papel e celulose, química, alimentos, bebidas, óleo e gás e portos e marinas. A empresa diz atuar com engenharia própria, uso de dados e soluções desenhadas para cada operação.
Mais de 10 bilhões de litros tratados e economia de até 40%
O número mais chamativo da operação é a escala: a Reaqt afirma já ter tratado mais de 10 bilhões de litros de água. Além disso, a empresa diz entregar redução de até 40% nas contas de clientes, um ganho que ajuda a explicar a expansão do negócio em meio à pressão por eficiência nas indústrias.
Os projetos também ganharam relevância por causa da combinação entre custo e complexidade. A própria empresa descreve o trabalho como uma espécie de “alfaiataria” do tratamento, já que a água industrial pode reunir diferentes componentes químicos e exigir soluções específicas.
R$ 101,5 milhões em aportes aceleraram a expansão
Até 2021, a Reaqt era financiada majoritariamente com recursos próprios e da família dos fundadores, o que limitava a velocidade de crescimento. A partir dali, a empresa recebeu aportes que somam R$ 101,5 milhões de um grupo confidencial de investidores e acelerou os planos de expansão.
A meta agora é mais ambiciosa: faturar R$ 45 milhões em 2025, mais que dobrando o resultado ano a ano. O avanço também abriu caminho para negociações fora do país, com foco em mercados asiáticos que enfrentam desafios parecidos com os do Brasil no uso da água.
De Manaus ao hidrogênio verde, a empresa mira projetos mais complexos
Antes de chegar a grandes plantas industriais, a empresa ganhou experiência em estações de tratamento de shoppings, incluindo o Shopping Manauara, em Manaus. A partir daí, passou a buscar projetos maiores e mais sofisticados, inclusive em áreas que exigem pureza extrema da água.
Entre os próximos passos estão iniciativas ligadas à produção de hidrogênio verde, uma frente que exige padrões técnicos muito mais rígidos. Para a Reaqt, o espaço de crescimento ainda é grande — e a disputa por soluções de água tende a ficar mais estratégica para a indústria brasileira.
Se o modelo vai continuar ganhando espaço entre grandes empresas, ainda é cedo para dizer, mas a trajetória da Reaqt mostra que água tratada pode deixar de ser custo invisível e virar negócio de peso. Queremos saber: esse tipo de solução deveria ganhar mais espaço no Brasil?
