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Pinguins viram rastreadores naturais na Patagônia e revelam substâncias químicas eternas escondidas até no litoral mais remoto da Argentina

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 11/05/2026 às 11:26
Atualizado em 11/05/2026 às 11:28
Pinguins-de-magalhães na costa da Patagônia ilustram estudo sobre PFAS e substâncias químicas eternas no ambiente marinho.
Pinguins-de-magalhães são usados de forma não invasiva em estudo que detectou substâncias químicas eternas no litoral remoto da Patagônia.
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Uma descoberta ambiental de grande relevância científica foi registrada recentemente na Patagônia argentina, atraindo atenção internacional

Pesquisadores encontraram substâncias químicas eternas, conhecidas como PFAS, no litoral remoto do sul da Argentina, com a ajuda de pinguins-de-magalhães. O estudo foi publicado em março na revista Earth: Environmental Sustainability e mostrou que essas aves podem auxiliar no rastreamento da poluição oceânica sem métodos invasivos. Mais de 90% das anilhas analisadas apresentaram compostos químicos persistentes, mesmo em uma região pouco habitada e distante de grandes centros industriais. Esse resultado indica que a exposição a contaminantes já alcança áreas consideradas isoladas, o que amplia a preocupação sobre a presença global dessas substâncias no ambiente marinho.

Pulseiras de silicone revelam contaminação em área remota

A investigação foi conduzida por cientistas da Universidade da Califórnia, em Davis, e da Universidade de Buffalo e, por isso, reuniu especialistas em vida selvagem e química analítica. Os pesquisadores adaptaram amostradores passivos de silicone, chamados SPS, às pernas dos pinguins para absorver substâncias químicas presentes na água, no ar e em superfícies. Ralph Vanstreels, veterinário de animais selvagens da Universidade da Califórnia, explicou que a equipe buscava alternativas para medir poluição nessas espécies. A ideia das pulseiras surgiu como adaptação de dispositivos usados por humanos para medir exposição a contaminantes, permitindo uma coleta menos invasiva e mais adequada ao comportamento das aves.

Pinguins ajudam a mapear o oceano com menos impacto

Durante três temporadas de reprodução, a equipe coletou amostras de 55 pinguins-de-magalhães, enquanto 57 aves receberam as anilhas ao longo do estudo. O procedimento levou cerca de três minutos e foi realizado por veterinários especializados em vida selvagem, com monitoramento à distância após a colocação. Apenas uma ave teve o dispositivo removido por suspeita de desconforto, e somente uma anilha desapareceu depois da instalação. O método chamou atenção porque o monitoramento oceânico tradicional costuma exigir barcos, expedições longas e equipes especializadas, enquanto os pinguins já percorrem grandes áreas do mar em busca de alimento.

PFAS antigos e substitutos acendem alerta científico

As amostras foram analisadas no laboratório de Diana Aga, química analítica da Universidade de Buffalo, por meio de espectrometria de massa. A análise focou em 24 tipos de PFAS, incluindo compostos tradicionais e versões substitutas mais recentes. Essas substâncias aparecem em produtos como panelas antiaderentes, capas de chuva, espumas de combate a incêndio e medicamentos, mas sua resistência à água, gordura, calor e produtos químicos dificulta a decomposição. Consequentemente, as PFAS se acumulam no ambiente e nos organismos, enquanto décadas de pesquisas já associaram esses compostos a riscos reprodutivos, problemas de desenvolvimento e câncer. As concentrações encontradas não foram altas, porém a presença constante mostra exposição contínua.

Técnica complementar pode mudar pesquisas com fauna

David Megson, químico ambiental da Universidade Metropolitana de Manchester, não participou do estudo, mas avaliou que a técnica representa um avanço importante para pesquisas com animais selvagens. Ele destacou que métodos tradicionais, como amostras de sangue ou tecido, podem ser invasivos e, em alguns casos, exigem procedimentos mais agressivos. As pulseiras SPS não mostram diretamente quanto PFAS se acumula no corpo dos pinguins, mas ajudam a entender melhor o ambiente onde esses animais vivem. Segundo Megson, a principal via de exposição provavelmente ocorre pelos peixes consumidos, o que reforça a necessidade de combinar pulseiras, amostras biológicas e análise dos alimentos.

Pesquisa pode avançar para outras espécies

Embora os pinguins-de-magalhães não estejam ameaçados de extinção, 13 das 18 espécies reconhecidas de pinguins têm populações em queda ou estão ameaçadas. Vanstreels e Aga esperam testar o método em outras aves marinhas, como os cormorões, que mergulham a mais de 45 metros de profundidade. Os pesquisadores também pretendem acompanhar a exposição dos pinguins durante a migração de inverno rumo ao Uruguai e ao Brasil, ampliando o entendimento sobre a circulação dos PFAS nos oceanos. Esse avanço reforça que proteger a Patagônia exige enfrentar problemas globais de poluição, indústria e descarte químico.

O alerta ambiental além da Patagônia

A presença de PFAS no litoral remoto argentino mostra que a contaminação química não respeita fronteiras geográficas. Esses compostos persistentes, chamados de substâncias químicas eternas, se espalham pelo ambiente e desafiam métodos tradicionais de monitoramento. O estudo com pinguins-de-magalhães funciona como prova de conceito para pesquisas futuras e mostra que animais marinhos podem ajudar a revelar riscos ambientais invisíveis.
Como preservar regiões remotas se a poluição química já acompanha até os pinguins da Patagônia?

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Caio Aviz

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