Conheça a operação de monitoramento iniciada após a identificação da rã-touro em Ratones, onde 11 animais foram capturados entre novembro de 2025 e março de 2026.
Uma espécie invasora originária da América do Norte passou a preocupar pesquisadores e autoridades ambientais de Florianópolis. Em outubro de 2025, a rã-touro (Aquarana catesbeiana) foi identificada oficialmente pela primeira vez no bairro Ratones, na capital de Santa Catarina.
Segundo a Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis, a Floram, a confirmação levou ao início imediato de ações de mapeamento, monitoramento e captura. O trabalho busca impedir que o anfíbio se espalhe e provoque impactos sobre espécies nativas.
A operação reúne profissionais da Floram, da Universidade Federal de Santa Catarina, do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
-
Como empresa brasileira criou sistema que transforma pallets quebrados de qualquer marca em novos ativos, recicla 80 toneladas de plástico por mês e encontrou uma solução lucrativa para um problema que desafia indústrias em todo o país
-
Corrente no Atlântico perde força em silêncio nas profundezas do oceano e preocupa cientistas pelo risco de alterar o clima global sem que quase ninguém consiga enxergar o perigo
-
Enquanto secas históricas ameaçam plantações e cidades, Marrocos acelera plano bilionário para transformar água do oceano em água potável, construir a maior usina de dessalinização da África e abastecer milhões até 2030
-
Fenômeno raro no Atlântico Norte resfria enquanto o planeta aquece e reacende temor sobre mudanças bruscas no clima da Europa
Entre novembro de 2025 e março de 2026, 11 rãs-touro foram capturadas. A presença da espécie também foi confirmada em três propriedades, enquanto relatos indicam que ela pode estar em Ratones há mais tempo.
Conheça a rã-touro invasora
A rã-touro está entre os maiores anfíbios anuros originários da América do Norte. Seu nome popular surgiu porque o coaxar grave produzido pelo animal lembra o mugido de um touro.
Além do tamanho, a espécie chama a atenção pelo comportamento alimentar. Considerada uma predadora oportunista e voraz, ela consome praticamente qualquer animal menor que consiga capturar.
Peixes, lagostins, pequenos mamíferos e outros anfíbios fazem parte de sua alimentação. O canibalismo também ocorre com frequência e, em algumas situações, pode representar até 80% de sua dieta.
A rã-touro chegou ao Brasil em 1935, trazida para criação comercial em ranários e produção de carne. Entretanto, o encerramento de diversos criadouros favoreceu escapes e solturas em diferentes regiões.
Com o passar do tempo, populações do anfíbio começaram a aparecer fora dos locais de criação. Dessa forma, a espécie passou a ser classificada como exótica e invasora no território brasileiro.
Além do Brasil, a rã-touro também se estabeleceu em países como Uruguai, Venezuela, França, Colômbia, China e Japão.
Como começou o monitoramento em Florianópolis
Após o primeiro registro oficial, realizado em outubro de 2025, as equipes iniciaram o mapeamento das áreas onde a espécie poderia estar presente.
Segundo a bióloga da Floram, Priscilla Tamioso, as ações foram adotadas preventivamente para reduzir impactos e evitar a dispersão do animal pela região.
A primeira operação de captura ocorreu em novembro de 2025. Na ocasião, os profissionais encontraram dez exemplares, sendo três juvenis e sete adultos.
Posteriormente, em março de 2026, uma nova etapa do monitoramento localizou apenas mais uma rã-touro. Assim, o total registrado nas duas ações chegou a 11 indivíduos.
De acordo com o presidente da Floram, Fábio Henrique Machado, o trabalho segue uma estratégia de detecção precoce e resposta rápida.
A identificação da espécie no início da invasão permite compreender a situação, localizar os pontos de ocorrência e definir medidas com apoio das instituições e da comunidade.
Por que a rã-touro ameaça a fauna nativa
A capacidade reprodutiva representa um dos principais riscos associados à espécie. Uma única fêmea pode colocar até 20 mil ovos em águas rasas.
Durante o período de reprodução, os machos também demonstram comportamento territorial agressivo. Assim, defendem os locais de postura e dificultam a permanência de outros animais.
Onde se estabelece, a rã-touro pode se tornar dominante. Consequentemente, ocupa habitats, disputa recursos e contribui para o declínio de anfíbios nativos.
Os animais capturados em Ratones estão sendo encaminhados ao Laboratório de Herpetologia da UFSC. No local, os exemplares passam por análises para detectar ranavírus e quitridiomicose.
A quitridiomicose é provocada pelo fungo Batrachochytrium dendrobatidis, conhecido como Bd. A doença já atingiu e dizimou centenas de espécies de anfíbios em diferentes partes do mundo.
Como moradores podem ajudar no controle da espécie
A participação da comunidade será importante para localizar outros possíveis focos da rã-touro em Florianópolis.
Segundo a educadora ambiental da Floram Maria Aparecida Cabral de Sá, atividades de conscientização serão promovidas para ajudar moradores a reconhecer o animal e seu coaxar.
As informações fornecidas pela população poderão ampliar o mapeamento e permitir que as equipes ambientais atuem com maior precisão.
Em caso de avistamento ou identificação do som, a orientação é não capturar nem manejar o animal por conta própria.
A ocorrência deve ser comunicada à Floram e ao Departamento de Unidades de Conservação pelo e-mail fdepuc.floram@gmail.com ou pelo WhatsApp (48) 3237-5660.
Assim, a colaboração dos moradores poderá ajudar a impedir que a rã-touro se espalhe e comprometa o equilíbrio ambiental em Florianópolis.


Seja o primeiro a reagir!