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Fusca de 1953 que quase ninguém sabe que existe pode ser arrematado por R$ 570 mil em leilão no Brasil e o motivo pelo qual ele vale tanto dinheiro surpreende até colecionadores experientes

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 21/04/2026 às 20:50
Atualizado em 21/04/2026 às 20:53
O Fusca Zwitter de 1953 vai a leilão do Museu CARDE com estimativa de R$ 570 mil. Produzido em poucas unidades, o modelo surpreende até colecionadores experientes.
O Fusca Zwitter de 1953 vai a leilão do Museu CARDE com estimativa de R$ 570 mil. Produzido em poucas unidades, o modelo surpreende até colecionadores experientes.
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O Fusca Zwitter de 1953, modelo de transição fabricado em poucas unidades, vai a leilão do Museu CARDE em Campos do Jordão com estimativa de R$ 570 mil e lances que já alcançaram R$ 230 mil, numa disputa entre colecionadores por 45 veículos raros incluindo Jaguar, Rolls-Royce e Corvette.

O Fusca é um dos automóveis mais vendidos da história, mas existe uma versão dele tão rara que a maioria dos entusiastas desconhece. O modelo que vai a leilão no dia 2 de maio é um Volkswagen Sedan 1200 de 1953, apelidado de Zwitter, palavra que em tradução livre significa “híbrido”, não por ter motor elétrico, mas por reunir características de duas fases distintas da linha de produção. O exemplar foi fabricado num intervalo curtíssimo na virada entre 1952 e 1953, período em que a Volkswagen transitava do desenho com vidro traseiro dividido em duas partes para a icônica janela oval, e esse Fusca específico carrega elementos de ambas as versões num único chassi.

A expectativa do mercado é que o Fusca Zwitter seja arrematado por cerca de R$ 570 mil, valor que pode parecer absurdo para quem associa o modelo ao carro popular que rodou por décadas nas ruas brasileiras. Mas a raridade é justamente o que multiplica o preço: foram produzidas poucas unidades nessa configuração de transição, e encontrar um exemplar preservado após mais de 70 anos é tarefa que desafia até colecionadores com décadas de experiência no segmento. Os lances já haviam atingido R$ 230 mil até a última atualização disponível, e a tendência é que o valor suba à medida que a data do pregão se aproxima.

Por que esse Fusca de 1953 é tão diferente de todos os outros

O Fusca Zwitter de 1953 vai a leilão do Museu CARDE com estimativa de R$ 570 mil. Produzido em poucas unidades, o modelo surpreende até colecionadores experientes.

A história do Volkswagen Sedan atravessou décadas e gerações, mas poucos sabem que a transição entre modelos criou variantes que não se encaixam em nenhuma das categorias tradicionais. O Fusca com janela traseira dividida, conhecido como “split window”, foi produzido até meados de 1952. Em seguida, veio o modelo com janela oval, que se tornou um dos mais reconhecíveis do automobilismo mundial. Entre essas duas fases, a fábrica produziu um lote reduzido de veículos que combinavam elementos de ambos os desenhos, e são esses exemplares intermediários que receberam o apelido de Zwitter.

O termo “híbrido” aplicado a esse Fusca nada tem a ver com motorização. Trata-se exclusivamente da fusão de componentes visuais e estruturais de duas gerações consecutivas, peculiaridade que faz do Zwitter uma peça de transição industrial. Para colecionadores, possuir um exemplar desses equivale a ter nas mãos um registro físico do momento exato em que um dos carros mais importantes da história mudou de forma, e essa narrativa é o que transforma um veículo de mais de sete décadas em objeto avaliado em mais de meio milhão de reais.

O leilão que coloca o Fusca Zwitter à venda junto com 45 raridades

O Fusca Zwitter de 1953 vai a leilão do Museu CARDE com estimativa de R$ 570 mil. Produzido em poucas unidades, o modelo surpreende até colecionadores experientes.

O pregão é organizado pelo Museu de Arte & Design (CARDE), localizado em Campos do Jordão (SP), e acontece no dia 2 de maio em formato presencial e online. Além do Fusca, o catálogo lista 45 veículos de alto valor, entre eles o cupê esportivo Lotus Esprit, um Imperial da Chrysler fabricado em 1954, o Silver Cloud II da Rolls-Royce e exemplares de Jaguar, Viper, Mercedes e Corvette. O curador do museu, Luiz Goshima, explicou que o objetivo é estabelecer parâmetros de preço mais realistas para o mercado de veículos antigos no Brasil, onde muitos anúncios praticam valores que ele classifica como exorbitantes.

Interessados podem se cadastrar no site do escritório de arte responsável pelo evento, fazer lances antecipados e até garantir a compra imediata pela modalidade chamada Buy It Now, na qual se paga o preço fixo indicado no anúncio e o veículo é retirado da disputa. Essa opção, porém, tinha prazo limitado, o que significa que a partir de determinada data o Fusca e os demais carros só podem ser adquiridos por quem oferecer o maior lance durante o pregão. O formato beneficente do leilão acrescenta uma camada de valor à transação: quem arremata um veículo não está apenas comprando um carro, está contribuindo com o museu.

O que faz um Fusca valer R$ 570 mil enquanto outros custam R$ 30 mil

A diferença entre um Fusca comum e o Zwitter de 1953 está inteiramente na escassez e no contexto histórico. Milhões de unidades do Volkswagen Sedan foram fabricadas ao longo de décadas, o que torna o modelo abundante e acessível para quem quer um carro antigo sem gastar muito. Exemplares convencionais em bom estado podem ser encontrados por valores entre R$ 20 mil e R$ 60 mil, a depender do ano e da conservação. O Zwitter, porém, pertence a uma subcategoria que a própria Volkswagen produziu quase por acidente, durante semanas de transição fabril.

A preservação ao longo de mais de 70 anos é outro fator que multiplica o valor. Um Fusca dessa época que chegou até 2026 em condições de ser exposto e leiloado passou por mãos de proprietários que entenderam sua raridade e investiram na conservação, e cada troca de dono bem-sucedida acrescenta à história do veículo um capítulo que o mercado precifica. Para o colecionador que arrematar o Zwitter por R$ 570 mil, o objeto adquirido não é um meio de transporte: é um artefato industrial com narrativa própria, e nesse segmento a narrativa vale mais do que a mecânica.

O que o leilão do Fusca Zwitter revela sobre o mercado de carros antigos no Brasil

O curador Luiz Goshima foi direto ao explicar a motivação do museu: criar dados reais de venda que sirvam como referência de preço para o setor. No mercado brasileiro de veículos clássicos, muitos proprietários anunciam seus carros por valores inflacionados com base em expectativa pessoal e não em transações efetivas, o que distorce a percepção de quanto um modelo realmente vale. Um leilão com lances públicos e arremate registrado produz um número concreto que futuros vendedores, compradores e colecionadores podem usar como baliza.

O Fusca Zwitter é o exemplo mais extremo desse fenômeno. Se for arrematado próximo dos R$ 570 mil estimados, o valor ficará documentado como referência de mercado para exemplares similares, e qualquer proprietário de um Zwitter no Brasil ou no exterior poderá apontar esse dado como piso de negociação. O leilão do Museu CARDE, ao reunir 45 veículos de diferentes épocas e fabricantes num único evento, funciona como termômetro do apetite dos colecionadores brasileiros por raridades automotivas num momento em que o mercado global de clássicos opera em patamares recordes.

E você, pagaria R$ 570 mil por um Fusca? Acha que carros antigos valem o investimento ou é coisa de colecionador milionário? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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