Início Demanda maior e exportação de açúcar faz preço do etanol ultrapassar R$ 5 nas bombas; o que era a salvação para os reajustes da Petrobras na gasolina, vira vilão no bolso dos brasileiros

Demanda maior e exportação de açúcar faz preço do etanol ultrapassar R$ 5 nas bombas; o que era a salvação para os reajustes da Petrobras na gasolina, vira vilão no bolso dos brasileiros

2 de novembro de 2021 às 10:44
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Safra da cana se encerra em novembro, e o preço do etanol deve subir ainda mais no primeiro trimestre de 2022, deixando os consumidores de ‘mãos e pés atados’

O etanol que muita vezes safou os consumidores como substituto da gasolina em tempos de alta, hoje também se torna um grande vilão para o bolso dos brasileiros, perdendo cada vez mais a concorrência para o combustivel fóssil. Atualmente não é mais vantajoso abastecer com o biocombustível, mesmo com os altos preços e reajustes constantes na gasolina praticados pela Petrobras.

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Apesar do etanol brasileiro ter sua matéria-prima em abundânicia no país, e os valores do dólar e do barril de petróleo nas alturas não influenciarem no preço do biocombustível, como ocorre no valor da gasolina, o biocombustivel também passou por altas de preços, deixando os consumidores “de mãos e pés atados”.

Alta do etanol influencia no preço da gasolina

O aumento do álcool contribui para um crescimento ainda maior no preço da gasolina, que tem 27% de etanol em sua composição. De acordo com Vaníria Ferrari, professora de economia da Una, vários cenários levaram ao aumento do preço do etanol, como os problemas climáticos que afetaram a safra da cana e a preferência dos usineiros pela exportação do açúcar – movidos pelo alto valor do dólar e pela grande demanda pelo produto no mercado externo. As usinas podem produzir com a cana, tanto álcool quanto açúcar. Com o preço bom para exportar, acabam focando a produção do açúcar, o que afeta a oferta de álcool.

Mas a lei da oferta e da procura tende a ser, neste momento, o fator mais forte para a elevação do preço do combustível. “No caso do etanol, estamos passando por uma inflação de demanda. Isso acontece porque o etanol é o substituto da gasolina. Na economia, existe uma tendência de, quando um produto tem seu valor elevado, as pessoas migram para o substituto. Então, houve uma migração para o etanol, e as empresas aumentaram o preço. Este é um movimento normal na economia”, explica a professora. Como não há uma regulação específica para esse mercado, Vaníria acredita que uma solução para derrubar o preço do etanol seria incentivar uma maior produção do etanol no país. “Se tiver mais oferta, um produtor vai ter que ser mais competitivo em relação ao outro, e o único caminho para isso vai ser vender mais barato”, afirma a especialista, acrescentando que uma reforma tributária poderia impactar positivamente os valores dos combustíveis.

Nada é tão ruim que não possa piorar, a safra da cana se encerra em novembro, e por isso o preço do etanol deve subir no primeiro trimestre de 2022.

Infelizmente a perspectiva não é boa para os próximos meses em relação aos valores dos combustíveis. Isso se deve pelo fato da safra da cana se encerra em novembro, e por isso o preço do etanol deve subir no primeiro trimestre de 2022.

E não há perspectiva para uma queda acentuada no dólar, que interfere totalmente no preço da gasolina. “O Banco Central espera que o dólar fique em R$ 5,20 na virada do ano, e a expectativa para 2022 não é boa. É um ano eleitoral, e naturalmente há uma incerteza dos investidores sobre os rumos da política e dos planos econômicos para o país. Não podemos esperar pela chegada de investimentos estrangeiros”, avalia Vaníria Ferrari.

Distribuidoras alertam risco de desabastecimento de gasolina e óleo diesel devido aos cortes de produção da Petrobras

As distribuidoras estão preocupadas, com uma possível falta de combustível a partir de novembro. As varejistas dizem, que a gigante do petróleo brasileiro Petrobras cortou parte da oferta de gasolina e diesel no próximo mês, aumentando o risco de escassez do insumo. Segundo a associação das distribuidoras Brasilcom, a Petrobras — que tem o monopólio do refino — tomou a decisão unilateralmente.

“A Petrobras tem autossuficiência em petróleo, mas não consegue refinar o suficiente para o consumo interno do país, portanto, as distribuidoras, hoje, tentam comprar da Petrobras, porque está mais barato do que importar e, como ela não tem produto para oferecer, está reduzindo as cotas de vendas futuras para não ficar sem produto às distribuidoras. Com isso, as distribuidoras terão de importar mais caro para não faltar produto e, repassar o custo a revenda, tirando, então, a responsabilidade da Petrobras e do governo deste possível aumento para sanar a defasagem da Petrobras”, disse Brasilcom.

Corte de cotas de combustível realizado pela Petrobras ameaça o país de desabastecimento.

“As reduções promovidas pela Petrobras, que em alguns casos atingem mais de 50% do volume solicitado para compra, colocam o país em uma situação potencial de desabastecimento”, alertou a Brasilcom em nota.

A entidade mencionou ainda “a impossibilidade de compensar essas reduções de oferta por meio de contratos de importação, considerando a diferença atual com os preços do mercado internacional, que estão em níveis muito superiores aos do Brasil”.

A associação diz também que já comunicou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a respeito do potencial problema. A BNamericas concordou com cartas de duas distribuidoras endereçadas à Agência, denunciando que os cortes da Petrobras causaram “sérios efeitos”.

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