Os 44 moradores ergueram à mão as 23 casas da vila, com paredes de pneus cheios de terra que guardam o calor do sol. O conceito Earthship é do americano Michael Reynolds, dos anos 1970. Mas, no frio holandês, elas não são totalmente autossuficientes, e uma bomba de calor ajuda no inverno.
Eles construíram com as próprias mãos uma vila inteira de casas feitas de terra e pneus velhos, e, na ecovila Aardehuis, na Holanda, 44 moradores vivem em Earthships que geram quase toda a energia, se aquecem com o sol e tratam o esgoto na própria horta. Segundo o relato divulgado em junho pela DW, as construções lembram um assentamento de hobbits e foram pensadas para reduzir ao máximo o impacto ambiental.
De acordo com o material, Aardehuis fica a cerca de uma hora de Amsterdã e reúne 23 Earthships diferentes e uma casa comunitária convencional. Segundo os moradores, as casas usam materiais reciclados e locais, como madeira, adobe e peças de segunda mão, e a eletricidade e o aquecimento são quase inteiramente autogerados. A própria vila foi planejada e levantada pelo grupo, com a ajuda de voluntários e profissionais.
Como a vila usa pneus velhos e o sol para se aquecer

O método de construção foge do convencional. A maioria das Earthships tem paredes internas dos fundos feitas de pneus de carro velhos preenchidos com terra.
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Na estação fria o calor solar que chega aos fundos da casa e os pneus cheios de terra funcionam como uma espécie de esponja que absorve calor, e, à noite, ao fechar as cortinas, essa esponja libera o calor acumulado, ajudando a aquecer a vila.

Os materiais seguem a mesma lógica de reaproveitamento. De acordo com os moradores, as casas combinam itens reciclados, de base biológica e de origem local, como madeira e adobe, e peças que sobraram de fábricas ou vieram de antigas residências.

Segundo o relato, eles só compravam material novo quando não havia outra opção, e parte do trabalho é simples de aprender e fazer com as próprias mãos.

O conceito Earthship e o limite da autossuficiência
A ideia nasceu nos Estados Unidos, há mais de quarenta anos. O conceito de Earthship foi desenvolvido na década de 1970 pelo arquiteto americano Michael Reynolds, que usava resíduos no processo de construção. De acordo com o relato, existem hoje cerca de 3.000 Earthships, com mais da metade nos Estados Unidos, e o conceito prevê que cada casa gere 100% da própria eletricidade e do próprio calor.

Na prática, porém, o clima impõe limites. No clima mais frio da Holanda não é possível atingir essa autossuficiência total o ano inteiro, e, nos dias frios de inverno, uma bomba de calor entra como complemento, ao lado de painéis de aquecimento e de um reservatório com capacidade para 800 litros. De acordo com os moradores, 17 painéis solares no telhado suprem praticamente todo o consumo de energia, o que mantém a vila quase autossuficiente, ainda que não totalmente.
Esgoto tratado na horta e a vida em comunidade

O tratamento do esgoto também é feito ali mesmo. Os moradores cuidam do próprio esgoto, e apenas o centro comunitário está ligado à rede pública. De acordo com a comunidade, todas as águas residuais são bombeadas para um campo duas vezes ao dia, onde o oxigênio das raízes das plantas alimenta as bactérias que decompõem os resíduos orgânicos, e a água já limpa segue depois para um lago.
A rotina da vila tenta romper com o padrão das cidades. De acordo com os moradores, não há caminhos pavimentados e tudo é verde, com os carros de fora estacionados em um espaço compartilhado para liberar área. Segundo o relato, a comunidade costuma voar menos, comer menos carne do que a média e compartilhar veículos, e parte dos moradores usa carros elétricos, embora não todos.
Uma vila construída à mão e a conexão entre vizinhos

O grupo ergueu cada casa em mutirão. Os moradores não apenas planejaram, mas construíram a vila inteira com as próprias mãos, com apoio de voluntários e profissionais. De acordo com a comunidade, foi um grande desafio, porque a maioria tinha empregos de escritório e ninguém havia construído uma casa antes, então o grupo se concentrava em uma residência por vez e passava à seguinte quando terminava, de modo que todos trabalharam na casa de todos.
O resultado foi além das paredes. De acordo com os moradores, com a obra concluída, eles plantaram um jardim florestal com frutas, nozes, frutos silvestres e ervas, e formaram uma comunidade de fato. Segundo o relato, o benefício inesperado foi uma conexão genuína entre vizinhos, ainda que eles reconheçam que são privilegiados e que nem todos podem viver assim, mas dizem querer servir de exemplo de vida sustentável.
Na ecovila Aardehuis, perto de Amsterdã, 44 moradores construíram à mão uma vila inteira de 23 Earthships feitas de terra e pneus velhos, com paredes que guardam o calor do sol, 17 painéis solares e um reservatório de 800 litros suprindo quase toda a energia, esgoto tratado de forma natural e um jardim florestal.
O conceito, criado pelo americano Michael Reynolds nos anos 1970, mira a autossuficiência total, mas, no clima holandês, uma bomba de calor complementa o aquecimento no inverno, de modo que as casas são quase, e não inteiramente, autossuficientes. Os próprios moradores admitem ser privilegiados e que nem todos poderiam viver assim, embora queiram dar o exemplo.
E você, moraria em uma vila como a Aardehuis, em uma casa de terra e pneus que tenta se sustentar quase sozinha, ou acha esse modelo distante da realidade da maioria? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre moradia sustentável, com respeito às diferentes visões.

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