Obras do VLT no Centro do Rio revelaram 15 ossadas, alicerces e objetos da antiga Igreja de São Joaquim, construída em 1758 e demolida em 1904.
Em 2018, uma obra de mobilidade urbana no Centro do Rio de Janeiro acabou trazendo à tona uma parte esquecida da história da cidade. Segundo a CCPAR, durante a implantação da Linha 3 do VLT na Avenida Marechal Floriano, equipes encontraram alicerces, fragmentos, objetos e 15 ossadas no local onde funcionou a antiga Igreja de São Joaquim.
O achado transformou a expansão do transporte sobre trilhos em uma escavação arqueológica no coração da capital. Segundo a CCPAR, o trabalho arqueológico feito nas obras da Prefeitura do Rio, sob supervisão do Iphan, evidenciou não apenas o local da antiga igreja, mas também um cemitério ligado à elite católica. Já o Rio Memórias lembra que a Igreja de São Joaquim foi construída em 1758 e demolida em 1904, durante a reforma urbana conduzida por Pereira Passos.
Linha 3 do VLT encontrou uma igreja soterrada sob a Avenida Marechal Floriano
Segundo a CCPAR, as escavações da Linha 3 do VLT revelaram estruturas ligadas diretamente ao antigo templo, incluindo alicerces, fragmentos construtivos e objetos associados ao espaço religioso. A descoberta chamou atenção porque não se tratava apenas de peças isoladas, mas de evidências materiais capazes de delimitar a área ocupada pela igreja desaparecida.
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O Rio Memórias informa que os vestígios foram encontrados em uma área próxima ao entroncamento da Avenida Passos com a Avenida Marechal Floriano, ponto onde a antiga Rua Estreita de São Joaquim foi transformada pela reforma urbana do início do século XX. Isso dá dimensão do quanto a paisagem atual do Centro foi construída sobre camadas apagadas da cidade colonial e imperial.
Mais do que interromper uma obra, o achado recolocou em circulação uma parte da memória urbana carioca que havia sido soterrada por mais de um século. O que parecia apenas mais um trecho de trilho em implantação acabou revelando um dos espaços religiosos desaparecidos mais importantes daquela região histórica.
As 15 ossadas estavam ligadas ao antigo cemitério da Igreja de São Joaquim
O dado mais impactante da descoberta foi a presença de 15 ossadas. Segundo a CCPAR, era prática comum naquele período que igrejas mantivessem áreas de sepultamento anexas, e o local identificado nas obras estava associado justamente ao cemitério da elite católica ligado à Igreja de São Joaquim.

O Rio Memórias reforça que, além das estruturas da igreja, os arqueólogos encontraram cerâmicas e restos humanos, evidência de que o espaço religioso também cumpria função funerária.
Isso ajuda a explicar por que o subsolo da região guarda não apenas vestígios arquitetônicos, mas também marcas diretas de práticas sociais e religiosas do Rio de Janeiro setecentista e oitocentista.
Esse tipo de descoberta tem grande peso histórico porque revela como a ocupação da cidade misturava fé, poder, prestígio social e enterramentos em áreas hoje completamente integradas ao tráfego e à infraestrutura urbana contemporânea.
Igreja de São Joaquim foi erguida em 1758 e demolida em 1904 no bota-abaixo carioca
Segundo a CCPAR, a Igreja de São Joaquim foi erguida em 1758, ao lado de um seminário, em uma área que mais tarde abrigaria o Colégio Pedro II. Em 1817, já com a presença da família real portuguesa no Rio, o templo passou a ser considerado a capela oficial dos batalhões.
O fim da igreja veio em 1904, quando o prefeito Francisco Pereira Passos incluiu sua demolição no processo de alargamento da antiga rua da região. O Rio Memórias relaciona diretamente a destruição do templo ao chamado bota-abaixo, a grande reforma urbana realizada entre 1903 e 1906, inspirada nas remodelações de Paris.

A história da igreja mostra que as reformas que modernizaram o Rio também apagaram edifícios religiosos, estruturas coloniais e espaços de memória que permaneceram invisíveis por mais de um século, até voltarem à superfície por causa de uma obra de transporte.
Alicerces, objetos e cerâmicas ajudaram a reconstruir o espaço desaparecido
Segundo a CCPAR, além das ossadas, as equipes encontraram fragmentos, recipientes, cerâmicas e alicerces que ajudaram a definir a área ocupada pela antiga igreja. A companhia também informou que os arqueólogos usaram técnicas de espelhamento das fundações para estimar as dimensões aproximadas da construção.

Esses materiais são importantes porque permitem uma leitura mais completa do sítio arqueológico. Não se trata apenas de confirmar que a igreja esteve ali, mas de reconstruir como aquele espaço funcionava, quais objetos circulavam nele e como a ocupação urbana foi sendo transformada ao longo do tempo.
Quando uma obra contemporânea revela alicerces, paredes enterradas, cerâmicas e áreas funerárias, ela deixa de ser apenas intervenção de infraestrutura e passa a funcionar também como escavação da própria formação histórica da cidade.
Obra do VLT mostrou como o Rio moderno foi construído sobre camadas apagadas
A redescoberta da Igreja de São Joaquim resume uma tensão antiga das grandes cidades brasileiras. Para abrir avenidas, reorganizar fluxos e modernizar centros urbanos, muitos espaços históricos foram demolidos, cobertos e esquecidos.
No caso do Rio, a reforma de Pereira Passos eliminou fisicamente a igreja em 1904. Mais de um século depois, a obra do VLT expôs parte dessa história soterrada.
O Rio Memórias destaca que os rastros deixados pela igreja lembram que as reformas urbanas não apagaram apenas casas e cortiços, mas também edifícios de relevância singular para a memória da cidade.
A redescoberta no subsolo da Avenida Marechal Floriano reforça como o Rio moderno foi sendo construído sobre sucessivas camadas de destruição, reorganização e esquecimento.
No fim, a implantação do VLT fez mais do que ampliar a mobilidade. Ela mostrou que sob o asfalto do Centro do Rio ainda existem igrejas, cemitérios, estruturas coloniais e capítulos inteiros da cidade esperando para reaparecer.


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