Tecnologia criada por jovens empreendedores elimina a argamassa tradicional e permite instalar pisos cerâmicos por encaixe, de forma mais rápida e limpa.
Durante décadas, a instalação de pisos cerâmicos seguiu praticamente o mesmo roteiro. Mistura de argamassa, aplicação manual, tempo de cura, sujeira, entulho e dias de obra fizeram parte da rotina de construtores e proprietários em reformas e novas construções. Agora, uma tecnologia criada por jovens empreendedores espanhóis propõe mudar um processo que pouco evoluiu ao longo dos anos. A startup espanhola Ondablock desenvolveu um sistema de instalação cerâmica totalmente a seco que substitui a argamassa tradicional por uma base técnica fabricada com polímero termoplástico reciclado.
O resultado é um método de encaixe que funciona de forma semelhante a um quebra-cabeça modular, permitindo instalar pisos de maneira mais rápida, limpa e eficiente. Segundo a empresa, o sistema reduz significativamente o tempo de execução das obras e pode ser aplicado diretamente sobre pisos existentes em muitos casos.
Como funciona o sistema que dispensa argamassa e água na instalação de pisos
O conceito desenvolvido pela Ondablock combina dois elementos em uma única peça. A parte superior continua sendo uma cerâmica porcelânica convencional, enquanto a parte inferior recebe uma base técnica produzida com polímero termoplástico reciclado. Essa estrutura é integrada de fábrica e chega pronta para instalação.
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Segundo a empresa, a base polimérica possui uma geometria ondulada exclusiva que permite o encaixe lateral das peças. Em vez de depender da aderência química da argamassa, o sistema utiliza um mecanismo mecânico de conexão entre os módulos, criando uma superfície contínua e estável.
O processo elimina etapas tradicionais da obra, como preparação de argamassa, aplicação do adesivo e espera pela secagem. Conforme explica a Ondablock, as peças podem ser assentadas diretamente sobre superfícies niveladas e estáveis, incluindo concreto, cerâmica existente e alguns outros revestimentos já instalados.
Instalação pode ser até oito vezes mais rápida que métodos tradicionais
Um dos principais argumentos da tecnologia é a velocidade de execução. De acordo com publicação técnica da OVACEN, especializada em arquitetura e construção, o sistema pode tornar a instalação de pisos cerâmicos até oito vezes mais rápida em comparação aos métodos convencionais baseados em argamassa.

A própria Ondablock afirma que o sistema permite atingir ritmos de instalação entre 20 e 25 metros quadrados por hora, um volume significativamente superior ao observado em muitos processos tradicionais de assentamento cerâmico.
Além da velocidade, a ausência de misturas úmidas reduz a geração de resíduos no canteiro e elimina boa parte da sujeira normalmente associada às reformas. Isso também reduz interrupções em ambientes residenciais, comerciais e corporativos que permanecem em funcionamento durante as obras.
A tecnologia também aposta em sustentabilidade e reaproveitamento
Outro diferencial do sistema está na utilização de matéria-prima reciclada. Segundo a Ondablock, a base técnica utilizada sob as placas cerâmicas é produzida com polímero termoplástico reciclado, reaproveitando materiais plásticos que já tiveram uso anterior.
A publicação da Ovacen destaca que sistemas de instalação a seco reduzem o consumo de água, areia, cimento e outros insumos normalmente utilizados em obras convencionais. Como não há necessidade de argamassas ou adesivos cimentícios, o impacto ambiental associado ao processo tende a ser menor.
Outro benefício apontado pelos defensores desse modelo é a possibilidade de desmontagem futura. Como as peças não ficam permanentemente aderidas ao contrapiso por argamassa, a remoção pode ocorrer com menos danos, permitindo reaproveitamento dos materiais em determinadas situações.
Jovens empreendedores apostam em um mercado que movimenta bilhões
Segundo informações divulgadas pela empresa, a tecnologia foi idealizada pelos empreendedores Guillem Vicent e Jordi Peñarrocha, que identificaram a oportunidade de modernizar um dos processos mais tradicionais da construção civil. A proposta é levar para os revestimentos cerâmicos conceitos de modularidade, rapidez e industrialização que já vêm transformando outros segmentos da engenharia.
A startup afirma que o sistema já iniciou sua expansão internacional e passou a atrair interesse de arquitetos, construtoras e distribuidores. Para ampliar a capacidade de produção e distribuição, a empresa firmou acordos comerciais voltados ao crescimento em outros mercados europeus.

Embora a tecnologia ainda dispute espaço com métodos tradicionais amplamente consolidados, ela representa uma tendência cada vez mais presente na construção civil moderna: reduzir etapas de obra, diminuir desperdícios e transformar processos manuais em sistemas industrializados de montagem rápida.
O objetivo não é substituir a cerâmica, mas reinventar a forma como ela chega ao chão de casas, apartamentos, escritórios e empreendimentos comerciais.


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