Astrônomos descobrem vento ultravioleta recorde em quasar distante, impulsionado por um buraco negro supermassivo.
Uma descoberta feita por astrônomos pode ajudar a esclarecer como buracos negros influenciam a evolução das galáxias. A equipe identificou um quasar chamado J2318, localizado a cerca de 3 bilhões de anos-luz da Terra, que produz ventos capazes de atingir aproximadamente 30% da velocidade da luz, o equivalente a cerca de 323 milhões de quilômetros por hora. O fenômeno foi descrito em um estudo publicado na quinta-feira (4) na revista científica The Astrophysical Journal.
Segundo os pesquisadores, trata-se do vento mais veloz já registrado em observações realizadas na faixa ultravioleta do espectro luminoso. A descoberta chamou a atenção dos astrônomos porque a velocidade observada é incomum mesmo entre os objetos mais energéticos do Universo.
Astrônomos registram fenômeno raro em quasar distante
De acordo com o Olhar Digital, o objeto analisado abriga um buraco negro supermassivo com massa estimada em 1,7 bilhão de vezes a massa do Sol. Apesar do tamanho colossal, os astrônomos explicam que essa massa está dentro do esperado para esse tipo de estrutura cósmica.
-
Rumores do setor apontam que a Apple pode equipar o iPhone 21 com uma câmera ultrawide de 200 megapixels por volta de 2028, um salto que aproximaria a marca dos rivais Android embora as próprias fontes admitam que a mudança ainda é incerta
-
Capacitor usa água pura para armazenar eletricidade e surpreende ao superar 60 mil ciclos de carga sem eletrólitos químicos
-
A África do Sul está investindo bilhões de dólares para transformar o deserto em um polo de hidrogênio verde, com usinas solares, parques eólicos e um novo porto, na ambição de virar uma das maiores exportadoras desse combustível
-
Enquanto os bombeiros ainda vestem o traje de proteção, um cão robô austríaco já pode estar dentro da zona de perigo farejando substâncias tóxicas e transmitindo imagens ao vivo, poupando minutos preciosos e mantendo a equipe longe do risco
O que realmente surpreendeu os cientistas foi a intensidade dos ventos emitidos pelo sistema. Patrick Hall, integrante da equipe de pesquisa da Universidade de York, no Canadá, destacou que a velocidade registrada está muito acima do que normalmente é observado em fenômenos semelhantes.
Lucas Seaton, líder do estudo, utilizou uma comparação para ilustrar a força do fenômeno. Segundo ele, se fosse possível enquadrar esse vento em uma escala semelhante à utilizada para furacões, ele corresponderia a uma categoria 79.
Para chegar ao resultado, os astrônomos analisaram informações coletadas por dois programas científicos ligados ao Sloan Digital Sky Survey (SDSS): o SDSS-IV Time-Domain Spectroscopic Survey e o SDSS-V Black Hole Mapper.
Esses projetos observam a luz emitida por estrelas, galáxias e quasares. A partir dessa análise, os pesquisadores conseguem identificar características invisíveis em observações convencionais.
De acordo com Seaton, o método funciona de forma semelhante à formação de um arco-íris. Assim como a luz solar pode ser separada em diferentes cores, os equipamentos dividem a luz dos objetos espaciais em diversos comprimentos de onda.
Foi justamente essa técnica que permitiu aos astrônomos detectar sinais claros dos ventos ultravelozes presentes em J2318.

O que gera os chamados “ventos” de buracos negros?
Os quasares surgem quando grandes quantidades de gás e poeira ficam concentradas ao redor de um buraco negro supermassivo. Com o passar do tempo, esse material forma uma estrutura que alimenta continuamente o objeto central. Durante esse processo, ocorre intenso atrito, liberando enormes quantidades de energia.
Os astrônomos explicam que essa radiação extremamente poderosa consegue empurrar parte do material para longe do sistema, criando os chamados ventos de buraco negro.
Segundo Lucas Seaton: “Nos quasares, muitas vezes vemos ventos de gás empurrados para longe do buraco negro pela luz do quasar.” No caso de J2318, esse mecanismo atingiu uma intensidade excepcional, tornando-se um caso raro para a comunidade científica.
Por que esses “ventos” são diferentes dos ventos da Terra?
Embora recebam o mesmo nome, os ventos observados pelos astrônomos no espaço não possuem relação com os fenômenos meteorológicos terrestres. Na Terra, os ventos surgem devido às diferenças de pressão atmosférica. Já nos quasares, a aceleração do material acontece por causa da ação da radiação emitida pelo sistema.
Os pesquisadores explicam que partículas de luz chamadas fótons colidem com os átomos presentes no gás e transferem energia para eles. Entre os fatores envolvidos nesse processo estão:
- Emissão intensa de radiação;
- Presença de grandes quantidades de gás;
- Transferência de energia pelos fótons;
- Expulsão de matéria para longe do buraco negro;
- Formação de fluxos extremamente rápidos.
Ainda assim, os astrônomos admitem que alguns aspectos permanecem sem explicação definitiva. Um dos desafios é entender como o gás consegue alcançar velocidades tão elevadas sem perder determinadas características químicas observadas nos espectros.

Astrônomos buscam entender o impacto nas galáxias
Além de representar um recorde, a descoberta fornece pistas importantes sobre a evolução do Universo. Os astrônomos acreditam que ventos tão energéticos podem alterar profundamente o ambiente das galáxias onde surgem. Isso acontece porque eles carregam enormes quantidades de energia para regiões distantes do núcleo galáctico.
Em determinados casos, esses fluxos podem remover gás e poeira do sistema. Como esses materiais são essenciais para o nascimento de novas estrelas, a perda deles pode reduzir a formação estelar. A professora Paola Rodríguez Hidalgo, da Universidade de Washington em Bothell, destacou a importância desse mecanismo.
Segundo ela: “Esses fluxos extremos carregam quantidades incríveis de energia que podem afetar as galáxias ao redor.” A pesquisadora também ressaltou que esse processo aparece em modelos de formação galáctica há décadas, mas ainda necessita de mais observações para ser compreendido em detalhes.
Próximos passos da pesquisa
A equipe responsável pelo estudo pretende continuar investigando objetos semelhantes em busca de novos exemplos de ventos ultravioleta de alta velocidade.
Embora os astrônomos mantenham a expectativa de encontrar outros casos extremos, os próprios pesquisadores reconhecem que superar os números observados em J2318 será uma tarefa difícil. Segundo Flores, integrante do grupo, as buscas continuarão tanto em regiões próximas quanto nas áreas mais distantes observáveis do Universo.
Enquanto novas descobertas não surgem, J2318 permanece como um dos exemplos mais impressionantes já registrados pelos astrônomos. Além de estabelecer um recorde na velocidade dos ventos ultravioleta, o quasar oferece informações valiosas sobre a interação entre buracos negros supermassivos e as galáxias que os cercam, ajudando os cientistas a compreender melhor a dinâmica do cosmos.
Com informações do Olhar Digital

Seja o primeiro a reagir!