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Mais de 40 plataformas da Petrobras entram na fila do descomissionamento e abrem no Brasil uma indústria bilionária de guindastes, navios especiais, corte submarino e reciclagem offshore

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 10/06/2026 às 14:27
Assista o vídeoPetrobras vai descomissionar 23 plataformas até 2028, tem mais de 40 unidades na fila, cerca de 180 mil toneladas de estruturas offshore para remover e prevê US$ 9,9 bilhões até 2029 no Brasil.
Petrobras vai descomissionar 23 plataformas até 2028
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Petrobras vai descomissionar 23 plataformas até 2028, tem mais de 40 unidades na fila, cerca de 180 mil toneladas de estruturas offshore para remover e prevê US$ 9,9 bilhões até 2029 no Brasil.

O Brasil começou a entrar em uma nova fase da indústria do petróleo no mar. Depois de décadas concentrando investimentos em exploração, produção e instalação de sistemas offshore, a cadeia agora passa a abrir espaço para uma frente igualmente complexa: o descomissionamento de plataformas que já encerraram seu ciclo produtivo. Segundo a Petrobras, a companhia prevê descomissionar 23 plataformas até 2028, sendo 9 fixas e 14 flutuantes, movimento que já vem sendo apresentado ao mercado como uma fonte importante de novas demandas para a indústria nacional.

Essa mudança deixou de ser apenas técnica e passou a ter peso econômico bilionário. Segundo a Reuters, a Petrobras espera investir US$ 9,9 bilhões em descomissionamento até 2029, valor que ajuda a explicar por que o setor offshore começou a olhar para o fim da vida útil das unidades como um novo mercado de grande escala no país.

Descomissionamento offshore deixa de ser etapa final e vira nova indústria no Brasil

Durante muitos anos, a indústria offshore brasileira foi associada quase exclusivamente à construção de plataformas, navios de apoio, sondas e sistemas submarinos.

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Agora, o processo inverso começa a ganhar força. Segundo a Petrobras, o encerramento do ciclo produtivo das unidades envolve atividades de engenharia, preparação, remoção e disposição, além da reciclagem sustentável de materiais.

Isso significa que o descomissionamento não se resume a desligar uma plataforma e rebocá-la para a costa. O processo cria demanda para operações de remoção, gestão de resíduos, corte estrutural, logística marítima, processamento em estaleiros e destinação industrial de grandes volumes de aço e outros materiais.

A Petrobras trata essa frente como uma atividade com potencial de gerar novas encomendas e aquecer a indústria offshore brasileira.

Petrobras concentra o principal volume de contratos dessa nova fase no país

Segundo a Petrobras, o programa até 2028 já inclui o descomissionamento de 23 plataformas, o que por si só cria uma carteira de projetos suficiente para sustentar anos de trabalho em diversas especialidades. A companhia também vem apresentando essas demandas ao mercado fornecedor para que empresas se preparem com antecedência para atender às futuras encomendas.

Esse ponto é importante porque mostra que o descomissionamento não está sendo tratado como uma solução pontual para uma ou outra unidade. Ele já aparece como um componente estruturado do planejamento offshore da empresa, convivendo com novas contratações de embarcações, FPSOs, navios de apoio e serviços submarinos.

Em outras palavras, o setor brasileiro passa a operar ao mesmo tempo com a expansão de ativos novos e a retirada de estruturas antigas.

Retirar uma plataforma do mar exige engenharia complexa, navios especiais e cadeia industrial pesada

Segundo a Petrobras, a atividade de descomissionamento inclui a reciclagem sustentável dos materiais das unidades, o que exige planejamento técnico e logístico muito mais sofisticado do que uma simples retirada física.

Antes da desmontagem, é necessário preparar a unidade, tratar resíduos, organizar a remoção e definir a destinação correta de cada parte da estrutura.

Petrobras vai descomissionar 23 plataformas até 2028
Petrobras vai descomissionar 23 plataformas até 2028

Na prática, isso abre espaço para uma cadeia que envolve navios especializados, içamento pesado, corte estrutural, transporte marítimo, descontaminação industrial e reciclagem.

É justamente essa combinação de etapas que leva especialistas e empresas do setor a tratar o descomissionamento como uma nova indústria dentro do petróleo e gás offshore. A operação exige escala, capital, capacidade industrial e coordenação entre várias empresas.

Estaleiros brasileiros tentam virar polos de reciclagem com o caso da P-32

Segundo a Reuters, a desmontagem da FPSO P-32 foi tratada como a primeira grande oportunidade para transformar estaleiros brasileiros em polos de reciclagem offshore.

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A unidade tem cerca de 45 mil toneladas, e sua chegada ao estaleiro foi vista como um contrato emblemático para um novo modelo de negócio voltado ao reaproveitamento industrial de grandes estruturas marítimas.

A agência informou que a operação foi saudada como uma chance de reinventar estaleiros que há anos enfrentam dificuldades, deslocando parte da atividade antes focada na construção para a desmontagem e reciclagem de navios-plataforma.

Mesmo com atrasos no caso da P-32, a operação continua relevante porque mostra o caminho que o Brasil tenta abrir para absorver localmente parte do valor econômico gerado pelo descomissionamento.

P-32 e P-33 ajudaram a inaugurar um novo modelo de desmontagem e reaproveitamento

Segundo a Reuters, a aquisição das unidades P-32 e P-33 por grupos privados em 2023 introduziu um modelo no qual a desmontagem e a reciclagem da sucata metálica passam a ser parte central da operação. O caso se tornou um marco justamente por inaugurar uma lógica mais industrial para o fim da vida útil dos ativos offshore no Brasil.

Esse movimento também ajuda a mudar a forma como o setor enxerga plataformas antigas. Em vez de tratá-las apenas como passivo operacional, parte da indústria passa a vê-las como estruturas de alto valor em materiais, contratos e serviços associados à desmontagem.

Isso não elimina o custo do processo, mas amplia a visão econômica sobre o que pode ser recuperado e reaproveitado.

Nova indústria offshore pode movimentar o Brasil por muitos anos

Com 23 plataformas previstas até 2028 e US$ 9,9 bilhões até 2029, o descomissionamento já se apresenta como uma das frentes mais relevantes da próxima fase da indústria offshore brasileira. Segundo a Petrobras, essa atividade gera demanda para a indústria nacional.

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Segundo a Reuters, ela também já desperta interesse porque concentra contratos de grande porte em um momento em que o país busca novas fontes de atividade para estaleiros e fornecedores especializados.

O resultado é que o Brasil começa a formar um mercado em que desmontar estruturas antigas pode se tornar quase tão estratégico quanto construir novas.

Pouca gente vê essas operações acontecendo em alto-mar, mas elas já desenham uma nova frente bilionária que combina engenharia pesada, logística extrema, desmontagem industrial e reciclagem offshore.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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