Petrobras e Finep investem R$ 150 milhões em eletrolisadores para hidrogênio verde, impulsionando inovação, energia renovável e indústria nacional.
A corrida global por tecnologias limpas ganhou um novo capítulo no Brasil. A Petrobras e a Finep lançaram, em 16 de junho, um edital de R$ 150 milhões para desenvolver um eletrolisador industrial nacional, equipamento essencial para ampliar a produção de hidrogênio verde e reduzir a dependência de tecnologias importadas.
Segundo publicação feita pela própria Petrobras no dia 16 de junho, a iniciativa busca fortalecer a indústria brasileira, estimular a inovação e posicionar o país em um mercado energético bilionário que deve ganhar cada vez mais relevância com a transição para uma economia de baixo carbono. O projeto também pretende desenvolver localmente o Stack, considerado o principal componente dos eletrolisadores e atualmente não fabricado no Brasil.
Petrobras e Finep unem recursos para acelerar a inovação energética
O edital contará com R$ 150 milhões em recursos não reembolsáveis. Desse montante, R$ 75 milhões serão investidos pela Finep e outros R$ 75 milhões pela Petrobras por meio de sua verba de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D,I).
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O projeto apoiará uma rede de desenvolvimento tecnológico formada por empresas e instituições científicas. A proposta exige a participação de pelo menos três empresas e uma Instituição Científica e Tecnológica (ICT).
Durante o lançamento, estiveram presentes a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, além de representantes do setor de pesquisa e inovação.
Por que os eletrolisadores são estratégicos para o futuro do hidrogênio verde
Os eletrolisadores são equipamentos responsáveis por transformar água em hidrogênio utilizando eletricidade. Quando essa energia vem de fontes limpas, como solar, eólica ou hidrelétrica, o resultado é o chamado hidrogênio verde.
A tecnologia é considerada uma das mais promissoras para reduzir emissões em setores industriais que possuem maior dificuldade para substituir combustíveis fósseis.
Atualmente, poucas empresas brasileiras fabricam eletrolisadores. O maior desafio está justamente no desenvolvimento do Stack, considerado o coração do equipamento, onde ocorre a reação química responsável pela produção do hidrogênio.
O novo edital busca mudar esse cenário ao incentivar o domínio completo dessa tecnologia em território nacional.
Energia renovável ganha reforço com exigência de conteúdo nacional
Um dos diferenciais do projeto é a exigência mínima de 50% de conteúdo nacional nos equipamentos desenvolvidos.
A medida pretende fortalecer a indústria brasileira, estimular fornecedores locais e ampliar a geração de conhecimento tecnológico dentro do país.
Além disso, o edital permite a utilização de tecnologias já existentes como ponto de partida, desde que apresentem avanços tecnológicos mensuráveis.
Entre os objetivos da iniciativa estão:
- Reduzir a dependência tecnológica externa;
- Fortalecer a cadeia industrial brasileira;
- Diminuir custos de produção;
- Estimular a inovação nacional;
- Aumentar a competitividade internacional.
A expectativa é que esses fatores contribuam para consolidar uma nova cadeia produtiva ligada à energia renovável.
Petrobras aposta no hidrogênio verde para reduzir emissões industriais
A Petrobras considera o hidrogênio verde uma das principais ferramentas para acelerar a descarbonização de setores estratégicos da economia.
Áreas como siderurgia, indústria química e refino de petróleo podem se beneficiar da utilização desse combustível de baixa emissão de carbono.
Segundo informações divulgadas pela companhia, um dos principais obstáculos para a expansão da tecnologia ainda é o alto custo de produção. Por isso, o desenvolvimento nacional dos eletrolisadores aparece como uma alternativa para tornar o processo mais competitivo.
A estratégia faz parte de um plano mais amplo de investimentos em inovação e transição energética.
Plano da Petrobras prevê US$ 4 bilhões em pesquisa e desenvolvimento
O edital faz parte de uma estratégia de longo prazo da Petrobras para ampliar investimentos em inovação.
No Plano de Negócios 2026-2030, a estatal prevê destinar US$ 4 bilhões para atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação.
Os recursos deverão apoiar projetos relacionados a:
- Transição energética;
- Combustíveis de baixo carbono;
- Captura de carbono;
- Novas tecnologias industriais;
- Produção de hidrogênio verde.
A criação de eletrolisadores nacionais está entre as iniciativas consideradas prioritárias para aumentar a competitividade do Brasil no cenário internacional.
Finep amplia apoio a projetos de tecnologia verde no Brasil
Nos últimos anos, a Finep ampliou significativamente sua participação no financiamento de projetos sustentáveis.
Entre 2023 e 2025, a instituição destinou mais de R$ 12,5 bilhões para iniciativas ligadas à transição sustentável e ao desenvolvimento de tecnologias verdes.
O presidente da Finep, Luis Antonio Elias, destacou durante o lançamento que o objetivo não é apenas produzir energia limpa, mas também desenvolver tecnologias capazes de gerar valor para a indústria nacional.
Essa estratégia busca colocar o Brasil em posições mais avançadas da cadeia global de inovação.
Como o Brasil pode ganhar espaço no mercado global de hidrogênio
O mercado internacional de hidrogênio de baixa emissão é apontado como um dos mais promissores das próximas décadas.
Diversos países vêm anunciando investimentos bilionários para criar infraestrutura, ampliar a produção e desenvolver novas tecnologias associadas ao setor.
O Brasil possui vantagens competitivas importantes para disputar esse mercado:
- Grande potencial de geração solar;
- Forte expansão da energia eólica;
- Matriz elétrica predominantemente renovável;
- Disponibilidade de recursos naturais;
- Experiência em grandes projetos energéticos.
Essas características ajudam a explicar o crescente interesse em iniciativas voltadas para o hidrogênio verde.
Desenvolvimento tecnológico pode reduzir custos e atrair investimentos
Uma das metas centrais do edital é diminuir o custo de produção do hidrogênio por eletrólise, considerado atualmente um dos principais entraves para sua adoção em larga escala.
De acordo com a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, o desenvolvimento contemplará etapas que vão desde a engenharia básica até a construção de um protótipo pré-comercial.
A produção nacional dos eletrolisadores poderá reduzir gastos com importações, fortalecer fornecedores locais e criar oportunidades para novos investimentos em pesquisa e manufatura.
Ao mesmo tempo, a formação de mão de obra especializada tende a gerar impactos positivos para diferentes segmentos da economia.
Um passo estratégico para a indústria brasileira de baixo carbono
O lançamento do edital de R$ 150 milhões marca um movimento importante para a indústria nacional e para a agenda de transição energética do país.
Com investimentos divididos entre Petrobras e Finep, exigência de 50% de conteúdo nacional e foco no desenvolvimento de eletrolisadores de última geração, o projeto busca reduzir dependências externas e ampliar a capacidade tecnológica brasileira.
Mais do que aumentar a produção de hidrogênio verde, a iniciativa pretende criar conhecimento, fortalecer empresas nacionais e preparar o Brasil para competir em um dos mercados mais estratégicos da economia global nas próximas décadas.


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