Formações poligonais registradas pelo Curiosity em Antofagasta chamam atenção pela escala incomum e podem ajudar cientistas a investigar antigos ciclos de umidade, secagem e presença de água líquida na cratera Gale, em Marte, com novos dados
O rover Curiosity, da NASA, registrou em 13 de abril de 2026 milhares de polígonos parecidos com favo de mel na cratera Gale, em Marte, um achado relevante para investigar por quanto tempo a água líquida existiu no planeta.
Imagens revelam formação incomum
As imagens foram capturdas no Sol 4865, durante o deslocamento do rover em direção à cratera Antofagasta.
A área recebeu esse nome em referência a uma cidade portuária chilena e à região ao redor, localizada na borda do Atacama, dentro da cratera Gale.
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O que chamou atenção foi a repetição de polígonos espalhados pela superfície. O padrão aparece em milhares de formas, com aspecto semelhante a escamas e muito mais disseminado do que estruturas parecidas já vistas ali.
A Mastcam do Curiosity mostrou mosaicos amplos de terreno coberto por desenhos regulares. Nos dias anteriores, as atualizações da missão indicavam que o rover seguia para uma pequena cratera com cerca de 10 metros, ou 32 pés, de diâmetro.

Escala surpreende equipe da missão
A cientista Abigail Fraeman, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, relatou que rochas com padrões poligonais já haviam sido observadas antes. A diferença, desta vez, estava na escala e na presença abundante das formas.
Os polígonos se estendiam por metros e metros nos mosaicos da Mastcam, com aparência muito mais dramática do que em registros anteriores.
Essa distribuição reforçou o interesse dos cientistas pelo novo sítio em Antofagasta.
A aparência do terreno gerou comparações com pele de répteis, embora a explicação científica permaneça geológica.
A grande quantidade de formas sugere processos repetidos ao longo do tempo, não apenas um episódio isolado.
Favo de mel pode apontar ciclos de água
Na Terra, rachaduras parecidas costumam surgir quando lama úmida seca e encolhe. Quando esse processo se repete várias vezes, as fissuras podem evoluir para formas hexagonais mais organizadas, semelhantes a favo de mel.
Um caso comparável foi identificado em 2023 em Pontours, também em Marte. Um estudo publicado no Journal of Statistical Physics indicou que os padrões hexagonais daquele local se formaram por múltiplos ciclos de umedecimento e secagem.
A pesquisa mostrou que as rachaduras evoluíram de interseções em T para junções em Y. Esse tipo de transformação indica condições repetitivas, possivelmente ligadas a mudanças sazonais.
Caso o mesmo processo tenha ocorrido em Antofagasta, o terreno pode guardar sinais de ciclos contínuos envolvendo água líquida.
Esse ponto é central para entender a duração e a dinâmica da presença de água em Marte.
Cristas elevadas abrem novas hipóteses
Apesar das semelhanças com Pontours, a nova área apresenta características próprias. As bordas dos polígonos são elevadas, criando cristas que se destacam do restante da rocha e preservam o desenho original.
Fraeman explicou que esse relevo pode surgir quando minerais preenchem fissuras e depois resistem melhor à erosão do que o material ao redor. Com o tempo, as linhas elevadas ficam expostas na superfície.
O rover já coletou 8 imagens e dados químmicos da área. A equipe da missão pretende usar essas informações para avaliar se minerais como sais, identificados em Pontours, também estão presentes em Antofagasta.
A missão também continua reunindo imagens e medições químicas para separar hipóteses sobre a origem das texturas observadas pelo rover Curiosity.
O objetivo é diferenciar processos de secagem, preenchimento mineral e erosão posterior nas rochas marcianas.
As novas observações do padrão de favo de mel entram no conjunto de evidências que apontam uma relação mais complexa de Marte com a água. A superfície atual mostra sinais discretos, mas as rochas preservam marcas de processos antigos.
Com informações de Daily Galaxy.

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