Preço da gasolina, diesel e do gás de cozinha nas alturas não impede Petrobras de aumentar ainda mais os combustíveis nesta terça-feira (06/07), que inicia, com um soco no bolso dos consumidores

Flavia Marinho
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06-07-2021 14:27:50
em Petróleo, Óleo e Gás
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Terça-feira (06/07) inicia com um soco no bolso dos brasileiros: mesmo com os preços nas alturas, a Petrobras aumenta mais uma vez o preço da gasolina, diesel e do gás de cozinha

Mesmo com o preço da gasolina, diesel e do gás de cozinha disparado, a petroleira brasileira Petrobras decidiu aumentar a partir desta terça (6), em 10,2 centavos, o diesel, que passou a custar R$ 2,81, representando um aumento médio de 3,8% por litro. O preço do combustível mais utilizado no país, estava congelado desde 1º de maio, há 66 dias.

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A gasolina entregue às distribuidoras e e o gás de cozinha (GLP) também sofreram aumentos, afetando ainda mais o bolso dos consumidores domésticos. Desde 2019, não há mais diferenciação de preços do GLP.

A gasolina subiu 15,7 centavos, para R$ 2,69 por litro, uma alta de 6,2%. Há 22 dias, em 12 de junho, a Petrobras havia reduzido os preços em cerca de 2%. Em 1º de maio, também fez um corte no mesmo patamar.

Na contramão do preço do diesel e da gasolina, a Petrobras já havia elevado o preço do gás de cozinha em junho

O GLP sobiu 20 centavos, para R$ 3,60 por quilo, alta de 5,9%. A Petrobras já havia elevado o preço do gás de cozinha em junho, em 5,9%, totalizando 39 centavos por quilo em cerca de 45 dias.

Com isso, o preço do gás de cozinha vendido em botijões de treze quilos, voltado para consumidores residenciais, sobe R$ 2,60 amanhã, na entrega do GLP pela Petrobras para as distribuidoras. E acumula alta de R$ 5 reais considerando os dois reajustes.

Desde fevereiro, o GLP em botijões de treze quilos é beneficiado pela desoneração de impostos federais, por decisão do presidente Jair Bolsonaro. O desconto, contudo, é da ordem de dois reais por botijão.

No acumulado do ano, o diesel da Petrobras subiu cerca de 40% enquanto a gasolina avançou 46%. Já o petróleo Brent acumula alta de cerca de 50%.

É o primeiro aumento realizado na gestão do general Joaquim Silva e Luna

É o primeiro aumento realizado na gestão do general Joaquim Silva e Luna. Em abril, Silva e Luna assumiu o comando da estatal depois que o presidente Jair Bolsonaro fez uma série de críticas aos reajustes de preços de combustíveis praticados na gestão de Roberto Castello Branco.

Lembrando que o repasse dos reajustes nas refinarias aos consumidores finais nos postos não é garantido, e depende de uma série de questões, como margem da distribuição e revenda, impostos e adição obrigatória de etanol anidro e biodiesel.

Em defesa a Petrobras informou: “Importante reforçar o posicionamento da Petrobras que busca evitar o repasse imediato para os preços internos da volatilidade externa causada por eventos conjunturais”, informou a estatal em nota. “Os preços praticados pela Petrobras seguem buscando o equilíbrio com o mercado internacional e acompanham as variações do valor dos produtos e da taxa de câmbio, para cima e para baixo.”

Greve indeterminada dos caminhoneiros, a partir de 25 de julho, contra o aumento nos preços dos combustíveis praticados pela Petrobras

Na semana passada, o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, recebeu a diretoria do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC). A associação vem falando em realizar uma greve dos caminhoneiros desde o mês passado.

“O transporte modal rodoviário é muito importante para o Brasil. A Petrobras busca compreender os atores da sociedade, avalia a melhor forma de contribuir com todos eles e está sempre aberta ao diálogo”, afirmou Silva e Luna, segundo nota da Petrobras.

Greve dos caminhoneiros: toda categoria é convocada pelo Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas – CNTRC, através de nota, para uma paralisação, por prazo indeterminado, a partir do próximo dia 25 de julho, dia do caminhoneiro (São Cristovão). Cristovão significa “aquele que carrega Cristo”. Clique aqui para ler a íntegra da nota divulgada.

Caminhoneiros exigem taxa sobre exportação de petróleo para aliviar custo do combustível

O caminhoneiros querem o fim da paridade internacional de preços dos combustíveis, prática da Petrobras iniciada no governo Temer, com Pedro Parente, que foi alvo da greve dos caminhoneiros de 2018.

Em maio, a CNTRC defendeu a taxação de exportações de óleo em carta enviada a Bolsonaro.

“Os recursos advindos da taxação na exportação de petróleo bruto poderão ser utilizados para compensar Estados e União na redução de impostos sobre combustíveis”, diz o documento.

Em 2018, os caminhoneiros promoveram uma greve histórica contra o valor do diesel

A demanda dos caminhoneiros, que chegaram a promover uma greve histórica contra os preços do diesel, em 2018, segue-se ainda a constantes reclamações do próprio presidente Bolsonaro sobre o custo dos combustíveis.

Na carta enviada ao presidente Bolsonaro, a CNTRC pede que o Governo adote a taxação de exportações de petróleo bruto “como medida imediata”, enquanto outros pleitos devem ser analisados, como o fim da busca pela paridade de importação.

“Os recursos advindos da taxação na exportação de petróleo bruto poderão ser utilizados para compensar Estados e União na redução de impostos sobre combustíveis”, sugeriu o grupo de caminhoneiros.

Desde que Luna tomou posse, em 19 de abril, a Petrobras realizou apenas um reajuste de preços (um recuo para gasolina e diesel), anunciado em 30 de abril. O cenário internacional contribuiu, uma vez que os preços tiveram uma certa estabilidade.

Disparada no preço da gasolina, etanol, diesel e GNV faz motoristas recorrerem ao combustível biometano; o combustível veio para ´salvar` e aliviar o bolso do consumidor

A cada dia que passa, aumentam os preços da gasolina, etanol e diesel, e, com isso, os brasileiros que trabalham com transporte de passageiros, como taxistas e motoristas de aplicativos, que recorriam ao Gás Natural Veicular (GNV), estão migrando para o biometano, uma vez que o GNV também está começando a pesar no bolso. O biogás pode ser usado sem problemas nos veículos que têm kit-gás.

Atualmente, apenas dez postos de combustível no Rio de Janeiro oferecem o GNCbiometano (biogás), mas, de acordo com Jorge Mathuiy, diretor comercial da indústria de cilindros MAT, até o fim do ano, esse número deve aumentar bastante, já que o biometano tem um custo de aquisição mais barato e é completamente seguro.

A grande vantagem do uso do biometano é que, além da maior autonomia, o combustível oferece maior segurança, por ser mais leve do que o ar, e, em caso de vazamento, o gás se dissipa rapidamente, o que reduz o risco de explosões e incêndios. Enquanto o álcool se inflama a 200ºC, e a gasolina a 300ºC, para que o biogás se inflame, é preciso que seja submetido a uma temperatura superior a 620ºC.

Os motoristas ainda encontram dificuldade para identificar, nos postos, o biometano. A dica é perguntar ao frentista se a opção está disponível ou observar na bomba se fornecedor é uma das empresas que distribuem o combustível, por exemplo, a Neogás.

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Flavia Marinho
Engenheira de Produção pós graduada em Engenharia Elétrica e Automação. Experiente na indústria de construção naval onshore e offshore. Entre em contato para sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.