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Existe petróleo abaixo do petróleo que o Brasil já extrai: a Petrobras confirmou nova acumulação no campo de Búzios, a 5.600 metros de profundidade, numa zona inferior ao reservatório que já opera na Bacia de Santos

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 09/06/2026 às 20:15
Atualizado em 09/06/2026 às 20:17
Existe petróleo abaixo do petróleo que o Brasil já extrai: a Petrobras confirmou nova acumulação no campo de Búzios, a 5.600 metros de profundidade, numa zona inferior ao reservatório que já opera na Bacia de Santos
A nova perfuração no campo de Búzios atingiu 5.600 metros de profundidade e revelou reservatórios abaixo de uma área já em produção comercial. O consórcio liderado pela Petrobras, com participação de empresas chinesas, segue analisando o potencial da descoberta
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A nova perfuração no campo de Búzios atingiu 5.600 metros de profundidade e revelou reservatórios abaixo de uma área já em produção comercial. O consórcio liderado pela Petrobras, com participação de empresas chinesas, segue analisando o potencial da descoberta

Imagine uma empresa que já opera o maior campo petrolífero de águas profundas do mundo, produzindo 1 milhão de barris de petróleo por dia, e decide perfurar ainda mais fundo, abaixo do reservatório que já está em plena produção. Foi exatamente isso que a Petrobras fez no campo de Búzios, e o que ela encontrou reacendeu o debate sobre os limites reais das reservas brasileiras.

Petróleo descoberto abaixo de campo que já produz petróleo

Em 14 de fevereiro de 2025, conforme confirmado pela Agência Petrobras em fato relevante oficial, a estatal brasileira anunciou a presença de óleo no poço 9-BUZ-99D-RJS, localizado na região oeste do campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. A descoberta não foi em uma área virgem: trata-se de uma nova acumulação em zona inferior ao reservatório principal, ou seja, petróleo encontrado abaixo de um campo que já está em operação comercial.

Segundo a Agência Petrobras, os testes foram realizados a partir de 5.600 metros de profundidade, com perfis elétricos gerados por sonda introduzida em nova perfuração. O material coletado segue em análise nos laboratórios da estatal para determinar o potencial e as características do óleo encontrado.

Mapa do campo de Búzios mostra a dimensão de uma das áreas mais estratégicas do pré-sal brasileiro, onde a Petrobras confirmou uma nova acumulação de petróleo abaixo de um reservatório que já está em produção comercial.
Mapa do campo de Búzios mostra a dimensão de uma das áreas mais estratégicas do pré-sal brasileiro, onde a Petrobras confirmou uma nova acumulação de petróleo abaixo de um reservatório que já está em produção comercial.

O campo que já era gigante ficou ainda maior

O campo de Búzios já ostentava, antes dessa descoberta, o título de maior campo produtor de petróleo em águas ultraprofundas do mundo. Localizado a 189 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, com lâmina d’água de 1.940 metros, o campo tem um reservatório com espessura de até 480 metros e ocupa uma área de 852 km², o equivalente a 115 mil campos de futebol, conforme descreve a Petrobras.

Em outubro de 2025, de acordo com a Petrobras, a plataforma FPSO Almirante Tamandaré produziu sozinha 270 mil barris por dia, ajudando Búzios a bater o recorde de 1 milhão de barris diários de produção, a primeira vez que um campo brasileiro alcança esse patamar.

O que torna essa descoberta diferente de todas as anteriores

A maior parte das descobertas de petróleo acontece em áreas novas, inexploradas. O que a Petrobras fez em Búzios é diferente: a empresa encontrou óleo numa camada mais profunda, abaixo de um reservatório que já está em produção comercial há anos. Isso significa que a infraestrutura de plataformas, poços e dutos já está instalada na região, o que pode reduzir parte dos custos de desenvolvimento futuro.

A perfuração foi realizada em um ambiente de alta complexidade técnica: 1.940 metros de coluna d’água antes mesmo de começar a perfurar a rocha, chegando a mais de 5.600 metros de profundidade no subsolo. Para efeito de comparação, segundo a PPSA, órgão federal gestor dos contratos de partilha, a profundidade total do pré-sal pode atingir até 7.000 metros desde a superfície do mar.

Os números reais do custo de extração no pré-sal

Um dado que explica por que a Petrobras investe em perfurações cada vez mais profundas está nos próprios relatórios financeiros da companhia. Segundo os documentos oficiais da Petrobras depositados na SEC americana (reguladora do mercado de capitais dos Estados Unidos), o lifting cost do pré-sal em 2025 ficou em US$ 4,19 por barril sem leasing, ou US$ 6,87 por barril incluindo o afretamento das plataformas.

Esses números fazem do pré-sal brasileiro uma das operações mais competitivas do mundo. Para efeito de comparação, o custo de extração em terra no Brasil, segundo os mesmos relatórios, chegou a US$ 17 por barril no mesmo período. Quanto mais fundo e mais produtivo for o poço, mais os custos fixos se diluem.

O consórcio por trás da descoberta

A exploração de Búzios não é exclusiva da Petrobras. Conforme informado pela própria estatal em nota oficial, o Consórcio da Jazida Compartilhada de Búzios é composto pela Petrobras como operadora, com 88,98% de participação, pela chinesa CNOOC com 7,34% e pela também chinesa CNPC com 3,67%. A gestão do contrato de partilha é feita pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), empresa pública federal.

As análises dos resultados da nova acumulação seguem em andamento pelo consórcio, que ainda não divulgou estimativas de volume recuperável para a nova zona.

O pré-sal ainda tem muito a revelar

Em julho de 2025, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) compilados pela Petrobras, o pré-sal respondeu por 79% de toda a produção nacional de petróleo e gás. A produção total da Petrobras cresceu 11% em 2025 em relação ao ano anterior, chegando a 2,40 milhões de barris por dia.

Além disso, conforme destaca a Petrobras, o petróleo extraído do pré-sal emite até 70% menos gases de efeito estufa por barril do que a média mundial, um argumento cada vez mais relevante em um mercado que cobra transparência climática das empresas de energia.

A nova acumulação descoberta abaixo do campo de Búzios ainda é um ponto de interrogação quanto ao seu tamanho e viabilidade comercial. Mas o fato de existir petróleo abaixo do petróleo que já se produz levanta uma questão que o setor ainda não sabe responder: quantas outras camadas ainda estão por ser encontradas no subsolo brasileiro?

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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