Estudo publicado em 2026 na ACS Applied Polymer Materials descreve plásticos vivos produzidos com esporos bacterianos e duas enzimas cooperativas, capazes de degradar completamente policaprolactona em seis dias, sem formação de microplásticos, em uma abordagem voltada a materiais de vida curta
Plásticos vivos programados por micróbios projetados abriram uma nova frente contra resíduos de uso único ao mostrar degradação completa em seis dias, sem formação de microplásticos, em estudo publicado em 2026 na ACS Applied Polymer Materials.
Plásticos vivos criados por cientistas podem ser acionados para se decompor sob condições específicas, usando duas cepas bacterianas cooperantes e enzimas que quebram o polímero em etapas, uma estratégia experimental que mira embalagens, dispositivos simples e outros materiais de vida curta.
Plásticos vivos programados por micróbios conseguiram se degradar completamente em seis dias, sem formar microplásticos, em um estudo publicado em 9 de abril de 2026 na ACS Applied Polymer Materials, abrindo caminho para materiais de vida curta com decomposição planejada.
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Plásticos vivos mudam o ciclo do descarte
A pesquisa parte de um problema conhecido: muitos itens de plástico são usados por pouco tempo, mas permanecem por anos no ambiente. A equipe buscou inserir a degradação no próprio ciclo de vida do material.
Zhuojun Dai, autor correspondente do artigo, afirmou que a persistência dos plásticos tradicionais por séculos motivou a pergunta central do estudo: seria possível programar o material para se decompor quando necessário?
Duas enzimas aceleram a decomposição
Para testar a ideia, Dai, Jin Geng, Dianpeng Qi e colegas projetaram Bacillus subtilis para produzir duas enzimas degradadoras de polímeros. Elas atuam em sequência, dividindo cadeias longas e depois quebrando fragmentos menores em monômeros.
Os pesquisadores combinaram esporos dormentes de B. subtilis com policaprolactona, polímero usado em impressão 3D e em algumas suturas cirúrgicas. O plástico vivo manteve propriedades mecânicas próximas às de filmes comuns desse material.
Quando recebeu caldo nutriente aquecido a 50 graus Celsius, o sistema foi ativado. Os esporos despertaram e degradaram totalmente o plástico em seus blocos básicos em seis dias, sem gerar partículas microplásticas.
Dispositivo vestível também se desfez
A equipe produziu ainda um eletrodo vestível feito com o plástico vivo. O dispositivo funcionou como esperado e, depois, degradou-se completamente em duas semanas, em uma demonstração inicial da aplicação prática.
O próximo passo é desenvolver uma forma de ativar os esporos na água, ambiente onde grande parte da poluição plástica se acumula. Embora o estudo tenha usado um polímero específico, a estratégia pode ser adaptada a outros plásticos.
O trabalho recebeu financiamento de programas e fundações da China, incluindo o Programa Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Chave, a Fundação Nacional de Ciências Naturais da China e iniciativas de Shenzhen e Guangdong.
Estudo disponível em pubs.acs.org.

Quais os produtos da decomposição dos plásticos com este sistema bacteriano?
Este trabalho já foi publicado em revitas científica? Onde posso pesquisar mais detalhes? Por que não produzir e purificar as enzimas para não usar os esporos dos microrganismos?