Paralisação das obras no Comperj pelo Consórcio Kerui-Método pode levar empresas a falência e demissões em massa

Flavia Marinho
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13-05-2020 19:15:41
em Indústria e Construção Civil
Paralisação das obras no Comperj pelo Consórcio Kerui-Método pode levar empresas a falência e demissão em massa Paralisação das obras no Comperj pelo Consórcio Kerui-Método pode levar empresas a falência e demissão em massa

As empresas que atuam no Comperj têm se reunido com representantes da Prefeitura de Itaboraí para viabilizar a retomada gradual das obras.

Ação reduzida no Comperj, com a pandemia, não só a Petrobras  mas todas as petroleiras vão tirar o pé do acelerador afetando os empregos em toda a cadeia de fornecedores do setor. A economia do Rio é dependente do petróleo. Se o mercado de óleo e gás vai bem, o Rio vai bem. 45 mil trabalhadores do setor de óleo e gas correm risco de perder o emprego

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No Comperj, estão nos canteiros de obras apenas 30 por cento dos seis mil operários contratados para a construção ali da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) e da malha de gasodutos da chamada Rota 3, que escoará gás natural dos campos do pré-sal da Bacia de Santos.

Pouco mais de quatro mil trabalhadores estão em férias coletivas. A Petrobras informou, em nota, que “paralisou temporariamente” as obras no Comperj atendendo a um ofício da Secretaria Municipal de Saúde de Itaboraí que solicitou a interrupção de 70por cento das atividades do empreendimento para ajudar na contenção do coronavírus.

Projetos paralisados no Comperj

As empresas que atuam no projeto reduzido do Comperj têm se reunido com representantes da Prefeitura de Itaboraí e autoridades sanitárias para viabilizar a retomada gradual das obras.

A paralisação das obras da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) do Comperj pelo consórcio formado pela chinesa Kerui e pela brasileira Método Engenharia trará consequências graves na região, podendo acarretar demissão em massa.

Na carta enviada aos fornecedores, Kerui responsabiliza a pandemia e preocupou as empresas brasileiras que participam do projeto de construção da UPGN, fornecendo equipamentos e serviços além de apavorar as companhias nacionais que já são credoras da obra.

Segundo a Kerui, o consórcio vai priorizar o pagamento das empresas fornecedoras chinesas e estrangeiras. Um novo baque deste tipo pode significar a falência destas empresas brasileiras, o agravamento do desemprego.

Confira a carta enviada pelo consórcio às empresas  que o Petronotícias teve acesso

“Primeiramente, importante ressaltar que a KERUI MÉTODO foi contratada pela Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRAS (Contrato n° 0804.0106414.17.2) para execução, sob regime de empreitada por preço global, do remanescente de obras das Unidades de Processamento de Gás Natural, doravante denominado como “Projeto UPGN”.

A empresa vem executando os serviços na forma estabelecida contratualmente com a PETROBRAS, mas foi negativamente surpreendida pela crise gerada pela pandemia de coronavírus (COVID-19). Nesse sentido, vale ressaltar que o primeiro caso de coronavírus foi identificado no início de dezembro de 2019, na China, espalhando-se rapidamente pela Ásia e, em seguida, pelo mundo. Diante da sua alta capacidade de contágio, a China decretou “lockdown” em janeiro de 2020, suspendendo a produção de equipamentos que estavam na fase final de fabricação, ocasionando atraso significativo na entrega de itens que são essenciais para o Projeto UPGN.

Já no dia 11 de março de 2020 a Organização Mundial de Saúde – OMS elevou os alertas de importância internacional com a Declaração de Pandemia decorrente do novo coronavírus. A pandemia de coronavírus também postergou o embarque de equipamentos fabricados na Tailândia, pois os navios foram impedidos de atender a programação de embarque em razão das restrições sanitárias e implementação de rígidos protocolos de acesso.

Com reflexo dos problemas trazidos pela pandemia de coronavírus ao mundo, no dia 20 de março de 2020 houve o reconhecimento da ocorrência de calamidade pública pelo Senado Federal (Decreto Legislativo nº 06/2020), situação que vem trazendo fortes impactos negativos ao Brasil, especialmente no que tange aos aspectos social e econômico. Com o objetivo de conter a proliferação do coronavírus, a Secretaria Municipal de Saúde de Itaboraí/RJ, por intermédio do Ofício SMS/SSVS/nº 021-2020, de 23 de março de 2020 determinou a interrupção de pelo menos 70% (setenta por cento) das atividades de campo da força de trabalho das empresas que atuam no Município.

Em razão do Ofício expedido pela Secretaria Municipal de Saúde de Itaboraí/RJ, as obras do Projeto UPGN foram suspensas t55tparcialmente pela PETROBRAS. Essa suspensão parcial juntamente com os atrasos na entrega de equipamentos trouxe grande impacto negativo ao fluxo de caixa da KERUI MÉTODO, principalmente por conta da postergação de medições e, por conseguinte, de seus recebimentos. Como consequência da pandemia, sabemos que tal situação também irá gerar reflexos negativos em toda a cadeia de fornecedores, prestadores de serviços, especialistas e consultores que, num ambiente de contínua parceria e compromisso, vêm trabalhando junto à KERUI MÉTODO no sentido de desenvolver as obras do Projeto UPGN.

Cumprindo com seu dever de parceria e transparência, a KERUI MÉTODO informa que este momento difícil exigirá sacrifício e união de todos em face à gravidade dos problemas. É inequívoca e grave a situação vivenciada em função da pandemia de coronavírus, classificada como força maior, pois impede a KERUI MÉTODO de cumprir com determinadas obrigações. Em que pese a gravidade do cenário, a KERUI MÉTODO criou um comitê para avaliar detalhadamente os reflexos sofridos pela pandemia e envidará seus melhores esforços para minimizar os impactos negativos aos seus colaboradores e parceiros, razão pela qual entrará em contato com V.Sas. para tratativas individuais referentes ao plano de mitigação a ser adotado, inclusive reprogramação de pagamentos.

Diante do exposto acima, a KERUI MÉTODO agradece antecipadamente o empenho e compreensão desta empresa e informa que está colaborando com as autoridades, sociedade e cliente para, dentro do ambiente de responsabilidade social e respeito à saúde humana, encontrar o melhor caminho para reduzir os impactos desta Calamidade Pública. Sem mais para o momento, nos colocamos à disposição para esclarecer eventuais dúvidas, através do canal [email protected], criado com a finalidade de emissão de comunicados oficiais, formalização de acordos e esclarecimento de dúvidas.”

 

 

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Flavia Marinho
Engenheira de Produção pós graduada em Engenharia Elétrica e Automação. Experiente na indústria de construção naval onshore e offshore. Entre em contato para sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.
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