O túnel marítimo cortaria a península de Stad e tiraria cruzeiros e cargueiros do mar aberto, e até 81% do tráfego local poderia usar a passagem. A obra, porém, foi suspensa em maio por custo de NOK 8,6 bilhões e depende de uma votação no Parlamento marcada para 19 de junho.
A Noruega se prepara para construir o Stad Ship Tunnel, o primeiro túnel marítimo em escala real do mundo, uma passagem aberta dentro de uma montanha para que navios escapem do trecho mais perigoso da sua costa, com mais de 3 milhões de metros cúbicos de rocha a serem escavados. As dimensões e os dados do projeto vêm da Administração Costeira Norueguesa, a Kystverket, enquanto o calendário da obra depende de uma decisão do Parlamento do país, o Storting.
Defendida há mais de um século por engenheiros e marinheiros, a obra ainda não é uma decisão fechada. O projeto foi suspenso em maio de 2026 pelo governo de Jonas Gahr Støre depois que o custo estimado saltou de cerca de NOK 5 bilhões, em 2024, para NOK 8,6 bilhões. No início de junho, os partidos de centro e de esquerda chegaram a um acordo para incluir o financiamento no orçamento nacional revisado, com votação final marcada para 19 de junho, segundo informações divulgadas pelo NSC, e, se aprovada, a construção começa no início de 2027 e tem conclusão prevista para 2031.
Por que o trecho de Stadhavet é tão perigoso

O mar diante da península de Stad é tido como o pedaço mais traiçoeiro da navegação costeira norueguesa. Sem ilhas próximas para servir de barreira natural, o trecho de Stadhavet, no oeste do país, fica totalmente exposto a tempestades, ventos fortes e ondas que chegam de várias direções ao mesmo tempo. É justamente essa exposição que o túnel marítimo pretende eliminar.
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Os números ajudam a medir o tamanho do risco. O farol de Kråkenes, perto de Stad, registra mais de 100 dias de tempestade por ano, e a combinação de correntes oceânicas com a topografia submarina gera o chamado mar cruzado, com ondas altíssimas vindas de pontos diferentes, especialmente perigoso para as embarcações. As condições adversas podem durar dias e obrigam navios a esperar ou mudar de rota, e, desde 1900, mais de 30 pessoas morreram em acidentes na região, segundo registros oficiais, além de dezenas de embarcações naufragadas durante e após a Segunda Guerra Mundial.
O que será o túnel marítimo de Stad

O Stad Ship Tunnel atravessa a península de lado a lado, ligando o mar de uma ponta à outra. A ideia é criar uma passagem subterrânea de mar a mar que permita às embarcações evitar por completo o trecho perigoso de Stadhavet. Pelas dimensões oficiais da Kystverket, o túnel marítimo terá 1.700 metros no trecho principal, ou 2.200 metros com toda a estrutura de aproximação, além de 49 a 50 metros de altura interna, 36 metros de largura e profundidade suficiente para navios com calado de até 12 metros.

A escavação tem proporções industriais. Serão retirados cerca de 3 milhões de metros cúbicos de rocha, o equivalente a 5,4 milhões de metros cúbicos de material desmontado, transportados em aproximadamente 750 mil cargas de caminhão. As medidas internas comportam os navios da Hurtigruten e da Havila, as duas principais linhas de cruzeiros costeiros da Noruega, que levam passageiros e carga na rota tradicional entre Bergen e Kirkenes, e cerca de 81% do tráfego marítimo atual da região poderá usar a passagem.

Como vai funcionar a navegação dentro da montanha

A operação será conduzida como um controle de tráfego aéreo, só que para o mar. O centro de controle ficará na prefeitura de Fedje, no oeste da Noruega, e cada embarcação receberá um horário de passagem, parecido com os slots de pouso e decolagem dos aeroportos. A travessia pelo túnel marítimo será gratuita, sem pedágio, com prioridade para o tráfego comercial, sobretudo os cruzeiros da Hurtigruten e da Havila, enquanto barcos de recreio e embarcações menores usarão horários alternativos.
O fluxo será em mão única, com horários que se alternam entre as direções. A velocidade ficará limitada a cerca de 15 km/h, ou 8 nós, para os navios maiores, e o tempo médio de travessia será de aproximadamente 10 minutos. É esse intervalo curto que substituirá horas de exposição ao mar de Stadhavet, um dos mais perigosos da Europa, com a montanha funcionando como abrigo no lugar do mar aberto.
Custos, suspensão e a votação que decide a obra
O maior obstáculo do projeto não é técnico, e sim financeiro. Defendido por mais de cem anos, o túnel marítimo foi suspenso em maio de 2026 pelo governo de Jonas Gahr Støre depois que a estimativa de custo subiu de cerca de NOK 5 bilhões, em 2024, para NOK 8,6 bilhões. O salto no valor está no centro do debate sobre seguir ou não com a construção.
A retomada depende de uma decisão do Parlamento marcada para o meio de junho. No início do mês, os partidos de centro e de esquerda do Storting fecharam um acordo para incluir o financiamento no orçamento nacional revisado, e a votação final está prevista para 19 de junho. Se for aprovada como se espera, a obra começa no início de 2027 e deve ser concluída por volta de 2031, mas, até o voto, o futuro da passagem segue em aberto.
Se sair do papel, o Stad Ship Tunnel será o primeiro túnel marítimo em escala real do mundo, com 1.700 metros e cerca de 3 milhões de metros cúbicos de rocha escavados da península de Stad para que navios cruzem uma montanha em cerca de 10 minutos. A passagem tiraria as embarcações do trecho de Stadhavet, onde mais de 30 pessoas morreram desde 1900, e poderia atender cerca de 81% do tráfego da região.
O projeto, no entanto, foi suspenso em maio por causa de um custo que chegou a NOK 8,6 bilhões e só avança se o Parlamento aprovar o financiamento na votação de 19 de junho, abrindo caminho para uma obra prevista para começar em 2027 e terminar em 2031.
E você, acha que um túnel marítimo dentro de uma montanha compensa o investimento bilionário, ou o dinheiro seria melhor aplicado em outras soluções de segurança no mar? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre grandes obras de engenharia, com respeito às diferentes visões.

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