Seu Arlindo vive num sítio na região de Jucuruçu, na Bahia, com casa no alto, represa cheia de tilápia e tambaqui, plantação de cacau, banana, laranja e cana, e água que vem direto da mata. Ele cria patos, gansos e convive com uma suçuarana que ronda a área sem medo.
Um vídeo gravado na região de Jucuruçu, na Bahia, mostra o sítio onde Seu Arlindo vive há mais de trinta anos, encravado no pé de uma formação rochosa gigantesca. Ele tinha 31 anos quando chegou ali. Hoje, aos 62, completados em 23 de abril, continua no mesmo lugar, cuidando da plantação, da represa e da criação com as próprias mãos.
O que o vídeo registra não é uma vitrine. É uma conversa direta com o morador, que responde sobre o tempo que vive ali, o que planta, de onde vem a água, o que ronda na mata e, no fim, dá a resposta que fecha o assunto: aquele pedaço de terra não está à venda.
A casa no alto, a represa em volta e a pedra que define o lugar

A geografia do sítio é o que mais chama atenção logo na chegada. A casa foi levantada num ponto elevado, com vista para os dois lados, o que o autor do vídeo classifica como escolha estratégica. Ao redor, há uma represa. Ali dentro, segundo Seu Arlindo, vivem tilápia e tambaqui.
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Dominando a paisagem, há uma pedra de proporção enorme logo atrás. O narrador conta que já subiu até o topo dela e afirma que a vista lá de cima é ainda melhor. Ao fundo e nas laterais, mata preservada. O conjunto, casa, represa, plantação, curral e mata, aparece organizado, e é isso que o vídeo tenta mostrar quando o autor sobe um pouco o terreno para conseguir um enquadramento mais amplo.
O que está plantado: cacau, milho, banana, laranja, cana e pitaia
A pergunta sobre o quintal recebe uma resposta prática. Seu Arlindo aponta cacau logo abaixo, e o vídeo percorre depois pés de laranja, cana, banana plantada na parte de cima e um milharal que ele mesmo semeou, com estacas visíveis. Não é horta de fim de semana, é roça em produção.
Um item chama atenção pela presença menos comum. Há pitaia plantada na frente da casa, e o vídeo mostra os frutos já nascidos, na época certa. O narrador repete o termo que resume o que vê: riqueza. E a palavra faz sentido dentro da lógica de quem vive de terra, porque cada pé daquele é comida ou renda no futuro.
A água que desce da mata e não custa nada
Este é o detalhe que Seu Arlindo faz questão de sublinhar. A água do sítio vem da mata que fica atrás da propriedade, descendo por conta própria, e ele a descreve como água mineral. Não há conta a pagar.
O narrador insiste no ponto porque entende o peso dele. Água à vontade e sem custo, dentro de uma roça, muda a viabilidade de tudo o que está plantado ali. É a mesma água que sustenta o milharal, a represa e o cotidiano da casa. E é um dos motivos pelos quais Seu Arlindo trata aquele pedaço de terra como tesouro, não como imóvel.
Gansos ciumentos, patos e uma suçuarana que ninguém teme

A criação aparece logo na beira da represa e rende a cena mais leve do vídeo. Há patos na água e gansos que, segundo o próprio narrador, são valentes e ciumentos. Ele passa perto e leva chiado, o que vira motivo de riso.
Mas há também um morador que ninguém convidou. Perguntado sobre a mata, Seu Arlindo confirma que existe suçuarana na região, escondida nas grotas e tocas de pedra. Descreve o animal como pouco maior que um gato e afirma, sem hesitar, que não dá medo e não pega ninguém. O narrador admite ter mais receio do que o próprio morador, e a diferença entre os dois é praticamente a diferença entre quem visita e quem vive ali.
Trinta e um anos de idade quando chegou e nenhuma vontade de sair
A resposta sobre o tempo de moradia é seca e reveladora. Ele estava com 31 anos quando passou a viver ali. Ou seja, mais da metade da vida foi construída naquele terreno, e hoje ele tem 62, nascido em 23 de abril de 1964.
Perguntado sobre como é morar naquele lugar, ele resume em poucas palavras: é bom demais, sossegado, tranquilidade, vida e saúde. Faz uma única ressalva prática, e é sobre a estrada, que ficaria melhor se fosse melhor. Não há nostalgia da cidade em nenhuma resposta dele. Ele também menciona uma vantagem moderna que mudou a equação: hoje o sítio tem energia e internet, o que retira boa parte do isolamento que a roça tinha antes.
O trecho mais duro do vídeo: quem vendeu, se arrependeu
A conversa muda de tom quando entra o tema do preço da terra. Seu Arlindo afirma que não vende por dinheiro nenhum. E vai além, dizendo que quem tinha terra e vendeu para morar na cidade hoje, na avaliação dele, está arrependido, porque não consegue mais comprar de volta.
O motivo apontado por ele é a inversão do mercado. Segundo Seu Arlindo, a terra pequena ficou mais cara do que a grande, porque muita gente vendeu, foi embora, e agora quem quer voltar não encontra. Ele cita valores mencionados na conversa, chegando a falar em meio alqueire sendo pedido por algo entre R$ 500 mil e R$ 600 mil, e resume com uma frase que encerra o assunto: pede, mas não vende.
O sítio de Seu Arlindo não é cenário. É casa, roça, criação, represa e mata, tocadas por um homem de 62 anos que chegou ali com 31 e não pretende sair. Tem suçuarana na mata, tem estrada ruim, tem trabalho todo dia. E tem, segundo ele, uma tranquilidade que não se compara à da cidade.
Agora queremos ler você. Você trocaria a cidade por um sítio assim, com pedra atrás, represa na frente e suçuarana rondando a mata, ou não daria conta? E se você já teve terra e vendeu, conta aqui embaixo se você se arrependeu ou não. A gente lê tudo.

