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Nas horas vagas, caminhoneiro sem experiência em marcenaria transforma terreno em oficina, aprende a trabalhar com madeira e constrói 1,7 mil casinhas que já deram abrigo contra o frio e a chuva a mais de 5 mil cães e gatos abandonados no interior de São Paulo

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Escrito por Geovane Souza Publicado em 11/07/2026 às 15:37
Assista o vídeoCaminhoneiro constrói 1,7 mil casinhas e ajuda a proteger mais de 5 mil cães e gatos em São José do Rio Preto
Caminhoneiro constrói 1,7 mil casinhas e ajuda a proteger mais de 5 mil cães e gatos em São José do Rio Preto. (Foto: Foto: Instagram @semeadoresdobem.pets)
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Sem experiência em marcenaria, Leomar Aparecido Miguel criou uma produção voluntária de abrigos em São José do Rio Preto. As casinhas são entregues gratuitamente a protetores, famílias e organizações que acolhem animais abandonados, enquanto doações de materiais e trabalho voluntário mantêm o projeto funcionando.

O caminhoneiro Leomar Aparecido Miguel transformou um terreno de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, em uma oficina para fabricar casinhas destinadas a cães e gatos expostos ao frio, à chuva e ao vento. O trabalho já resultou na entrega de mais de 1,7 mil abrigos.

A iniciativa recebeu o nome de Semeadores do Bem Pet e atende protetores independentes, organizações de proteção animal e pessoas que cuidam de bichos abandonados. As estruturas são produzidas manualmente e distribuídas sem cobrança.

Um documento protocolado pela Câmara Municipal em 2 de julho de 2026 informa que o projeto já beneficiou diretamente mais de 5 mil animais recolhidos das ruas de São José do Rio Preto e de municípios próximos. A Moção de Aplausos nº 322/2026 foi aprovada após votação realizada em 7 de julho.

A Câmara registra dois anos de atuação formal do Semeadores do Bem Pet. A reportagem que apresentou a história nacionalmente afirma que Leomar começou a produzir os abrigos há quase três anos, diferença que pode estar relacionada ao período anterior à organização do trabalho como projeto voluntário.

A pergunta feita durante uma noite de chuva virou o começo da oficina

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Foto: Foto: Instagram @semeadoresdobem.pets

A ideia apareceu depois que Leomar passou a observar animais molhados pelas ruas durante suas viagens e deslocamentos. Havia pontos onde moradores deixavam ração e água, mas poucos locais protegidos nos quais os bichos pudessem dormir.

“Eu passava pelas ruas e via os cachorrinhos e os gatinhos molhados. Aí, na hora, pensei: comida, ração e água até tem, mas abrigo onde encontra?”, contou o caminhoneiro em entrevista à TV TEM. Sem formação em marcenaria, ele decidiu aprender a cortar, montar e cobrir as estruturas necessárias.

Leomar passou a utilizar o tempo disponível fora da estrada para trabalhar na oficina improvisada. Segundo a reportagem publicada em 10 de julho de 2026, ele corta as peças de madeira, monta as paredes e instala os telhados, procurando impedir a entrada direta de chuva e reduzir a exposição dos animais ao vento.

A produção cresceu e passou a atender protetores de toda a região

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As primeiras unidades surgiram como uma resposta pontual aos animais encontrados nas ruas. Com a divulgação das entregas, protetores independentes e entidades que mantêm cães e gatos resgatados começaram a procurar o projeto.

As casinhas são destinadas principalmente a animais que permanecem em áreas externas, terrenos, abrigos comunitários ou imóveis onde não há espaço coberto suficiente. Algumas entregas também chegam a famílias com poucos recursos que assumiram os cuidados de bichos abandonados.

O perfil oficial do Semeadores do Bem Pets informa que parte das estruturas é feita com material reutilizado. A reaplicação de madeira e outros componentes ajuda a reduzir despesas, embora o projeto ainda dependa de peças em condições adequadas para resistir à umidade e ao uso contínuo.

O trabalho não é executado apenas por Leomar. A documentação apresentada à Câmara cita a participação de voluntários, apoiadores e de Simone Maria de Campos Souza, esposa do caminhoneiro, na rotina de produção e distribuição.

Há ainda uma etapa que costuma passar despercebida. Depois de pronta, cada casinha precisa ser carregada e transportada até o local onde ficará, tarefa que exige veículos com espaço suficiente e pessoas disponíveis para as entregas.

Os números mostram como uma pequena oficina alcançou milhares de animais

A marca de 1,7 mil casinhas em aproximadamente dois anos representa uma média superior a duas unidades concluídas por dia, considerando todos os dias do período. Na prática, a produção pode variar conforme a disponibilidade de madeira, telhas, ferramentas, voluntários e transporte.

O número de animais beneficiados é maior que o total de abrigos entregues. Isso ocorre porque uma estrutura pode atender mais de um animal, ser compartilhada ou permanecer em uso por diferentes cães e gatos ao longo do tempo, especialmente quando destinada a protetores e organizações.

Um espaço seco reduz a exposição, mas não resolve sozinho o abandono

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo recomenda que cães e gatos mantidos em áreas externas tenham um local coberto e protegido para dormir, principalmente durante noites frias ou chuvosas. Cobertores e camas precisam permanecer secos, pois tecidos úmidos podem aumentar o desconforto térmico.

Filhotes, animais idosos, doentes, de pequeno porte ou com pelos curtos exigem atenção maior. Orientações de órgãos de proteção também indicam que o abrigo deve impedir a entrada direta de vento e manter o animal afastado do solo molhado.

Uma casinha, porém, representa apenas uma camada de proteção. O animal continua precisando de água limpa, alimentação, vacinação, castração e atendimento veterinário quando apresenta ferimentos, tosse, secreção, fraqueza ou mudança de comportamento.

Também não substitui uma política permanente de adoção e controle do abandono. Os abrigos reduzem o sofrimento imediato, mas a permanência de cães e gatos nas ruas mantém riscos de atropelamento, doenças, violência e reprodução sem controle.

Doações e transporte determinam quantas novas casinhas podem ser entregues

Como as estruturas não são vendidas, a continuidade do Semeadores do Bem Pet depende da entrada de materiais e da disponibilidade dos voluntários. Madeira aproveitável, telhas, parafusos, pregos, tintas seguras e apoio no transporte estão entre as necessidades ligadas à produção.

O uso de material reutilizado reduz o desperdício, mas exige triagem. Peças apodrecidas, com pontas expostas ou contaminadas não devem ser usadas, e as casinhas precisam permitir limpeza frequente para evitar acúmulo de umidade, fezes, pulgas e carrapatos.

O reconhecimento aprovado pela Câmara de São José do Rio Preto deu visibilidade institucional ao projeto, mas o resultado continua ligado a uma rotina prática. É preciso conseguir matéria-prima, montar cada unidade, localizar quem realmente necessita do abrigo e concluir a entrega.

O que você achou da iniciativa de Leomar Miguel e da produção de casinhas com materiais reutilizados? Deixe seu comentário e conte se existe algum projeto semelhante em sua cidade. Sua informação pode ajudar protetores e voluntários a encontrar novas formas de cooperação.

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Geovane Souza

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