O sal rosa do Himalaia é extraído na Mina de Khewra, em Punjab, com detonações, carregamento manual e processamento em Lahore, antes de chegar a mais de 80 países como item premium, embora pesquisas citadas apontem microplásticos, metais pesados e benefícios à saúde sem evidência robusta para consumidores ocidentais curiosos.
O sal rosa do Himalaia sai da Mina de Khewra, na província de Punjab, no Paquistão, onde trabalhadores usam explosivos, tratores e carregamento manual para retirar blocos que podem chegar a centenas de quilos. A extração ocorre diariamente em túneis escuros, enquanto a demanda internacional transforma o produto em item caro em mercados como Europa e Estados Unidos.
As informações têm como base vídeo publicado no canal Insider Português em 10 de julho de 2026. Segundo o conteúdo, a Mina de Khewra possui grandes reservas de sal rosa, exporta produtos para mais de 80 países e sustenta uma cadeia que envolve mineração, processamento em Lahore, turismo e venda global.
Túneis escuros guardam blocos gigantes de sal

A Mina de Khewra é apresentada como uma das principais fontes de sal rosa do Himalaia no mundo, embora o sal não venha exatamente da cordilheira do Himalaia. Segundo a fonte, os depósitos ficam no Planalto de Pothohar, em altitude mais baixa, na província paquistanesa de Punjab.
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Dentro da mina, há cerca de 40 quilômetros de túneis conectando 17 níveis divididos em câmaras. A escuridão, o uso de explosivos e o peso dos blocos tornam a rotina arriscada, especialmente porque alguns pedaços brutos podem pesar até 800 quilos, demais para serem levantados à mão.
Explosivos abrem caminho dentro da montanha

Antes da extração, mineiros experientes examinam as paredes em busca de sal de maior qualidade. A avaliação combina levantamentos geológicos, experiência prática e técnicas antigas, como bater na rocha e iluminar a superfície com lanternas para identificar os melhores pontos.
Depois disso, os trabalhadores abrem buracos de cerca de 1,20 metro de profundidade e os preenchem manualmente com explosivos. Uma falha na detonação, um atraso ou a entrada cedo demais na câmara pode causar acidente, por isso o supervisor só libera o retorno depois de verificar se a área está segura.
Nem toda a rocha pode ser retirada
A mineração não remove todo o sal encontrado nas câmaras. Parte da rocha precisa permanecer como suporte estrutural para evitar colapso dentro dos túneis, mantendo a estabilidade das áreas escavadas ao longo do tempo.
Segundo a fonte, os trabalhadores extraem cerca de 400 mil toneladas de sal por ano, mas isso representa apenas uma fração das reservas da região. Mesmo nesse ritmo, a estimativa apresentada é que o depósito possa durar por séculos, sustentando a atividade por muitas gerações.
Mina sustenta famílias há gerações

A rotina na mina é tratada como uma atividade passada de geração em geração. Um dos personagens citados na fonte é Asif Mahmood, supervisor de segurança que trabalha com o sal rosa do Himalaia desde jovem e vive em uma comunidade ligada historicamente à extração.
A mina pertence ao governo, mas seções são arrendadas para empresas privadas, como a Ittefaq Salt. Segundo a transcrição, Asif recebe cerca de 100 mil rúpias por mês, o equivalente a aproximadamente US$ 350, valor apresentado como suficiente para cobrir necessidades básicas de sua família.
Cor rosa vem do óxido de ferro
O sal da região teria se formado há cerca de 600 milhões de anos, quando mares antigos evaporaram e deixaram grandes depósitos minerais. A tonalidade rosada vem de pequenas quantidades de óxido de ferro, composto também associado à coloração avermelhada da ferrugem.
Quanto maior a presença de ferro, mais intensa pode ser a cor do sal, variando de rosa claro a vermelho escuro. Essa aparência é uma das razões para o produto ganhar valor no mercado, especialmente quando vendido como item natural, decorativo ou gourmet.
Processamento acontece longe da mina

Depois da extração, os blocos seguem para fábricas como a unidade citada em Lahore, a cerca de 280 quilômetros da mina. Ali, trabalhadores avaliam as rochas, separam por cor, verificam rachaduras e removem possíveis resíduos de pólvora antes do corte.
O processamento envolve riscos próprios. As peças podem pesar até 100 quilos, e o corte com lâminas de ponta diamantada exige cuidado porque as mãos ficam próximas da máquina conforme os blocos diminuem. O perigo não termina na mina; ele continua na fábrica, no manuseio e no acabamento.
Vapores de sal também preocupam trabalhadores
Na fabricação de luminárias e outros produtos, os trabalhadores perfuram e cortam os blocos, liberando partículas e vapores de sal no ar. Para reduzir a dispersão, a fonte descreve o uso de água durante o corte e equipamentos de proteção, como luvas, toucas, óculos e máscaras.
Segundo o relato, essas partículas podem se acumular nos pulmões com o tempo e dificultar a respiração. Por isso, novos contratados passam por treinamento antes de atuar no processamento. A indústria do sal rosa depende tanto da extração quanto da proteção de quem transforma a rocha em produto vendável.
Produtos seguem para mais de 80 países

Após o corte e acabamento, o sal rosa do Himalaia é transformado em sal de cozinha, sais de banho, luminárias e itens associados à aromaterapia. Os produtos são empilhados, embalados, etiquetados e enviados para mais de 80 países.
A fábrica citada na fonte processa quase 350 toneladas métricas de sal por dia, volume comparado ao peso de um Boeing 747 totalmente carregado. Esse número ajuda a dimensionar como uma rocha retirada de túneis no Paquistão se transforma em mercadoria global.
Produto caro ganha status nos mercados ocidentais
Em supermercados dos Estados Unidos, um pote de sal rosa do Himalaia pode custar cerca de US$ 10, enquanto uma embalagem maior de sal comum pode sair por aproximadamente US$ 1, segundo a transcrição. A diferença de preço é associada à forma como o produto é comercializado.
O sal rosa costuma ser apresentado como alternativa mais natural, sofisticada ou saudável ao sal branco comum. No entanto, o preço premium não significa automaticamente benefício comprovado. A embalagem, a origem exótica e a cor ajudam a construir valor, mas não substituem evidência científica.
Promessas de saúde não têm comprovação sólida

A fonte aponta que influenciadores costumam associar o sal rosa do Himalaia a supostos benefícios como regulação do açúcar no sangue, melhora do sono e desintoxicação do organismo. Cientistas citados no conteúdo, porém, afirmam que não há evidências sólidas para sustentar essas alegações.
Essa diferença entre marketing e ciência é central para o debate. O produto pode ter apelo visual e culinário, mas promessas de cura ou desintoxicação exigem estudos robustos. Sem comprovação, benefícios de saúde viram argumento comercial, não informação confiável para o consumidor.
Estudos citados apontam microplásticos e metais pesados
A transcrição menciona estudos que indicam presença de microplásticos em amostras de sal rosa, com contaminação associada a etapas de processamento e embalagem. Também cita relatórios sobre metais pesados como chumbo, mercúrio e arsênio.
A presença desses elementos não significa que todo produto seja automaticamente perigoso em qualquer quantidade, mas reforça a necessidade de controle, análise e transparência. Quando um alimento é vendido como mais saudável, a exigência de qualidade e comprovação deveria ser ainda maior.
Lucro maior fica na cadeia de processamento

Apesar da fama internacional, o Paquistão nem sempre reteve a maior parte do valor agregado do sal rosa do Himalaia. Por anos, segundo a fonte, o país exportou sal bruto a preços baixos, especialmente para a Índia, onde parte do material era processada e revendida a mercados ocidentais como produto premium.
Após tensões políticas entre Paquistão e Índia em 2019, o comércio bilateral foi suspenso, afetando uma das principais rotas de exportação do sal bruto. A partir daí, empresas paquistanesas passaram a investir mais no processamento local, tentando capturar uma fatia maior dos lucros da cadeia global.
Khewra também virou atração turística nacional
A Mina de Khewra não é apenas área de extração. Segundo a fonte, ela recebe cerca de 250 mil turistas por ano e é vista como motivo de orgulho para muitos trabalhadores e moradores locais ligados ao setor.
Essa combinação de mineração, turismo e exportação dá ao local um papel simbólico dentro do Paquistão. O sal rosa sai da terra, vira produto de prateleira no exterior e também ajuda a construir uma narrativa nacional de identidade, trabalho e riqueza mineral.
Mercado global segue em expansão
Desde 2018, o mercado global de sal do Himalaia vem crescendo e deve chegar a quase US$ 700 milhões em 2030, segundo a transcrição enviada. A demanda avança em diferentes setores, de alimentos a cosméticos, decoração e bem-estar.
Esse crescimento reforça o paradoxo da indústria: o mesmo produto vendido como natural e saudável nasce de uma cadeia pesada, com explosivos, poeira, lâminas, exportação internacional e riscos de contaminação. O brilho rosa na prateleira esconde uma operação industrial complexa.
Do túnel ao supermercado, a história fica menos simples
A trajetória do sal rosa do Himalaia mostra como um produto aparentemente simples pode carregar mineração perigosa, trabalho manual, processamento industrial, marketing internacional e dúvidas científicas. O que chega ao consumidor como item bonito e caro começa em túneis escuros, sob explosões e carregamento pesado.
A questão final é menos sobre demonizar o produto e mais sobre entender o que está por trás dele. Você compraria sal rosa pelo sabor, pela aparência ou pelos supostos benefícios à saúde, mesmo com alertas sobre microplásticos, metais pesados e promessas sem comprovação sólida? Comente sua opinião.

