Matinhos lançou 3 milhões de m³ de areia no litoral, alargou a praia em até 100 metros e avançou com nova orla, drenagem e urbanização.
Em 2021, quando o edital da primeira fase foi lançado, o Projeto de Recuperação da Orla de Matinhos já era tratado pelo governo do Paraná como a maior intervenção urbana da história do litoral paranaense. A proposta previa recuperar 6,3 quilômetros entre o Canal da Avenida Paraná e o Balneário Flórida, enfrentar a erosão marinha, as ressacas e os alagamentos, e criar uma nova base para obras de drenagem, contenção e urbanização. Em outubro de 2022, a etapa de engorda da praia foi concluída com o lançamento de cerca de 3 milhões de metros cúbicos de areia, ampliando a faixa costeira em até 100 metros.
Na sequência, a obra avançou para estruturas marítimas, macrodrenagem, microdrenagem e revitalização da orla. Em fevereiro de 2025, o projeto já incluía a entrega da nova passarela sobre o Rio Matinhos, enquanto em março de 2025 o Instituto Água e Terra informou que a nova orla havia alcançado 98,4% de execução. O que começou como resposta ao avanço do mar e à perda de areia acabou se transformando em uma ampla reconfiguração urbana da frente marítima da cidade.
Como Matinhos chegou à maior intervenção urbana da história do litoral paranaense
Quando o projeto ganhou força institucional, o governo estadual já o tratava como a principal intervenção urbana da história do Litoral do Paraná.
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Em dezembro de 2024, a administração estadual informou que a nova orla havia alcançado 96,53% de conclusão em novembro e que a entrega da primeira fase era esperada para o primeiro trimestre de 2025.
A lógica da obra era reverter um quadro persistente de perda de sedimentos, ressacas frequentes e infraestrutura urbana vulnerável.
O objetivo deixou de ser apenas conter danos pontuais e passou a reorganizar toda a frente marítima da cidade com uma base física mais larga e protegida.
Na prática, Matinhos deixou de tratar a praia apenas como borda natural da cidade. A faixa costeira passou a ser encarada como infraestrutura urbana e ambiental, capaz de sustentar contenção, drenagem, circulação de pedestres, ciclistas e equipamentos de lazer.
Engorda da praia lançou cerca de 3 milhões de m³ de areia e ampliou a faixa costeira
A etapa mais visível do projeto foi a chamada engorda da praia. Em outubro de 2022, o governo do Paraná informou a conclusão dessa fase, destacando que a orla havia recebido areia retirada do fundo do mar e sido ampliada em até 100 metros numa extensão de 6,3 quilômetros.
O material técnico apresentado no II FluHidros descreve essa reposição como a principal estrutura flexível do projeto.
Segundo o estudo, a recuperação da orla foi feita com cerca de 3 milhões de metros cúbicos de areia provenientes de uma jazida na plataforma submarina.
Esse engordamento não foi planejado apenas como ampliação estética da praia. Ele funcionou como base física para um sistema costeiro mais amplo, integrado a guias-correntes, espigão, headlands e obras de drenagem voltadas à estabilização da faixa de areia e à proteção urbana.
Nova faixa de areia abriu caminho para contenção, drenagem e reconfiguração da orla
Depois da ampliação da praia, a obra avançou em frentes que explicam por que Matinhos não recebeu apenas mais areia.
A primeira fase incluiu estruturas marítimas semirrígidas, canais de macrodrenagem, redes de microdrenagem e a revitalização urbanística da orla.
Em março de 2025, o IAT informou que o espigão da Praia Brava, os guias-correntes da Avenida Paraná e de Matinhos e os headlands dos balneários Riviera e Flórida já estavam concluídos. O mesmo boletim apontou 100% de macrodrenagem executada.
A drenagem passou a ser um dos eixos centrais do projeto porque a obra foi pensada também para reduzir alagamentos e cheias provocados por chuvas fortes e ressacas.
Segundo o IAT, a água das ruas passa pelas canaletas da microdrenagem e segue para canais maiores, como os do Rio Matinhos, da Avenida Paraná e da Avenida Juscelino Kubitschek.
Urbanização avançou com ciclovia, pista de caminhada, acessibilidade e calçadas
A fase urbanística mostrou que o projeto foi além da engenharia costeira. O plano do governo estadual incluiu a instalação de ciclovia, pista de caminhada e corrida, pista de acessibilidade e calçada, além de novos acabamentos urbanos ao longo da orla.
Em março de 2025, o boletim do IAT registrou 98,5% de conclusão na urbanização de Caiobá e 94,6% nos demais balneários. No mesmo levantamento, a microdrenagem aparecia com 97,6% e o plantio de restinga com 79,4%.

| Crédito: Albari Rosa / AEN
Esses números mostram que a recuperação da praia acabou se transformando em uma reconfiguração completa da frente marítima. O trecho ganhou formato de corredor urbano de lazer, mobilidade e permanência, e não apenas de faixa de areia ampliada.
Passarela sobre o Rio Matinhos reforçou a integração da nova orla
Em 4 de fevereiro de 2025, o governo estadual entregou a nova passarela metálica sobre o Rio Matinhos. A estrutura tem 60 metros de comprimento por 4 metros de largura e foi projetada para uso exclusivo de pedestres e ciclistas.
Segundo o anúncio oficial, a passarela conecta Caiobá e a Praia Central aos demais balneários da cidade. Ela passou a funcionar como peça de integração da nova orla, reforçando a lógica de circulação contínua ao longo do trecho revitalizado.
Com isso, a obra ganhou um componente urbano ainda mais evidente. Além de conter erosão e melhorar drenagem, o projeto passou a reorganizar deslocamentos e ampliar o uso cotidiano da orla por moradores e turistas.
Obra mudou a imagem de Matinhos antes mesmo da conclusão total
Ainda antes da conclusão integral da primeira fase, a nova orla já vinha alterando a percepção sobre a cidade. Em dezembro de 2024, o governo do Paraná afirmou que a revitalização havia alcançado 96,53% de execução e destacou a expectativa de aumento de até 40% na ocupação da rede hoteleira para a temporada 2024/2025.

| Crédito: Albari Rosa / AEN
Esse efeito ajuda a explicar por que a intervenção ultrapassou o campo da engenharia. O que começou como resposta a ressacas, perda de areia e alagamentos passou a funcionar também como projeto de mobilidade, lazer, turismo e valorização da frente marítima.
Os dados oficiais e técnicos mostram que Matinhos deixou de atuar apenas na reposição de sedimentos. A cidade passou por um processo integrado de engordamento artificial, contenção costeira, drenagem urbana, urbanização e recuperação paisagística.
Ao longo da execução, a praia ganhou nova escala física e a cidade passou a receber estruturas de drenagem, passarela, urbanização e áreas de circulação que alteraram a lógica de uso da orla. Em vez de uma intervenção isolada, o município criou uma nova base de uso público à beira-mar, com efeitos sobre proteção costeira, mobilidade, turismo e lazer.

