Flávia Santos, Jacaraú, agricultura familiar e 300 toneladas por ano mostram como um pequeno sítio virou referência de produção rural na Paraíba.
Em Jacaraú, no Litoral Norte da Paraíba, a agricultora Flávia Santos transformou o retorno ao sítio da família em um caso concreto de expansão da agricultura familiar. Segundo a Agência Sebrae de Notícias da Paraíba, ela produz cerca de 300 toneladas de alimentos por ano, resultado alcançado após reorganizar a pequena propriedade com foco em produção, comercialização e gestão.
A virada começou em 2006, quando Flávia decidiu voltar definitivamente ao campo depois de tentar trabalho fora da zona rural. De acordo com a mesma reportagem, ela investiu cerca de R$ 2.500, valor guardado da licença-maternidade, para retomar as atividades no sítio da família e reconstruir a própria trajetória a partir da terra.
De R$ 2,5 mil guardados na poupança a 300 toneladas de alimentos por ano no interior da Paraíba
O dado que mais chama atenção na história de Flávia Santos é o tamanho da produção alcançada. Segundo a Agência Sebrae de Notícias da Paraíba, a agricultora passou a produzir cerca de 300 toneladas de alimentos por ano em uma propriedade familiar de Jacaraú, mostrando que pequenas áreas rurais podem ganhar escala quando deixam de operar apenas na lógica da sobrevivência e passam a ser conduzidas com visão de negócio.
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A reportagem do Sebrae/PB destaca que o projeto não nasceu com grande capital, estrutura empresarial pronta ou investimento elevado. O ponto de partida foi o dinheiro da licença-maternidade, aplicado por Flávia no sítio da família quando ela decidiu reassumir o vínculo com o campo e apostar na atividade agrícola como fonte principal de renda.
Retorno ao campo transformou a pequena propriedade em negócio rural mais estruturado
Segundo a Agência Sebrae de Notícias da Paraíba, Flávia começou cedo no trabalho agrícola, ainda aos oito anos.
Na adolescência, porém, buscou novas oportunidades na cidade e chegou a trabalhar como empregada doméstica, antes de concluir que queria voltar à zona rural e assumir outro papel dentro da propriedade da família.

O retorno definitivo aconteceu em 2006. A partir daí, a produção deixou de ser apenas uma continuidade da rotina rural herdada da família e passou a ser organizada como atividade econômica com ambição de crescimento, diversificação de vendas e maior controle sobre a renda gerada no sítio.
Essa mudança de postura foi central para a evolução do negócio. O sítio, antes associado a trabalho duro e limitações, passou a ser visto como base de produção, patrimônio econômico e espaço de construção de futuro.
Apoio do Sebrae/PB e do ALI Rural ajudou a organizar a produção e a gestão
O avanço da propriedade também esteve ligado ao apoio técnico. Segundo a Agência Sebrae de Notícias da Paraíba, Flávia está entre as produtoras atendidas pelo Programa Agente Local de Inovação Rural, o ALI Rural, iniciativa do Sebrae/PB voltada ao acompanhamento de produtores e empreendimentos do campo.
A função desse tipo de apoio é atacar um dos pontos mais sensíveis da agricultura familiar: a gestão. Produzir bem é apenas uma parte do processo. Para transformar a atividade rural em negócio sustentável, também é necessário organizar rotinas, enxergar possibilidades de crescimento e melhorar o controle sobre a operação.
Na reportagem do Sebrae/PB, a própria agricultora afirma que a orientação recebida foi importante para se organizar melhor e visualizar novas possibilidades para a propriedade. O resultado foi a consolidação de um modelo mais estruturado de produção e comercialização no campo.
Feiras, atravessadores e projetos sociais ampliaram os canais de renda da propriedade
Outro ponto decisivo da trajetória foi a diversificação dos canais de venda. Segundo a Agência Sebrae de Notícias da Paraíba, Flávia começou comercializando a produção em feiras e, com o tempo, passou também a vender para atravessadores e para projetos sociais do governo e da prefeitura, mantendo a feira como destino do excedente.
Esse movimento é estratégico para pequenos produtores porque reduz a dependência de um único comprador. Em culturas perecíveis, ampliar as portas de saída da produção é uma forma de proteger a renda e diminuir o risco de perdas quando há sobra de mercadoria ou oscilação de demanda.
A entrada em projetos sociais também fortalece a conexão entre agricultura familiar e abastecimento local. Na prática, o alimento produzido no sítio circula em redes públicas e comunitárias, ao mesmo tempo em que gera receita para a família agricultora.
Agricultura familiar ganha força quando une tradição, organização e visão de negócio
A história de Flávia Santos mostra que a agricultura familiar não depende apenas de terra disponível e força de trabalho. Ela também precisa de planejamento, apoio técnico, acesso a mercado e capacidade de adaptação para converter produção em renda sustentável.
O caso também reforça a presença feminina no comando das propriedades rurais. A Agência Sebrae de Notícias da Paraíba informou que, naquele período, o ALI Rural atendia 17 agricultoras nas regionais do estado, contexto em que a trajetória de Flávia passou a representar um exemplo mais amplo de liderança de mulheres no campo.
Ao mesmo tempo, a produtora preservou a ligação com a própria origem. Ela não venceu apesar da roça, mas a partir dela, usando o sítio da família como base para construir um negócio rural mais consistente, produtivo e organizado.
Flávia Santos transformou o retorno ao sítio em exemplo de empreendedorismo rural na Paraíba
A trajetória reúne elementos fortes de uma pauta rural com lastro factual: origem simples, passagem pela cidade, retorno ao campo, investimento inicial baixo, apoio técnico e resultado mensurável. O número de 300 toneladas por ano tira a história do campo simbólico e a coloca como caso concreto de produção e gestão na agricultura familiar paraibana.
Em Jacaraú, Flávia mostrou que o campo pode deixar de ser apenas espaço de sobrevivência e se tornar empreendimento estruturado. Com organização, acompanhamento e ampliação dos canais de venda, o sítio familiar passou a sustentar uma produção de grande volume para os padrões de uma pequena propriedade rural.
O caso também evidencia que inovação no campo nem sempre depende de máquinas caras ou soluções distantes da realidade local. Em muitos casos, a mudança começa com gestão, orientação, disciplina produtiva e capacidade de enxergar a terra como negócio de longo prazo.

