Antônio Albédio Soares saiu do Ceará, voltou após 25 anos e triplicou a produtividade do milho com o Prospera no semiárido nordestino.
Na pequena Novo Oriente, no interior do Ceará, Antônio Albédio Soares passou boa parte da vida vendo a agricultura perder espaço para a seca, os baixos rendimentos e a falta de estrutura. Segundo a Global Communities, o produtor, agricultor de segunda geração, deixou a região ainda jovem, trabalhou por décadas em grandes cidades e só voltou em 2021, depois de ouvir que alguns agricultores de sua terra natal estavam conseguindo melhorar a renda com novas técnicas de cultivo.
A volta marcou uma virada. Após entrar no Prospera em 2022, Soares passou a receber treinamento prático, assistência técnica e acesso a insumos e mecanização. Segundo a Global Communities, a produtividade dele saltou de 25 sacos de milho para uma média de 84 sacos, resultado que recolocou a lavoura no centro da renda da família e transformou sua propriedade em vitrine para outros produtores da comunidade.
Semiárido, baixa produtividade e custo alto empurraram agricultores para fora do campo
Segundo a Global Communities, a região de origem de Soares está no semiárido nordestino, onde o cultivo costuma ficar restrito a apenas dois ou três meses por ano.
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Somados à irregularidade das chuvas, os produtores ainda enfrentam baixa rentabilidade, presença de atravessadores e dificuldade de acesso a máquinas e tecnologia, fatores que ajudam a explicar por que tantos agricultores deixam o campo.
A própria fala de Soares resume esse cenário. Na página do Prospera, mantida pela Global Communities Brasil, ele afirma que as condições climáticas já não permitem produzir como antes e que o custo de manter a terra se tornou alto demais para uma lavoura que, durante muito tempo, mal garantia a subsistência da família.
Prospera nasceu para modernizar o cultivo de milho no Nordeste
O Prospera foi criado em 2016 para fortalecer a cadeia do milho no Nordeste com capacitação, assistência técnica, acesso a tecnologias e conexão com a cadeia de valor.
A Global Communities Brasil informa que, entre 2017 e 2024, o programa capacitou mais de 14 mil agricultores familiares e impactou mais de 40 mil pessoas, com foco em produtividade, renda e segurança alimentar.
Segundo a Global Communities e a própria página do programa, a iniciativa combina treinamentos teóricos e práticos, lavouras demonstrativas, orientação presencial e virtual, além de apoio com sementes, fertilizantes, proteção de cultivos e mecanização. A proposta é tirar o pequeno produtor da improvisação e aproximá-lo de um sistema mais técnico de produção.
A volta de Soares ao Ceará terminou com um salto de produtividade no milho
De acordo com a Global Communities, Soares começou a colher milho em uma área de 10 acres logo após entrar no programa e percebeu mudança rápida no desempenho da lavoura. A produtividade média passou de 25 para 84 sacos, mais que o triplo do patamar anterior, o que permitiu consolidar seu retorno a Novo Oriente.

A repercussão foi imediata na vizinhança. A mesma reportagem informa que Soares, junto com o Prospera, organizou um evento de um dia em sua própria propriedade para compartilhar o que aprendeu sobre tecnologia no campo, e mais de 250 agricultores compareceram para ver de perto os resultados.
O milho é central na região, mas a oferta local ainda está muito abaixo da demanda
O caso de Soares ganha peso maior porque o Nordeste ainda convive com um forte déficit na produção de milho. Segundo a Corteva Agriscience, os cinco estados atendidos pelo programa produzem cerca de 900 mil toneladas, enquanto a demanda local supera 6,6 milhões de toneladas, puxada principalmente pelos setores aviário e pecuário.
Essa diferença ajuda a explicar por que programas de aumento de produtividade ganharam espaço na região. A mesma comunicação da Corteva afirma que, no Ceará, áreas apoiadas pelo Prospera podem alcançar entre 90 e 120 sacas por hectare, patamar muito superior ao de sistemas menos tecnificados.
A experiência de Novo Oriente virou exemplo de permanência no campo
Segundo a Global Communities, um dos efeitos mais importantes do programa foi a mudança de percepção sobre a própria agricultura no semiárido.

A organização relata que, depois de ver os resultados, jovens da comunidade passaram a olhar para a lavoura com mais confiança, enquanto produtores mais velhos reduziram a resistência ao uso de tecnologia.
A história de Antônio Albédio Soares sintetiza essa virada. Depois de sair do Ceará em busca de renda urbana, ele voltou, elevou a produção de milho, expandiu a área cultivada e virou referência local em um território onde o êxodo rural por muito tempo parecia inevitável.
