Paula e Marcelo Hofmeister transformaram conhecimentos adquiridos fora da propriedade em ferramentas de gestão, sustentabilidade, tecnologia e planejamento para fortalecer a Estância Coronilha
A história dos irmãos Paula e Marcelo Hofmeister mostra como a saída do campo pode representar uma etapa importante na sucessão rural.
Ainda crianças, os dois deixaram a propriedade da família, em Pedras Altas, no Rio Grande do Sul, para continuar os estudos em Pelotas.
Anos depois, passaram a aplicar conhecimentos profissionais na administração da fazenda, que reúne pecuária, soja, videiras, vinhos e espumantes.
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Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, a trajetória dos irmãos foi apresentada em uma reportagem publicada em outubro de 2024.

Infância na propriedade criou ligação com o trabalho rural
Paula e Marcelo cresceram acompanhando os pais e os avós nas atividades da Estância Coronilha.
Marcelo deixou o campo aos 11 anos. Paula, por sua vez, tinha 10 anos quando os irmãos se mudaram para Pelotas.
Mesmo com a mudança, a ligação com a propriedade familiar foi mantida.
Principalmente, os pais incentivaram os filhos a estudar, conhecer outras realidades e escolher suas próprias profissões.
Dessa maneira, a sucessão rural não foi tratada como uma obrigação.
A experiência na cidade, portanto, passou a funcionar como preparação para uma participação mais técnica no negócio da família.
Fazenda combina pecuária, soja e produção de vinhos
A Estância Coronilha mantém diferentes atividades produtivas.
Atualmente, a família trabalha com criação de bovinos e ovinos. Além disso, participa de operações relacionadas à produção e ao armazenamento de soja.
Parte da propriedade também foi destinada ao cultivo de videiras europeias.
As uvas deram origem ao Vinhedo Pedras Altas, responsável pela fabricação e comercialização de vinhos e espumantes.
Consequentemente, a fazenda reduziu a dependência de uma única atividade.
A diversificação, ao mesmo tempo, criou novas possibilidades de receita e preservou práticas desenvolvidas pelas gerações anteriores.
Irmãos construíram carreiras ligadas ao agronegócio
Paula formou-se em Engenharia Ambiental.
Posteriormente, passou a atuar como assessora ambiental e coordenadora de uma comissão de meio ambiente ligada à Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul.
Marcelo, entretanto, graduou-se em Administração de Empresas.
Além disso, acumulou experiência em gestão financeira no agronegócio e realizou um intercâmbio de dois anos na Nova Zelândia.
Depois, começou a trabalhar em uma consultoria dedicada à gestão de propriedades e empresas agropecuárias.
Assim, embora seguissem caminhos diferentes, os dois permaneceram conectados às necessidades da fazenda.
Tecnologia permite administração mesmo a distância
A distância física não impediu Marcelo de participar da gestão da Estância Coronilha.
Remotamente, ele passou a acompanhar fluxo de caixa, balanços, investimentos e decisões financeiras.
Paula, por outro lado, permaneceu mais próxima das atividades ambientais e produtivas.
As decisões estratégicas passaram a ser discutidas em conjunto com os pais.
Nesse processo, ferramentas digitais facilitaram a comunicação e o acompanhamento dos resultados.
Portanto, a tecnologia permitiu que os irmãos mantivessem suas carreiras e, simultaneamente, colaborassem com a propriedade.
Retorno durante a pandemia ampliou participação na fazenda
Durante a pandemia, Marcelo retornou temporariamente à Estância Coronilha.
Em 2020, ele ingressou no Programa CNA Jovem e desenvolveu um projeto de educação financeira para famílias rurais.
A proposta ensinava produtores a separar despesas pessoais e empresariais.
Além disso, o projeto abordava formação de reservas de emergência e organização de investimentos.
Posteriormente, a iniciativa ficou entre as dez finalistas do programa.
Paula também participou do CNA Jovem.
Seu projeto tratava da relação entre meio ambiente, agronegócio e fontes renováveis de energia.
Em 2019, ela ficou entre os três destaques da edição e participou de uma viagem ao Vale do Silício, nos Estados Unidos.
Conhecimento adquirido na cidade fortaleceu a sucessão rural
A formação acadêmica e a experiência profissional dos irmãos passaram a apoiar diretamente o planejamento da propriedade.
Gestão financeira, sustentabilidade, inovação e tecnologia foram incorporadas às decisões familiares.
Dessa forma, a história mostra que deixar o campo para estudar não significa abandonar as origens.
Pelo contrário, o conhecimento obtido fora da fazenda pode ajudar a modernizar atividades, organizar finanças e preparar a continuidade entre gerações.
Você acredita que permitir aos jovens estudar e construir experiência fora do campo pode fortalecer a sucessão rural e transformar propriedades familiares em negócios mais modernos, sustentáveis e diversificados?
