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Mulher deixou emprego de caixa em supermercado para criar polpas congeladas com frutas que sobravam na roça da família em comunidade quilombola de Minas, transformou o excedente em negócio e criou a única fábrica formalizada do município, que hoje processa até 10 mil kg por mês e abastece escolas, comércio regional e grandes refeições industriais

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Escrito por Carla Teles Publicado em 11/07/2026 às 22:00 Atualizado em 11/07/2026 às 22:04
Mulher deixou emprego de caixa em supermercado para criar polpas congeladas com frutas que sobravam na roça da família em comunidade quilombola de Minas, transformou
Polpas congeladas de Cristiane Lima viram fábrica de polpas na comunidade quilombola Esperança, em Belo Oriente. Imagem: Divulgação
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Segundo a Agência Sebrae de Notícias, Cristiane Lima transformou frutas excedentes em polpas congeladas na comunidade quilombola Esperança, em Belo Oriente, deixou o emprego de caixa, formalizou a única fábrica de polpas do município e hoje processa até 10 mil kg mensais, abastecendo escolas, comércio regional e refeições industriais em Minas.

As polpas congeladas mudaram o destino das frutas cultivadas pela família de Cristiane Lima na comunidade quilombola Esperança, em Belo Oriente, Minas Gerais. O que começou como uma alternativa para evitar desperdício virou uma agroindústria formalizada, com produção mensal que chega a 10 mil quilos.

A história foi publicada pela Agência Sebrae de Notícias Minas Gerais em 11 de março de 2026 e atualizada em 12 de março de 2026. Segundo a reportagem, Cristiane deixou o emprego de caixa de supermercado em 2020 para assumir a fábrica em tempo integral, depois que a demanda pelas polpas cresceu.

Frutas excedentes viraram matéria-prima para o negócio

Polpas congeladas de Cristiane Lima viram fábrica de polpas na comunidade quilombola Esperança, em Belo Oriente.
Imagem: Divulgação

A origem do projeto está na produção agrícola dos irmãos de Cristiane, Diego e Warley Lima. Em 2018, eles deixaram o trabalho fora da cidade e passaram a investir na agricultura familiar, começando pelo cultivo de maracujá e ampliando aos poucos para outras frutas.

Quando a segunda safra veio acima do esperado, Cristiane sugeriu transformar o excedente em polpas congeladas. A ideia não nasceu como uma fábrica pronta, mas como uma solução para dar destino comercial às frutas que poderiam se perder na roça da família.

Pequena estrutura deu origem à Polpas Puro Sabor

A primeira etapa da produção começou com equipamentos simples: uma despolpadeira, congeladores e um liquidificador industrial. Foi a partir dessa estrutura inicial que nasceu a Polpas Puro Sabor, ainda com operação familiar e distribuição voltada ao mercado local.

No começo, a mãe e a filha de Cristiane assumiram a produção. As polpas abasteciam escolas municipais da região por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar, o PNAE, além de feiras e comércios de hortifrúti no entorno de Belo Oriente.

Cristiane deixou o supermercado para tocar a fábrica

Com o crescimento da demanda, os irmãos se concentraram nos pomares e Cristiane passou a cuidar da fábrica de forma integral. Em 2020, ela deixou o emprego como caixa de supermercado para se dedicar ao processamento das frutas e à organização do negócio.

A mudança representou uma decisão de gestão dentro da família. Enquanto parte dos parentes ficou no cultivo, Cristiane assumiu a etapa industrial, criando uma ponte entre agricultura familiar, processamento de alimentos e venda regular para diferentes compradores.

Formalização exigiu estrutura e adequação técnica

Segundo a ASN Minas Gerais, Cristiane contou com apoio da Associação dos Remanescentes Quilombolas de Esperança e recursos captados junto ao poder público para adequar a estrutura aos parâmetros do Ministério da Agricultura.

Com essa reorganização, a fábrica recebeu câmara fria, gerador e veículo para entregas. A adequação foi decisiva para ampliar a capacidade de atendimento, manter regularidade de produção e fortalecer a posição da empresa como fábrica formalizada no município.

Única fábrica formalizada de polpas no município

Hoje, a empresa é apontada pela reportagem como a única fábrica de polpas formalizada em Belo Oriente. A produção pode chegar a 10 mil quilos mensais de polpas congeladas, dependendo da demanda e da oferta de frutas.

O portfólio inclui maracujá, graviola, limão, acerola, goiaba, abacaxi, manga e caju. As frutas vêm dos irmãos de Cristiane e também de outros agricultores da comunidade, criando uma rede de fornecimento ligada ao território quilombola.

Comunidade quilombola fortalece a produção local

A comunidade quilombola Esperança é descrita pela reportagem como uma das maiores do Alto e Médio Rio Doce. São 286 famílias, com cerca de 100 dedicadas diretamente à produção agrícola, atendendo onze cidades da região.

Esse contexto ajuda a explicar a importância da fábrica. Ao comprar e processar frutas da própria comunidade, o negócio aumenta o aproveitamento da safra, gera renda local e ajuda agricultores a manterem atividade no campo com mais previsibilidade.

Capacitações ajudaram a reorganizar marca e processos

Em 2025, Cristiane participou de capacitações promovidas pelo Sebrae Minas em parceria com o Instituto Cenibra, a Associação dos Remanescentes Quilombolas e a Prefeitura de Belo Oriente. O Empretec Rural aparece na reportagem como um ponto importante dessa nova fase.

A empresa também recebeu consultorias do Sebraetec, que ajudaram na identidade visual, na reorganização dos processos produtivos e na orientação sobre o novo nome, “Gostim di Fruta”, em processo de registro no INPI. As embalagens foram modernizadas para transmitir melhor a identidade do negócio.

Novo contrato abriu espaço em refeições industriais

A reportagem informa que Cristiane e outros dois produtores locais fecharam contrato inédito para fornecer alimentos à GRSA, empresa que abastece o restaurante industrial da Cenibra. Os produtos já fazem parte do cardápio de cerca de 5 mil refeições servidas diariamente aos colaboradores da indústria de celulose.

Esse avanço amplia o alcance das polpas congeladas para além das escolas, feiras e comércio regional. A entrada em refeições industriais mostra que uma produção local, quando formalizada e organizada, pode acessar mercados maiores sem perder vínculo com a agricultura familiar.

Família também passou a atuar dentro da empresa

O crescimento da fábrica envolveu outros membros da família de Cristiane. O marido, José Silva, deixou o emprego formal para se dedicar ao negócio, enquanto a filha do casal, Lívia Cristine, atua na produção e cursa Nutrição.

A formação de Lívia tem relação direta com os planos técnicos da empresa. Segundo a reportagem, o objetivo é contribuir para o crescimento do negócio, aproximando a produção de alimentos de conhecimento em nutrição, qualidade e desenvolvimento de novos processos.

Caso mostra como excedente pode virar economia local

A trajetória das polpas congeladas em Belo Oriente mostra que o excedente agrícola pode ganhar valor quando existe processamento, organização e acesso a mercado. O que antes era fruta sobrando na produção familiar virou fábrica, renda e fornecimento para diferentes canais.

Cristiane ainda planeja ampliar a capacidade da fábrica, aperfeiçoar a logística e seguir investindo em gestão. Você acha que mais comunidades rurais deveriam receber apoio para transformar excedentes agrícolas em produtos formalizados, como polpas congeladas, ou esse caminho ainda é difícil para pequenos produtores? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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