Segundo a Agência Sebrae de Notícias, Cristiane Lima transformou frutas excedentes em polpas congeladas na comunidade quilombola Esperança, em Belo Oriente, deixou o emprego de caixa, formalizou a única fábrica de polpas do município e hoje processa até 10 mil kg mensais, abastecendo escolas, comércio regional e refeições industriais em Minas.
As polpas congeladas mudaram o destino das frutas cultivadas pela família de Cristiane Lima na comunidade quilombola Esperança, em Belo Oriente, Minas Gerais. O que começou como uma alternativa para evitar desperdício virou uma agroindústria formalizada, com produção mensal que chega a 10 mil quilos.
A história foi publicada pela Agência Sebrae de Notícias Minas Gerais em 11 de março de 2026 e atualizada em 12 de março de 2026. Segundo a reportagem, Cristiane deixou o emprego de caixa de supermercado em 2020 para assumir a fábrica em tempo integral, depois que a demanda pelas polpas cresceu.
Frutas excedentes viraram matéria-prima para o negócio

A origem do projeto está na produção agrícola dos irmãos de Cristiane, Diego e Warley Lima. Em 2018, eles deixaram o trabalho fora da cidade e passaram a investir na agricultura familiar, começando pelo cultivo de maracujá e ampliando aos poucos para outras frutas.
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Quando a segunda safra veio acima do esperado, Cristiane sugeriu transformar o excedente em polpas congeladas. A ideia não nasceu como uma fábrica pronta, mas como uma solução para dar destino comercial às frutas que poderiam se perder na roça da família.
Pequena estrutura deu origem à Polpas Puro Sabor
A primeira etapa da produção começou com equipamentos simples: uma despolpadeira, congeladores e um liquidificador industrial. Foi a partir dessa estrutura inicial que nasceu a Polpas Puro Sabor, ainda com operação familiar e distribuição voltada ao mercado local.
No começo, a mãe e a filha de Cristiane assumiram a produção. As polpas abasteciam escolas municipais da região por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar, o PNAE, além de feiras e comércios de hortifrúti no entorno de Belo Oriente.
Cristiane deixou o supermercado para tocar a fábrica
Com o crescimento da demanda, os irmãos se concentraram nos pomares e Cristiane passou a cuidar da fábrica de forma integral. Em 2020, ela deixou o emprego como caixa de supermercado para se dedicar ao processamento das frutas e à organização do negócio.
A mudança representou uma decisão de gestão dentro da família. Enquanto parte dos parentes ficou no cultivo, Cristiane assumiu a etapa industrial, criando uma ponte entre agricultura familiar, processamento de alimentos e venda regular para diferentes compradores.
Formalização exigiu estrutura e adequação técnica
Segundo a ASN Minas Gerais, Cristiane contou com apoio da Associação dos Remanescentes Quilombolas de Esperança e recursos captados junto ao poder público para adequar a estrutura aos parâmetros do Ministério da Agricultura.
Com essa reorganização, a fábrica recebeu câmara fria, gerador e veículo para entregas. A adequação foi decisiva para ampliar a capacidade de atendimento, manter regularidade de produção e fortalecer a posição da empresa como fábrica formalizada no município.
Única fábrica formalizada de polpas no município
Hoje, a empresa é apontada pela reportagem como a única fábrica de polpas formalizada em Belo Oriente. A produção pode chegar a 10 mil quilos mensais de polpas congeladas, dependendo da demanda e da oferta de frutas.
O portfólio inclui maracujá, graviola, limão, acerola, goiaba, abacaxi, manga e caju. As frutas vêm dos irmãos de Cristiane e também de outros agricultores da comunidade, criando uma rede de fornecimento ligada ao território quilombola.
Comunidade quilombola fortalece a produção local
A comunidade quilombola Esperança é descrita pela reportagem como uma das maiores do Alto e Médio Rio Doce. São 286 famílias, com cerca de 100 dedicadas diretamente à produção agrícola, atendendo onze cidades da região.
Esse contexto ajuda a explicar a importância da fábrica. Ao comprar e processar frutas da própria comunidade, o negócio aumenta o aproveitamento da safra, gera renda local e ajuda agricultores a manterem atividade no campo com mais previsibilidade.
Capacitações ajudaram a reorganizar marca e processos
Em 2025, Cristiane participou de capacitações promovidas pelo Sebrae Minas em parceria com o Instituto Cenibra, a Associação dos Remanescentes Quilombolas e a Prefeitura de Belo Oriente. O Empretec Rural aparece na reportagem como um ponto importante dessa nova fase.
A empresa também recebeu consultorias do Sebraetec, que ajudaram na identidade visual, na reorganização dos processos produtivos e na orientação sobre o novo nome, “Gostim di Fruta”, em processo de registro no INPI. As embalagens foram modernizadas para transmitir melhor a identidade do negócio.
Novo contrato abriu espaço em refeições industriais
A reportagem informa que Cristiane e outros dois produtores locais fecharam contrato inédito para fornecer alimentos à GRSA, empresa que abastece o restaurante industrial da Cenibra. Os produtos já fazem parte do cardápio de cerca de 5 mil refeições servidas diariamente aos colaboradores da indústria de celulose.
Esse avanço amplia o alcance das polpas congeladas para além das escolas, feiras e comércio regional. A entrada em refeições industriais mostra que uma produção local, quando formalizada e organizada, pode acessar mercados maiores sem perder vínculo com a agricultura familiar.
Família também passou a atuar dentro da empresa
O crescimento da fábrica envolveu outros membros da família de Cristiane. O marido, José Silva, deixou o emprego formal para se dedicar ao negócio, enquanto a filha do casal, Lívia Cristine, atua na produção e cursa Nutrição.
A formação de Lívia tem relação direta com os planos técnicos da empresa. Segundo a reportagem, o objetivo é contribuir para o crescimento do negócio, aproximando a produção de alimentos de conhecimento em nutrição, qualidade e desenvolvimento de novos processos.
Caso mostra como excedente pode virar economia local
A trajetória das polpas congeladas em Belo Oriente mostra que o excedente agrícola pode ganhar valor quando existe processamento, organização e acesso a mercado. O que antes era fruta sobrando na produção familiar virou fábrica, renda e fornecimento para diferentes canais.
Cristiane ainda planeja ampliar a capacidade da fábrica, aperfeiçoar a logística e seguir investindo em gestão. Você acha que mais comunidades rurais deveriam receber apoio para transformar excedentes agrícolas em produtos formalizados, como polpas congeladas, ou esse caminho ainda é difícil para pequenos produtores? Deixe sua opinião nos comentários.
