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Cidade no meio do Sertão nordestino vira gigante das frutas: lidera polo que exporta para mais de 50 países, produz 236 mil toneladas de uva por ano e movimenta quase US$ 1 bilhão

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 12/07/2026 às 20:48 Atualizado em 12/07/2026 às 20:52
Assista o vídeoCidade no meio do Sertão nordestino surpreende o mundo: Petrolina comanda polo de frutas com mais de 200 empresas, vendas para 50 países e faturamento próximo de US$ 1 bilhão
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Com água do Rio São Francisco, tecnologia e duas safras anuais, Petrolina e Juazeiro transformaram o Sertão em referência mundial, gerando até 250 mil empregos e enfrentando desafios logísticos para ampliar as exportações de frutas

O polo de fruticultura de Petrolina, formado com Juazeiro e outros municípios do Vale do São Francisco, transformou uma área do Sertão em referência nacional na produção irrigada. Em 2024, a região vendeu frutas para mais de 50 países, faturou perto de US$ 1 bilhão e concentrou até 99% das exportações brasileiras de uva.

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Polo de fruticultura de Petrolina reúne mais de 200 empresas

Localizado às margens do Rio São Francisco, o polo Petrolina-Juazeiro abrange municípios de Pernambuco e da Bahia.

Segundo a Valexport, associação dos produtores, mais de 200 empresas ligadas à exportação atuam na região.

A manga e a uva de mesa são os principais produtos, conforme a Prefeitura de Petrolina. A produção anual de uvas ultrapassa 236 mil toneladas, abastecendo tanto o mercado brasileiro quanto compradores internacionais.

Dados do ComexStat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostram que o Vale do São Francisco respondeu por aproximadamente 98% a 99% das exportações brasileiras de uva em 2024.

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Água, sol e pesquisa mudaram a produção no Sertão

O crescimento da fruticultura foi sustentado pela combinação entre irrigação, clima seco e desenvolvimento tecnológico.

Uma rede de 156 quilômetros de canais construída pela Codevasf leva água do Rio São Francisco até as áreas produtoras.

A baixa quantidade de chuvas e a presença constante do sol ajudam a reduzir doenças nas lavouras. Essas condições também permitem duas ou mais colheitas anuais, ampliando a produção obtida em uma mesma área.

Na produção de uvas, o Vale consegue realizar duas safras por ano. No Rio Grande do Sul, por comparação, a colheita ocorre uma vez anualmente, segundo os dados apresentados no material consultado.

A Embrapa Semiárido, instalada em Petrolina, desenvolve desde 1975 variedades de manga e uva adaptadas ao clima seco.

A pesquisa contribui para manter a produtividade e atender às exigências dos mercados compradores.

Os produtores também seguem a Produção Integrada de Frutas e utilizam certificações como a GlobalGAP, exigida por redes de supermercados europeias.

Frutas chegam à Europa, Estados Unidos e Ásia

Europa e Estados Unidos estão entre os principais destinos das frutas produzidas no polo de fruticultura de Petrolina.

China, Japão, Coreia do Sul e países do Oriente Médio também passaram a integrar a lista de mercados atendidos.

Em 2024, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco confirmou a abertura do mercado asiático para a uva pernambucana.

O período mais intenso das exportações ocorre entre agosto e setembro, quando a produção regional alcança seu pico.

Estimativas do setor indicam que entre 200 mil e 250 mil pessoas dependem direta ou indiretamente da fruticultura.

A cadeia envolve atividades de colheita, embalagem, transporte, pesquisa, laboratórios e escritórios especializados em exportação.

A Apex-Brasil mantém em Petrolina um Centro de Excelência em Exportação de Frutas, em parceria com a Facape. Nos últimos três anos, o Programa de Qualificação para Exportação, o PEIEX, capacitou 275 empresas.

Distância dos portos ainda encarece as exportações

A logística permanece como um dos principais gargalos. Poucas frutas seguem pelo Porto de Suape. Os exportadores utilizam principalmente Pecém, Natal e Salvador, enfrentando trajetos que podem chegar a 800 quilômetros entre as fazendas e o embarque.

Essa distância aumenta o valor do frete e reduz a margem dos produtores. A Ferrovia Transnordestina, ainda em construção, aparece nos planos do setor como uma alternativa para reduzir pela metade os custos logísticos.

A abertura do mercado chinês para as uvas e o desenvolvimento de novas variedades pela Embrapa Semiárido também integram as estratégias para ampliar as vendas e superar US$ 1 bilhão em exportações nos próximos anos.

Esta matéria foi elaborada com base em informações da Valexport, Prefeitura de Petrolina, ComexStat, Codevasf, Embrapa Semiárido, Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Apex-Brasil e Facape, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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