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China devolve 20 navios de soja brasileira, Cargill cancela embarques e o caos se instala, mas agora Pequim recua, flexibiliza regras sobre ervas daninhas e as cargas finalmente devem ser liberadas nos próximos dias

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 20/03/2026 às 23:41
China flexibiliza regras sobre ervas daninhas na soja brasileira após devolver 20 navios. Cargill havia cancelado exportações. Cargas devem ser liberadas.
China flexibiliza regras sobre ervas daninhas na soja brasileira após devolver 20 navios. Cargill havia cancelado exportações. Cargas devem ser liberadas.
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A crise da soja brasileira com a China ganhou novo capítulo: autoridades chinesas aceitaram abandonar o critério de tolerância zero para ervas daninhas nos navios retidos nos portos após a Cargill cancelar embarques, permitindo a certificação e liberação das cargas em decisão que ainda depende de negociações bilaterais.

A soja brasileira viveu semanas de tensão no comércio com a China, mas a crise dá sinais de resolução. Após devolver cerca de 20 navios carregados com grãos por conterem ervas daninhas proibidas no país asiático, as autoridades chinesas aceitaram flexibilizar as regras sanitárias e abandonar o critério de tolerância zero que havia paralisado parte dos embarques. A informação consta em um documento da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, publicado nesta sexta-feira no Sistema Eletrônico de Informações do governo federal.

Conforme o G1, a decisão alivia o setor exportador brasileiro em um momento crítico. A China é o destino de cerca de 80% das exportações de soja brasileira, e o endurecimento das inspeções havia gerado um efeito cascata que incluiu o cancelamento de embarques pela Cargill, uma das maiores exportadoras de grãos do mundo. Agora, com a flexibilização, o governo brasileiro determinou a certificação de navios mesmo quando houver presença de ervas daninhas apontada em laudos laboratoriais, o que deve destravar as cargas retidas e normalizar o fluxo comercial nos próximos dias.

O que aconteceu com os 20 navios de soja brasileira devolvidos pela China

Nos últimos dias, a China devolveu cerca de 20 navios brasileiros que transportavam soja brasileira misturada a sementes de ervas daninhas proibidas pela legislação fitossanitária chinesa.

O órgão responsável pela fiscalização na China, o GACC, havia notificado o governo brasileiro no final do ano passado de que carregamentos estavam chegando com excesso de sementes proibidas e materiais estranhos, mas a cobrança se intensificou nas últimas semanas.

Segundo Raphael Bulascoschi, analista do mercado de soja da StoneX Brasil, a China voltou a cobrar o Ministério da Agricultura de forma mais dura, o que levou o governo a adotar uma postura de tolerância zero para evitar tensões diplomáticas.

Na prática, o Ministério passou a fazer inspeções mais frequentes e deixou de emitir certificados fitossanitários para carregamentos que não cumpriam as exigências. Sem esse certificado, as empresas ficavam impedidas de entregar a carga na China e de receber o pagamento.

Por que a Cargill cancelou embarques de soja para a China

Foi nesse contexto de endurecimento que a Cargill, uma das maiores exportadoras de grãos do mundo, decidiu cancelar embarques de soja brasileira para a China no dia 12 de março.

A decisão refletiu a impossibilidade prática de garantir que os carregamentos atendessem ao critério de tolerância zero exigido pelo GACC, uma vez que, conforme explicou o próprio governo brasileiro em reunião com as autoridades chinesas, não é possível atestar a ausência absoluta de sementes de ervas daninhas em soja, dado as características de produção.

Procurada pelo g1, a Cargill informou que suas entidades representativas, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), se pronunciariam sobre o caso.

Em nota conjunta publicada na quinta-feira, as entidades disseram apenas que acompanham de forma atenta os recentes desdobramentos das exportações de soja. A falta de detalhes por parte das entidades aumentou a percepção de incerteza no mercado e contribuiu para a pressão sobre o governo brasileiro por uma solução diplomática com Pequim.

Como a China flexibilizou as regras e o que isso muda para os exportadores

A virada aconteceu após uma reunião entre representantes do Ministério da Agricultura e autoridades chinesas, na qual o governo brasileiro argumentou que a natureza do cultivo de soja torna impossível garantir ausência total de ervas daninhas.

As autoridades da China aceitaram o argumento e concordaram em abandonar o critério de tolerância zero. Na prática, isso significa que os navios de soja brasileira poderão ser certificados e liberados mesmo quando laudos laboratoriais indicarem a presença de sementes de plantas daninhas.

Apesar da flexibilização, ainda não existe um limite numérico oficial para a tolerância de ervas daninhas aceita nos carregamentos. Segundo o documento da Secretaria de Defesa Agropecuária, o percentual aceitável será discutido futuramente em negociações bilaterais entre representantes dos dois países.

Até que esse limite seja definido, a avaliação seguirá baseada em análise de risco e em medidas de mitigação, de acordo com o destino do produto. Representantes do Ministério da Agricultura devem viajar à China na próxima semana para dar continuidade às negociações.

O impacto real para as exportações de soja brasileira em 2026

Analistas do mercado avaliam que a crise é pontual e não deve afetar significativamente o volume total de soja brasileira exportado para a China em 2026.

Segundo Thais Italiani, gerente de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, a fila de navios nos portos brasileiros continua forte, com cerca de 17 milhões de toneladas de soja, sendo 10 milhões destinadas à China. Até o momento, não há registro de atrasos relevantes na saída de navios além dos 20 que foram devolvidos.

Os números ajudam a colocar a situação em perspectiva. Segundo Luiz Fernando Gutierrez Roque, coordenador de Inteligência de Mercado de Grãos e Oleaginosas da Hedgepoint, os 20 navios devolvidos representam entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de toneladas, um volume pequeno diante das 112 milhões de toneladas que o Brasil deve exportar no total ao longo do ano.

A expectativa é que, com a flexibilização das regras, o fluxo de exportações retorne ao ritmo normal nas próximas semanas.

O que o ministro da Agricultura disse sobre a qualidade da soja brasileira

Na terça-feira, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, se posicionou publicamente sobre o caso ao afirmar que a qualidade da soja brasileira é inquestionável, mas reconheceu que a preocupação das autoridades chinesas com a presença de ervas daninhas nos carregamentos é legítima.

O ministro anunciou que vai propor à China a criação de um protocolo sanitário específico para o comércio bilateral de soja, o que daria mais segurança jurídica tanto para exportadores brasileiros quanto para importadores chineses.

A proposta de protocolo é vista pelo setor como a solução de longo prazo para evitar que crises semelhantes se repitam. Sem regras claras e limites numéricos definidos, o comércio de soja brasileira com a China fica sujeito a interpretações que podem variar conforme o momento político e econômico da relação entre os dois países.

A viagem da equipe do Ministério da Agricultura a Pequim na próxima semana será decisiva para definir os termos desse protocolo e para consolidar a flexibilização que foi anunciada nesta sexta-feira.

Você acha que a China vai manter essa flexibilização ou a pressão sobre a soja brasileira pode voltar? Esse tipo de crise prejudica a imagem do Brasil como fornecedor confiável? Deixe seu comentário.

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Arivaldo Alves
Arivaldo Alves
25/03/2026 19:51

A Cargill é uma empresa norte-americana. Essa pressão sobre a exportação da soja brasileira para a China tem cheiro do dedo podre de Trump. O plano é bem mais complexo.

Wanderson
Wanderson
24/03/2026 10:31

Poxa eles estão certos de devolver, Brasil tem que ser mais higiênico com seus produtos.

Tiago
Tiago
23/03/2026 13:22

A china tem 1 bilhões e 200 milhões de pessoas ai levam tudo do Brasil e as coisas ficam em falta e quando tem caríssimo! Quem se dá bem na história???

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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