País do Chifre da África mantém regras incomuns para visitantes, baixa conectividade digital e forte controle estatal, em uma realidade que contrasta com serviços bancários, internet e mobilidade comuns em outras partes do mundo.
A Eritreia, país do Chifre da África localizado às margens do Mar Vermelho, tem uma rotina marcada por forte controle estatal, baixa conectividade digital e circulação limitada para estrangeiros.
Segundo orientações oficiais de viagem dos governos da Austrália e do Canadá, visitantes não encontram caixas eletrônicos em funcionamento amplo, dependem quase totalmente de dinheiro em espécie e precisam de autorização para se deslocar para áreas fora de Asmara, a capital, e da província de Zoba Maekel.
Essas restrições ajudam a explicar o interesse internacional pelo país.
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Enquanto serviços bancários digitais, aplicativos de transporte e redes sociais fazem parte da vida cotidiana em muitas regiões, a Eritreia mantém um modelo em que pagamentos presenciais, documentos impressos e autorizações formais continuam centrais para moradores e turistas.
O cenário também reflete a organização política do país, governado desde a independência formal, em 1993, pelo presidente Isaias Afwerki.
Por que a Eritreia é chamada de Coreia do Norte da África
A comparação com a Coreia do Norte aparece em reportagens e análises internacionais por causa do fechamento político, do controle sobre a informação e da limitação de liberdades civis.
A Eritreia se tornou formalmente independente em 1993, depois de décadas de conflito com a Etiópia, e passou a ser comandada por Isaias Afwerki.
A Frente Popular para a Democracia e Justiça, partido ligado ao governo, concentra o poder político no país.
Relatórios de organizações internacionais descrevem um ambiente de forte repressão.
A Human Rights Watch afirma que o governo eritreu restringe a liberdade de expressão, opinião e religião, além de limitar o trabalho de observadores independentes.
A Repórteres Sem Fronteiras, por sua vez, informa que a imprensa independente está banida desde 2001 e que os meios de comunicação existentes operam sob controle do Ministério da Informação.
O serviço nacional obrigatório também aparece entre os principais pontos de crítica ao governo.
De acordo com a Anistia Internacional, a política de conscrição militar e de trabalho compulsório por prazo indefinido continuou em vigor em 2025.
A organização relata violações associadas ao programa, o que reforça a presença da Eritreia em levantamentos internacionais sobre direitos humanos, liberdade de imprensa e migração forçada.
Turistas precisam de autorização para sair de Asmara
Para turistas, o controle não termina na entrada no país.
O governo australiano informa, em orientação oficial de viagem, que estrangeiros precisam obter permissão para circular a mais de 25 quilômetros de Asmara e da região de Zoba Maekel.
A mesma orientação alerta que o uso de transporte público por visitantes pode ser inviável fora da capital, o que aumenta a dependência de carros alugados ou táxis privados.
Essa regra faz de Asmara o principal ponto de permanência para boa parte dos viajantes.
A capital concentra hotéis internacionais, pontos de câmbio autorizados e alguns locais com acesso à internet.
Já o deslocamento para outras regiões depende de planejamento, documentação específica e aceitação das normas estabelecidas pelas autoridades locais.
A exigência altera a experiência de viagem em comparação com destinos onde turistas podem se deslocar sem autorizações internas.
Na Eritreia, conhecer cidades fora da capital não depende apenas de roteiro, transporte ou orçamento.
A circulação integra a estrutura de controle administrativo do Estado e precisa seguir as condições impostas pelo governo.
Eritreia funciona quase sem caixas eletrônicos
A ausência de caixas eletrônicos disponíveis ao público é um dos aspectos mais citados nas orientações internacionais sobre a Eritreia.
O governo australiano informa que a economia local funciona essencialmente em dinheiro vivo e que não há estrutura de caixas eletrônicos ou cartões de crédito para uso geral.
O governo canadense também orienta viajantes a considerar que cartões não são aceitos nas transações do dia a dia.
Na prática, visitantes precisam entrar no país com dinheiro em espécie e trocar moeda apenas em locais autorizados, como casas de câmbio oficiais ou hotéis reconhecidos.
O uso de moeda estrangeira no comércio comum é restrito, o que reduz alternativas para quem está acostumado a fazer pagamentos por cartão, celular ou aplicativos bancários.
Serviços digitais de mobilidade também não fazem parte da rotina local.
A orientação australiana informa que aplicativos internacionais de transporte não operam no país.
Com isso, deslocamentos, compras e serviços dependem de soluções presenciais, negociação direta e meios tradicionais de pagamento.
Internet limitada e redes sociais sob restrição
O acesso à internet na Eritreia é limitado e concentrado em poucos espaços.
O Banco Mundial reúne dados sobre usuários de internet no país com base em informações da União Internacional de Telecomunicações, mas a série consultada registra dados apenas até 2020.
Já a orientação australiana para viajantes afirma que a conexão pode ser encontrada em alguns hotéis internacionais e cyber cafés de Asmara, embora descreva serviços de telefone e internet como pouco confiáveis.
Também há registros documentados de bloqueios de redes sociais.
A Internet Society identificou bloqueio do Facebook e de outras plataformas entre 15 e 25 de junho de 2019.
Organizações como a Repórteres Sem Fronteiras e o Comitê para a Proteção dos Jornalistas associam a Eritreia a forte controle da informação e restrições ao acesso online.
Ainda assim, não há confirmação segura de bloqueio permanente de todas as redes sociais em 2026.
Por isso, a formulação mais precisa é tratar o tema como um ambiente de acesso restrito, com registros de bloqueios e forte controle estatal sobre informação, em vez de afirmar que todas as plataformas ficam indisponíveis o tempo todo para toda a população.
Nesse contexto, a sociabilidade permanece mais vinculada a espaços físicos.
Cafés, ruas, mercados e encontros familiares ocupam um papel relevante na rotina urbana, especialmente em Asmara.
A limitação de conexão e a baixa presença de serviços digitais reduzem a mediação por plataformas online em atividades que, em outros países, passaram a depender de aplicativos.
Asmara preserva herança italiana reconhecida pela Unesco
A capital eritreia também se destaca pela arquitetura.
A Unesco reconhece Asmara como “uma cidade africana modernista” e informa que seu desenvolvimento urbano foi marcado pela presença colonial italiana.
A cidade começou a se consolidar como posto militar nos anos 1890 e, após 1935, recebeu um programa de construções associado ao racionalismo italiano.
Prédios governamentais, residenciais, cinemas, hotéis, igrejas e mesquitas integram esse conjunto urbano.
A preservação desse patrimônio levou Asmara à lista de Patrimônio Mundial da Unesco, com destaque para a combinação entre planejamento urbano modernista e adaptação ao contexto africano.
A influência italiana também aparece na vida cotidiana da capital, especialmente em cafés e estabelecimentos antigos.
Relatos de viajantes mencionam cafeterias tradicionais e espaços preservados, mas esses detalhes variam conforme a experiência de cada visitante e não devem ser tratados como regra geral para o país.
A informação mais verificável é o reconhecimento formal da cidade pela Unesco e a presença documentada da herança arquitetônica italiana.
O interior da Eritreia que poucos turistas conseguem visitar
Fora de Asmara, o acesso tende a ser mais restrito para estrangeiros.
Keren, apontada como uma das principais cidades da Eritreia, aparece em relatos de viagem como destino associado a mercados rurais e rotas comerciais tradicionais.
No entanto, como a circulação fora da capital exige autorização, nem todo turista consegue visitar essas áreas de forma independente.
O texto original menciona aldeias no caminho para Keren, comunidades sem água corrente, uso de energia solar e o caso de um menino chamado Abdul Majid que teria aprendido idiomas com aplicativos offline.
Como não foi encontrada confirmação independente em fontes oficiais ou jornalísticas confiáveis, esses detalhes não foram mantidos como fatos no corpo da matéria.
A ausência de confirmação não elimina a relevância do tema central.
A Eritreia reúne elementos verificáveis que já explicam seu lugar no debate internacional: governo de partido único, imprensa sem independência, serviço nacional por prazo indefinido, baixa conectividade, economia em dinheiro vivo e exigência de autorização para deslocamentos internos de visitantes.
Essas características ajudam a compreender por que o país é citado em reportagens sobre isolamento político e restrição de liberdades.
Ao mesmo tempo, relatos de viajantes e organismos internacionais mostram que a vida cotidiana não pode ser resumida apenas à ausência de tecnologia.
A rotina local também envolve mercados, cafés, relações presenciais e práticas comunitárias que seguem importantes em um ambiente de menor digitalização.
Eritreia combina isolamento político e vida presencial
A Eritreia ocupa uma posição particular no debate sobre países fechados.
O território tem localização estratégica no Mar Vermelho, faz fronteira com Sudão, Etiópia e Djibuti e mantém uma trajetória política marcada pela independência recente, pela centralização do poder e por conflitos regionais.
Esses fatores ajudam a contextualizar as restrições internas e o olhar de organizações internacionais sobre o país.
Para o visitante estrangeiro, as limitações aparecem em situações concretas: sacar dinheiro não é uma opção comum, pagar com cartão pode não funcionar, acessar a internet depende de locais específicos e viajar para fora da capital exige permissão.
A experiência de circulação, portanto, é definida menos pela espontaneidade turística e mais pelas regras administrativas do governo.
A leitura desse cenário exige cuidado para não transformar relatos isolados em generalizações.
A Eritreia não deve ser descrita apenas por impressões de viajantes, mas por informações verificáveis de órgãos oficiais, entidades internacionais e organismos de monitoramento.
É esse conjunto de fontes que sustenta a descrição de um país com forte controle estatal, baixa integração digital e circulação interna limitada.
Em um mundo no qual parte crescente da vida cotidiana passou a depender de telas, pagamentos digitais e deslocamentos por aplicativo, a Eritreia mostra como ainda existem sociedades organizadas em bases muito diferentes.


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