Após a perda do patriarca da família, mãe e filha mantêm viva a tradição de cinco gerações de apicultores e preservam a produção do raro mel branco nos campos gaúchos.
Quando Luiz Alberto Pinto Júnior morreu em 2019, a Apicultura do Máximo poderia ter encerrado uma história construída ao longo de anos no interior de Jaquirana, nos Campos de Cima da Serra. Em vez disso, a propriedade continuou funcionando graças à decisão de Adriana de Bortoli de seguir adiante ao lado da filha Juliana, preservando um trabalho que já fazia parte da vida da família havia gerações.
Hoje, a trajetória da família se confunde com a própria história da apicultura na região. Segundo Adriana, a família está na quinta geração de apicultores, um legado que atravessou décadas e continua vivo entre colmeias, floradas nativas e o chamado mel branco produzido nos campos de altitude do nordeste gaúcho.
Uma mudança para o interior de Jaquirana deu início a uma nova fase da vida da família
A história da Apicultura do Máximo começou em 2008, quando Adriana se mudou para Jaquirana. Segundo informações publicadas pelo portal Agrolink, o marido já possuía experiência com abelhas porque sua família tinha tradição na atividade, incluindo um bisavô considerado um dos pioneiros da apicultura em Cambará do Sul.
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O que inicialmente era uma atividade rural acabou se transformando em um projeto familiar de longo prazo. Ao longo dos anos, o casal investiu em capacitação, cursos e melhorias na propriedade, desenvolvendo uma agroindústria voltada para a produção de mel e derivados.
Segundo Adriana, a filha Juliana sempre participou desse processo. Desde criança acompanhava os pais em eventos e treinamentos ligados à apicultura, fortalecendo aquilo que a família enxergava como sucessão rural.
A morte do marido colocou à prova um projeto construído durante mais de uma década
O momento mais difícil chegou em 2019. Segundo relato de Adriana, Luiz Alberto Pinto Júnior morreu em um acidente justamente quando a família havia acabado de concluir uma etapa importante da profissionalização do negócio: a legalização da agroindústria por meio do Sistema de Inspeção Municipal (SIM).
A perda poderia ter encerrado o empreendimento. Em muitas pequenas propriedades rurais, o desaparecimento do principal responsável pela atividade acaba levando ao abandono da produção. Mas isso não aconteceu em Jaquirana. Segundo Adriana, o apoio da mãe Evanilda e da filha Juliana foi decisivo para que a família mantivesse o projeto funcionando mesmo diante das dificuldades trazidas pelo luto.
O trabalho passou a envolver três gerações da mesma família dentro da propriedade
Após 2019, Adriana assumiu a liderança da agroindústria. Ela passou a conduzir o negócio ao lado da mãe Evanilda, da filha Juliana e posteriormente com apoio do namorado da filha, Vinícius Ribeiro. A propriedade passou a representar algo maior do que uma atividade econômica. Tornou-se um elo entre diferentes gerações da mesma família.
Enquanto Adriana cuidava do manejo e da produção, Juliana passou a colaborar na divulgação e na administração das redes sociais do negócio. Segundo relato da própria família, essa participação foi fundamental para manter os jovens conectados à atividade rural.
O mel branco produzido na região é um dos produtos mais peculiares da apicultura brasileira
A trajetória da família também está ligada a um produto pouco conhecido fora do Sul do Brasil. Jaquirana faz parte da região dos Campos de Cima da Serra, conhecida pela produção do chamado “mel branco”, um tipo de mel associado principalmente ao néctar de flores nativas, com destaque para a espécie popularmente conhecida como carne-de-vaca (Clethra scabra).
Diferentemente dos méis mais comuns encontrados no mercado, o mel branco possui coloração mais clara, sabor delicado e características sensoriais próprias, fatores que vêm despertando interesse crescente entre produtores e pesquisadores. Atualmente, iniciativas científicas buscam reunir dados técnicos e históricos que possam apoiar futuramente o reconhecimento oficial do produto por meio de uma Indicação Geográfica regional.
A história da família acabou se tornando também uma história de permanência no campo
Em um período marcado pelo envelhecimento da população rural e pela saída de jovens das propriedades familiares, a trajetória da Apicultura do Máximo ganhou destaque também pela sucessão entre gerações. Adriana afirmou que a continuidade da atividade só foi possível graças ao envolvimento da filha Juliana, que assumiu papel fundamental para manter vivo o sonho da família após a morte do pai.
Essa permanência de novas gerações no campo é vista por especialistas do setor como um dos principais desafios da agricultura familiar brasileira. No caso da família de Jaquirana, a sucessão deixou de ser apenas um conceito discutido em palestras e passou a fazer parte da rotina diária da propriedade.
Entre colmeias, floradas nativas e montanhas gaúchas, o legado continua vivo
A história da Apicultura do Máximo não é apenas sobre mel. Ela fala sobre uma família que decidiu não abandonar um projeto construído durante anos, mesmo depois de enfrentar uma perda profunda. Fala sobre uma mãe que assumiu a responsabilidade de continuar o trabalho iniciado ao lado do marido e sobre uma filha que escolheu permanecer próxima das raízes da família.
Em meio aos campos de altitude da Serra Gaúcha, as colmeias continuam produzindo. E, para Adriana, cada safra representa mais do que um produto rural: representa a continuidade de uma história que atravessa gerações e que ainda está sendo escrita.

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