A descoberta foi descrita em estudo publicado na revista Nature Geoscience e sugere que os nódulos polimetálicos geram oxigênio por eletrólise da água do mar, sem fotossíntese. Outros cientistas pedem cautela e lembram que o estudo é limitado e ainda precisa de confirmação independente.
O estudo que abalou um consenso da biologia foi publicado em 2024 na revista científica Nature Geoscience, liderado pelo ecologista marinho Andrew Sweetman, da Associação Escocesa de Ciências Marinhas, a SAMS. A equipe detectou produção de oxigênio molecular no escuro total do fundo do Oceano Pacífico, em uma planície abissal a cerca de 4 mil metros de profundidade, batizando o fenômeno de oxigênio escuro, algo que contraria a ideia consolidada de que praticamente todo o oxigênio do planeta nasce da fotossíntese, que depende da luz do Sol.
A descoberta nasceu de uma desconfiança que durou uma década. Segundo relato de Sweetman reproduzido pelo site Inovação Tecnológica, a equipe achou por anos que os sensores estavam defeituosos, porque todos os estudos anteriores no fundo do mar só viam oxigênio sendo consumido, e não produzido, e só depois de trocar os equipamentos, adicionar um segundo tipo de sensor com técnica diferente e repetir as medições ao longo de dez anos é que os pesquisadores aceitaram que as leituras estranhas eram reais.
O que são os nódulos polimetálicos que funcionam como baterias

Chamados de nódulos polimetálicos, eles se formam ao longo de milhões de anos quando metais precipitam da água ao redor de fragmentos como conchas, bicos de lula e dentes de tubarão, crescendo poucos milímetros a cada milhão de anos, e são compostos sobretudo de óxidos de manganês enriquecidos com metais como níquel, ferro, cobre e cobalto, segundo o estudo repercutido pela CNN Brasil e pela Gazeta de São Paulo.
-
Andares inteiros do Pentágono foram esvaziados nesta quinta (11/06) e uma equipe especializada em materiais perigosos correu ao local, em um susto que, segundo a CNN, partiu de uma ameaça, enquanto o prédio falava apenas em um problema na qualidade do ar
-
Em 30 minutos um reator piloto de 25 litros cozinha plástico misturado e o transforma em óleo que recria plástico igual ao feito de combustível fóssil, e o teste decisivo com resíduos urbanos reais começa neste verão na Espanha
-
Brasileiros entram em alerta após suposta base com 248 milhões de CPFs, endereços e telefones ser colocada à venda, mas Receita nega invasão e aponta dados antigos de 2019
-
Instagram libera por engano no Brasil mapa que mostra a localização de usuários e Meta admite falha
A explicação proposta para o oxigênio escuro está na eletricidade dessas pedras.
Ao analisar os nódulos, a equipe registrou tensões de até 0,95 volt na superfície de uma única unidade, e como baterias ligadas em série, agrupamentos podem somar bem mais, segundo o site Inovação Tecnológica.
Basta cerca de 1,5 volt, a mesma de uma pilha AA comum, para dividir a água do mar e liberar oxigênio em um processo chamado eletrólise, o que levou o coautor Franz Geiger a descrever os nódulos como uma geobateria natural.
Por que a descoberta mexe com a origem da vida na Terra
Se a produção de oxigênio sem luz for confirmada e for relevante em larga escala, parte da história da vida no planeta pode precisar de revisão.
Segundo o professor Rafael Lourenço, em comentário ao Jornal da USP, a descoberta levanta a possibilidade de que os nódulos polimetálicos tenham produzido oxigênio muito antes do surgimento dos organismos capazes de fotossíntese, como as cianobactérias, que apareceram há cerca de 3 bilhões de anos e são tidas como as principais responsáveis por encher a atmosfera de oxigênio.
É aqui que entra a ressalva obrigatória, e os próprios cientistas a fazem.
Craig Smith, professor emérito de oceanografia da Universidade do Havaí que não participou do estudo, classificou a hipótese da geobateria como uma explicação razoável, mas advertiu, em mensagem citada pela CNN Brasil, que pode haver explicações alternativas e que a importância regional do fenômeno não pode ser avaliada diante da natureza limitada da pesquisa.
Em ciência, um resultado surpreendente é o começo do debate, não o fim.
O conflito bilionário entre o oxigênio escuro e a mineração submarina
O detalhe que transforma uma curiosidade científica em disputa econômica é onde tudo isso acontece.
O oxigênio escuro foi identificado na Zona Clarion Clipperton, uma vasta planície abissal entre o Havaí e o México, e foi justamente ao avaliar a biodiversidade de uma área destinada à mineração que Sweetman fez a observação inesperada.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos estima que existam 21,1 bilhões de toneladas secas de nódulos na região, contendo, segundo essa estimativa, mais metais críticos do que todas as reservas terrestres do mundo somadas.
Esses são exatamente os metais que o mundo disputa para fabricar baterias.
Cobalto, níquel, cobre, lítio e manganês alimentam a indústria de baterias de íon-lítio, e empresas correm para extrair os nódulos do fundo do mar, atividade regulada pela Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos sob a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
A pergunta que o estudo joga na mesa é direta: se as pedras que se quer minerar ajudam a produzir oxigênio em um ecossistema que mal começamos a entender, qual o custo ambiental de arrancá-las.
Uma pergunta acesa no fundo do oceano
O oxigênio escuro reúne os ingredientes que fascinam e dividem: um achado que contraria o livro-texto, uma possível pista sobre como a vida começou e uma decisão econômica de bilhões de dólares sobre minerar ou preservar o abismo.
Enquanto outros laboratórios tentam reproduzir as medições de Sweetman, a Zona Clarion Clipperton vira o palco onde ciência básica e corrida por metais se encontram cara a cara.
E você, acha que a mineração do fundo do mar deve ser barrada até entendermos melhor o oxigênio escuro ou que o mundo não pode esperar pelos metais das baterias? Deixe sua opinião nos comentários e participe da conversa, sempre com respeito às diferentes opiniões.


Seja o primeiro a reagir!