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Aos 94 anos, Seu Luiz ainda pega no cabo da enxada, cuida dos parreirais e faz o próprio vinho no interior e garante que ficar parado dentro de casa é justamente o que mais o cansa

Publicado em 10/06/2026 às 22:48
Atualizado em 10/06/2026 às 22:50
Assista o vídeoAos 94 anos, o agricultor Seu Luiz cuida das parreiras, faz o próprio vinho e ainda toca gaita na roça, no interior do Rio Grande do Sul.
Aos 94 anos, o agricultor Seu Luiz cuida das parreiras, faz o próprio vinho e ainda toca gaita na roça, no interior do Rio Grande do Sul.
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Morador de Dois Lajeados, no interior do Rio Grande do Sul, Seu Luiz nasceu em 1932, criou os filhos na roça e hoje vive sozinho, após 66 anos de casamento. Mesmo depois de um AVC, ele segue na lida, faz o próprio vinho, toca gaita e diz que a cidade não é para ele.

Aos 94 anos, Seu Luiz começa o dia cedo e não larga a enxada nem o trabalho na roça, no interior do Rio Grande do Sul. Morador de Dois Lajeados, ele cuida das parreiras, faz o próprio vinho e ainda trata das galinhas, com uma disposição que envergonha muita gente mais nova. Para Luiz, o que realmente cansa não é o serviço, e sim ficar parado dentro de casa.

Nascido em 13 de março de 1932, Seu Luiz carrega quase um século de histórias da vida no campo. Foram 66 anos de casamento, e hoje, viúvo, ele vive sozinho na mesma casa de sempre. Segundo reportagem do Vale Agrícola, mesmo depois de enfrentar um AVC, segue na lida e resume a própria filosofia de um jeito simples, ao dizer que “ficar dentro de casa” é o que mais o cansa. Para ele, a força não está na pressa, mas em continuar.

Uma vida inteira na roça

Aos 94 anos, Seu Luiz começa o dia cedo e não larga a enxada nem o trabalho na roça
Aos 94 anos, Seu Luiz começa o dia cedo e não larga a enxada nem o trabalho na roça

A história de Seu Luiz se confunde com a história de trabalho da própria família. Ele conta que nasceu em 13 de março de 1932 e que o pai e os tios vieram de São Paulo a pé, até se estabelecerem no sul do país, onde criaram raízes. Segundo Luiz, o pai chegou a ter 15 filhos, e a infância foi de trabalho desde cedo.

Aos 94 anos, Seu Luiz começa o dia cedo e não larga a enxada nem o trabalho na roça
Aos 94 anos, Seu Luiz começa o dia cedo e não larga a enxada nem o trabalho na roça

Ainda menino, ele ajudava em casa, capinava e carregava pedras para fazer taipas. Pelo relato, quase tudo dependia da força do braço, do feijão e do trigo batidos no chão ao milho descascado à noite, para não perder tempo. Banha, salame e mel de abelha não faltavam, mas, como ele resume, trabalhar na roça nunca foi fácil, muitas vezes com os pés descalços na geada.

A casa feita com madeira de duas igrejas

casa feita com madeira de duas igrejas
casa feita com madeira de duas igrejas

Há mais de 70 anos, Seu Luiz mora na mesma casa, construída com madeiras aproveitadas de duas igrejas. Lá dentro, o fogão a lenha está sempre aceso, um rádio antigo faz companhia e, na parede, fica o retrato do casamento. Cada canto guarda um pedaço da rotina de uma vida inteira.

imagem: video
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Foram 66 anos de casamento até o falecimento da esposa, e agora o agricultor vive sozinho. Luiz relembra que conheceu a companheira em um baile e que os dois gostavam de dançar. Pelo relato, o namoro seguia as regras rígidas da época, quando os mais velhos quase não deixavam os jovens conversarem à vontade, e ela ainda era bem jovem quando os dois começaram a se ver.

O gaiteiro que andava mais de 20 km para tocar

Aos 94 anos, Seu Luiz começa o dia cedo e não larga a enxada nem o trabalho na roça
Aos 94 anos, Seu Luiz começa o dia cedo e não larga a enxada nem o trabalho na roça

Antes das parreiras e do vinho, foi a música que marcou boa parte da juventude de Seu Luiz. Ao lado do irmão Vitório, ele era gaiteiro e percorria mais de 20 km a pé para tocar em fandangos, festas e casamentos pela região. Pelo relato, os dois eram quase os únicos tocadores por ali, e a gaita não dava folga nos fins de semana.

Luiz conta que, no domingo, muitas vezes nem dormia, porque tinha que ir direto para a enxada. Hoje, a gaita está mais desafinada e parece mais pesada do que um dia foi, mas basta ele segurar o instrumento que os dedos já treinados encontram a melodia. A música seguiu como uma companhia ao longo dos anos.

Aos 94 anos, sem vontade de parar

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Aos 94 anos, Seu Luiz reconhece que o corpo já não acompanha o mesmo ritmo de antes. Ele conta que teve um AVC, passou por cirurgia e que subir o morro ficou mais difícil. Ainda assim, mantém a lucidez e o bom humor, faz questão de cuidar do vinho que fermenta nas pipas, no porão, e segue tratando das galinhas, picando lenha e arrancando mato no terreiro.

Quando perguntam se ele não pensa em morar na cidade, a resposta de Luiz é direta. Pelo relato, ele diz aos filhos que quem é da roça fica na roça e que não pretende deixar o campo. Para o agricultor, parar é que faz as costas doerem, e o trabalho diário é o que o mantém em movimento. É a forma que encontrou de seguir firme aos 94 anos.

A trajetória de Seu Luiz mostra que envelhecer pode ter outro ritmo, mais ligado à permanência do que à pressa. Entre a enxada, as parreiras, o vinho e a gaita, o agricultor de Dois Lajeados transformou uma vida inteira de trabalho em uma rotina que ainda lhe faz bem aos 94 anos. No silêncio e na força de cada gesto, ele segue cultivando, todos os dias, o que levou quase um século para aprender.

E você, conhece alguém como o Seu Luiz, que faz da rotina e do trabalho um jeito de seguir em frente? Comente aqui e compartilhe a história dos mais velhos da sua família.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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