Morador de Dois Lajeados, no interior do Rio Grande do Sul, Seu Luiz nasceu em 1932, criou os filhos na roça e hoje vive sozinho, após 66 anos de casamento. Mesmo depois de um AVC, ele segue na lida, faz o próprio vinho, toca gaita e diz que a cidade não é para ele.
Aos 94 anos, Seu Luiz começa o dia cedo e não larga a enxada nem o trabalho na roça, no interior do Rio Grande do Sul. Morador de Dois Lajeados, ele cuida das parreiras, faz o próprio vinho e ainda trata das galinhas, com uma disposição que envergonha muita gente mais nova. Para Luiz, o que realmente cansa não é o serviço, e sim ficar parado dentro de casa.
Nascido em 13 de março de 1932, Seu Luiz carrega quase um século de histórias da vida no campo. Foram 66 anos de casamento, e hoje, viúvo, ele vive sozinho na mesma casa de sempre. Segundo reportagem do Vale Agrícola, mesmo depois de enfrentar um AVC, segue na lida e resume a própria filosofia de um jeito simples, ao dizer que “ficar dentro de casa” é o que mais o cansa. Para ele, a força não está na pressa, mas em continuar.
Uma vida inteira na roça

A história de Seu Luiz se confunde com a história de trabalho da própria família. Ele conta que nasceu em 13 de março de 1932 e que o pai e os tios vieram de São Paulo a pé, até se estabelecerem no sul do país, onde criaram raízes. Segundo Luiz, o pai chegou a ter 15 filhos, e a infância foi de trabalho desde cedo.
-
Japão usa dublês para simular atropelamentos reais diante de crianças nas escolas e transforma acidentes encenados com carros, bicicletas e pedestres em aula de choque para ensinar segurança no trânsito desde cedo
-
Antes de abrir uma nova rodovia perto de Jerusalém, arqueólogos encontraram uma “metrópole” de 9.000 anos: casas, ruas, áreas de culto, milhares de ferramentas e uma população comparável à de uma pequena cidade moderna estavam escondidas sob o traçado da estrada
-
Trabalhadores viram vazamentos em barragem de rejeitos de mina de cobre no Chile, regulador encontrou infiltração e fissura de 18 centímetros, enquanto uma trinca de 240 metros cruzava o topo da estrutura
-
Obra de US$ 211 milhões nas Filipinas promete matar a sede de Manila com 600 milhões de litros por dia, mas moradores indígenas temem perder casas na serra

Ainda menino, ele ajudava em casa, capinava e carregava pedras para fazer taipas. Pelo relato, quase tudo dependia da força do braço, do feijão e do trigo batidos no chão ao milho descascado à noite, para não perder tempo. Banha, salame e mel de abelha não faltavam, mas, como ele resume, trabalhar na roça nunca foi fácil, muitas vezes com os pés descalços na geada.
A casa feita com madeira de duas igrejas

Há mais de 70 anos, Seu Luiz mora na mesma casa, construída com madeiras aproveitadas de duas igrejas. Lá dentro, o fogão a lenha está sempre aceso, um rádio antigo faz companhia e, na parede, fica o retrato do casamento. Cada canto guarda um pedaço da rotina de uma vida inteira.

Foram 66 anos de casamento até o falecimento da esposa, e agora o agricultor vive sozinho. Luiz relembra que conheceu a companheira em um baile e que os dois gostavam de dançar. Pelo relato, o namoro seguia as regras rígidas da época, quando os mais velhos quase não deixavam os jovens conversarem à vontade, e ela ainda era bem jovem quando os dois começaram a se ver.
O gaiteiro que andava mais de 20 km para tocar

Antes das parreiras e do vinho, foi a música que marcou boa parte da juventude de Seu Luiz. Ao lado do irmão Vitório, ele era gaiteiro e percorria mais de 20 km a pé para tocar em fandangos, festas e casamentos pela região. Pelo relato, os dois eram quase os únicos tocadores por ali, e a gaita não dava folga nos fins de semana.
Luiz conta que, no domingo, muitas vezes nem dormia, porque tinha que ir direto para a enxada. Hoje, a gaita está mais desafinada e parece mais pesada do que um dia foi, mas basta ele segurar o instrumento que os dedos já treinados encontram a melodia. A música seguiu como uma companhia ao longo dos anos.
Aos 94 anos, sem vontade de parar
Aos 94 anos, Seu Luiz reconhece que o corpo já não acompanha o mesmo ritmo de antes. Ele conta que teve um AVC, passou por cirurgia e que subir o morro ficou mais difícil. Ainda assim, mantém a lucidez e o bom humor, faz questão de cuidar do vinho que fermenta nas pipas, no porão, e segue tratando das galinhas, picando lenha e arrancando mato no terreiro.
Quando perguntam se ele não pensa em morar na cidade, a resposta de Luiz é direta. Pelo relato, ele diz aos filhos que quem é da roça fica na roça e que não pretende deixar o campo. Para o agricultor, parar é que faz as costas doerem, e o trabalho diário é o que o mantém em movimento. É a forma que encontrou de seguir firme aos 94 anos.
A trajetória de Seu Luiz mostra que envelhecer pode ter outro ritmo, mais ligado à permanência do que à pressa. Entre a enxada, as parreiras, o vinho e a gaita, o agricultor de Dois Lajeados transformou uma vida inteira de trabalho em uma rotina que ainda lhe faz bem aos 94 anos. No silêncio e na força de cada gesto, ele segue cultivando, todos os dias, o que levou quase um século para aprender.
E você, conhece alguém como o Seu Luiz, que faz da rotina e do trabalho um jeito de seguir em frente? Comente aqui e compartilhe a história dos mais velhos da sua família.


Seja o primeiro a reagir!