Biólogo Antonio Carlos Osse levou cinco anos para construir o Osseanic em Barueri, envolveu a família no projeto artesanal e colocou o fast-trawler de 30 pés no mar em Caraguatatuba
O Osseanic, fast-trawler de 30 pés construído pelo biólogo Antonio Carlos Osse no quintal de casa, em Barueri, virou realidade após 5 anos e 2 meses de trabalho familiar. Relatada em 2023, a história une construção artesanal, planejamento técnico e a ida do barco para Caraguatatuba, onde começou sua vida no mar.

Osseanic nasceu de um sonho antigo ligado ao mar
A relação de Antonio Carlos Osse com barcos começou ainda na adolescência, no Saco da Ribeira, em Ubatuba.
Ali, ele observava embarcações ancoradas e imaginava viagens, mergulhos e paisagens que poderia conhecer navegando.
-
Pedreiro limpava escombros de uma casa destruída na Síria para reconstruir o imóvel quando encontrou uma tumba subterrânea de 1.500 anos com cruz, câmaras funerárias e túmulos de pedra escondidos sob o chão
-
Rússia pinta caminhões com listras de zebra para confundir drones ucranianos movidos por inteligência artificial e surpreende especialistas por usar técnica criada em 1917; conheça a camuflagem zebrada
-
Uma mão robótica utiliza tato e visão para colher frutas maduras com precisão próxima a 100%. Pesquisadores construíram uma garra robótica flexível que detecta o ponto de maturação e colhe frutas delicadamente
-
Mecânico mistura peças de barco e de carro, usa casco adaptado, rodas e dois motores para construir veículo anfíbio que anda na terra e navega no mar
O sonho continuou na vida adulta e passou a ser dividido com a esposa, que também tinha interesse pelo mar. Ao longo dos anos, a família realizou outros projetos pessoais, como escrever livros, plantar árvores e criar as filhas Marina e Carolina.
Já na casa dos 50 anos, Antonio Carlos decidiu transformar o antigo desejo em um projeto concreto. A ideia era ter uma embarcação própria, mas a compra de um barco pronto exigiria um investimento imediato maior.
A saída encontrada foi construir o próprio barco em casa, com as próprias mãos e com participação familiar.
Segundo as informações do caso, a família entendeu que o processo também faria parte da realização do sonho, não apenas o resultado final.

Projeto escolhido previa autonomia para médias travessias
A embarcação escolhida foi menor e mais simples do que o sonho inicial, mas precisava atender ao objetivo principal: permitir navegação com autonomia. Para isso, Antonio Carlos comprou o projeto de um arquiteto naval dos Estados Unidos.
O desenho previa um barco motorizado, com capacidade de semi-planeio e autonomia para médias travessias. A estimativa informada no material era de até 500 milhas em velocidade de cruzeiro.
A construção começou em 20 de março de 2017. O método adotado foi madeira com epóxi, uma escolha que aproveitava a experiência prévia de Antonio Carlos com máquinas, madeira, resinas e laminação.
Ele já trabalhava havia mais de 25 anos na fabricação de canoas canadenses. Mesmo assim, o Osseanic representava um desafio maior, por ser um barco cabinado, motorizado e equipado com sistemas hidráulicos, elétricos e eletrônicos.

Para viabilizar a obra, a família montou uma estrutura metálica temporária no próprio terreno, com 8 por 11 metros. O espaço funcionou como galpão e evitou o custo de aluguel durante os anos de construção.
Construção levou cinco anos e envolveu toda a família
O trabalho avançou em fins de semana, folgas e períodos de dedicação intensa. Nos três primeiros anos, a participação familiar foi mais forte, segundo o relato de Antonio Carlos.
Nos dois últimos anos, a rotina passou a misturar paixão e obrigação. Nesse período, as filhas já entravam na adolescência, o que também mudou a dinâmica familiar durante a fase final do projeto.
O Osseanic foi declarado terminado em 15 de maio de 2022. Ao todo, foram cinco anos e dois meses de construção desde o início da montagem, em março de 2017.
Antonio Carlos afirmou que o barco foi feito 100% pela família. A mão de obra familiar não entrou na planilha de custos, o que reforça o caráter artesanal da construção.
Entre as soluções técnicas, ele citou a fabricação própria dos tanques de combustível, água potável, águas servidas e contenção de esgoto. Esses componentes foram moldados no local com fibra de vidro e resina estervinílica.
A construção no quintal exigiu não apenas habilidade manual, mas também organização. Cabos, sensores, instrumentos e acessórios foram preparados ainda durante a montagem, antes da instalação final do motor.

De Barueri a Caraguatatuba, o barco ganhou vida no litoral
Com o casco pronto no galpão de Barueri, a etapa seguinte foi levar o barco para o litoral. O transporte até Caraguatatuba percorreu cerca de 300 km.
A cidade foi escolhida para a instalação do motor Volvo Penta D4 de 270 hp em uma autorizada. Segundo o material, isso foi feito para preservar a garantia do equipamento.
A preparação anterior ajudou nessa fase. Como parte dos sistemas já estava pronta, a montagem final do motor e dos componentes associados foi facilitada.
Depois disso, o Osseanic passou pelo licenciamento junto à Capitania dos Portos. Com a emissão do registro, a embarcação finalmente pôde ser colocada na água.
No primeiro teste, o barco navegou com tanques cheios e oito pessoas a bordo. Nessa condição, atingiu 27 nós, segundo o relato de Antonio Carlos.
Ele afirmou que nada quebrou, soltou, vazou ou queimou durante o teste. O resultado marcou a passagem do projeto artesanal, feito no quintal de casa, para uma embarcação em operação.
Meses depois do batismo, a família já fazia saídas de treinamento. O novo objetivo citado no material era levar o Osseanic até o Alasca, ampliando o alcance simbólico do sonho que começou em Ubatuba e ganhou forma em Barueri.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações fornecidas no material-base sobre a construção do Osseanic por Antonio Carlos Osse, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

-
1 pessoa reagiu a isso.