A nova agroindústria é da COOPAC, no Assentamento Che Guevara, em Casserengue, no Curimataú paraibano, e o projeto custa cerca de R$ 3,75 milhões, para reduzir perdas com a sazonalidade do Semiárido. A cooperativa cresceu de 30 para 390 sócios, mas parte do dinheiro, R$ 1,1 milhão, ainda está sendo captada.
A COOPAC, cooperativa ligada à reforma agrária na Paraíba, está implantando a primeira agroindústria de leite em pó de cabra da agricultura familiar do Nordeste inaugurada em 2023. Segundo a cooperativa, o projeto está orçado em cerca de R$ 3,75 milhões e tem como meta fortalecer a cadeia do leite caprino e reduzir os efeitos da seca e da sazonalidade no Semiárido. A nova fábrica fica no Assentamento Che Guevara, em Casserengue, no Curimataú paraibano.
De acordo com o material divulgado pela COOPAC divulgado em 02 de junho, a ideia é ampliar a capacidade de industrialização, agregar valor à produção local e abrir mais espaço em mercados institucionais e privados. A cooperativa, que reúne hoje cerca de 390 famílias produtoras, lançou ainda uma captação de R$ 1,1 milhão pela plataforma Finapop para completar os recursos do projeto. Por isso, parte do investimento ainda está sendo levantada.
A nova agroindústria de leite em pó de cabra

O centro do projeto é a construção da primeira agroindústria de leite em pó de cabra da agricultura familiar no Nordeste. Segundo a COOPAC, a iniciativa prevê um investimento estimado em R$ 3,75 milhões e busca ampliar a industrialização, agregar valor à produção e reduzir os impactos da sazonalidade da atividade leiteira no Semiárido. A expectativa da cooperativa é fortalecer a cadeia do leite caprino e ampliar o acesso a mercados.
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Para reunir os recursos, a cooperativa recorreu a uma captação popular. De acordo com o material, a COOPAC lançou uma operação de R$ 1,1 milhão pela Finapop, plataforma de investimento sustentável que conecta investidores a cooperativas da agricultura familiar e a assentamentos da reforma agrária. Os aportes são voltados a complementar o dinheiro necessário para a agroindústria sair do papel.
De 30 cooperados a uma cooperativa com 390 produtores

A trajetória da COOPAC ajuda a entender o tamanho do salto. Segundo o material, o processo coletivo começou em 2019 e foi formalizado em 2021, e hoje a cooperativa reúne cerca de 390 produtores e produtoras da agricultura familiar, com leite, queijos, iogurtes e outros derivados de cabra. O dirigente Augusto Belarmino resumiu a mudança: “Saímos de 30 sócios cooperados para 390 sócios produtores de leite de cabra”.
Essa história está ligada às famílias do Assentamento Che Guevara. De acordo com a reportagem do Brasil de Fato, em junho de 2023 foi inaugurada a Nutrilê, apresentada como a primeira agroindústria de laticínios do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra na Paraíba, fruto de anos de organização produtiva e de acesso a políticas públicas. Foi a partir dessa base que a cooperativa chegou ao projeto atual.
Prêmios e a produção que chega à merenda escolar
O crescimento da agroindústria veio acompanhado de reconhecimento pela qualidade dos produtos. Segundo o material, em 2024 a Nutrilê conquistou medalha de ouro com queijo coalho condimentado, prata com iogurte caprino de maracujá e bronze com queijo coalho tradicional no XVIII Encontro Nordestino do Setor de Leite e Derivados. As premiações ajudaram a dar visibilidade ao trabalho da cooperativa.
A produção também tem forte ligação com programas públicos de alimentação. De acordo com Belarmino, a cooperativa coleta leite de produtores de mais de 14 municípios, atende diretamente mais de 8 e entrega iogurte de leite de cabra para a merenda escolar em mais de 20 municípios, por meio dos programas PAA e PNAE. Assim, parte do que é produzido abastece a alimentação escolar e faz a renda circular no Curimataú e no Agreste paraibano.
Leite em pó contra a seca, e o que ainda depende de recursos
A escolha pelo leite em pó tem relação direta com o clima do Semiárido. Segundo Belarmino, a nova estrutura responde a uma demanda antiga e deve ampliar a capacidade de armazenamento, reduzindo perdas da sazonalidade e agregando valor ao leite da Paraíba, num projeto que ele descreve como o sonho de mais de 1.800 produtores do estado.
A expansão ganhou destaque na primeira Expocasserengue, em setembro de 2025, no Assentamento Che Guevara, quando, segundo o Brasil de Fato, foram anunciados investimentos em equipamentos, energia solar e logística, e a agroindústria passou a beneficiar diretamente mais de 1.200 famílias.
Ainda assim, é um projeto em implantação, que depende de recursos para se concretizar. Parte do valor total, os R$ 1,1 milhão da captação pela Finapop, ainda está sendo levantada, e os benefícios projetados dependem da conclusão da obra e das condições do Semiárido.
Para dimensionar a importância da atividade, dados da Embrapa Caprinos e Ovinos indicam que cerca de 90% do rebanho caprino do Brasil está no Nordeste, com a Paraíba entre as principais referências na produção de leite de cabra.
A história da COOPAC, que saiu de 30 cooperados para cerca de 390 famílias, agora aposta na primeira agroindústria de leite em pó de cabra da agricultura familiar do Nordeste para enfrentar a seca e a sazonalidade do Semiárido.
O projeto, orçado em R$ 3,75 milhões, ainda depende de captação para se concretizar, mas resume uma estratégia de agregar valor ao leite caprino e dar mais estabilidade às famílias do campo. O resultado vai depender de a obra avançar e de a produção ganhar a escala prometida.
E você, acha que iniciativas como essa agroindústria da agricultura familiar podem ajudar a fixar as famílias no campo do Semiárido? Comente sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre o futuro da produção de leite de cabra no Nordeste.

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