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Governo brasileiro prevê investir 2,1 bilhões de reais em caças Gripen em 2026 enquanto a Saab apresenta na Suécia o primeiro Gripen F biposto do mundo desenvolvido a partir de um requisito específico da Força Aérea Brasileira

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 08/06/2026 às 14:19
Atualizado em 08/06/2026 às 14:24
Governo prevê 2,1 bilhões em caças Gripen no Projeto F-X2 em 2026, e a Saab apresenta o primeiro Gripen F biposto, sob requisito da Força Aérea Brasileira.
Governo prevê 2,1 bilhões em caças Gripen no Projeto F-X2 em 2026, e a Saab apresenta o primeiro Gripen F biposto, sob requisito da Força Aérea Brasileira.
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O jato foi apresentado em cerimônia de rollout em Linköping, na Suécia, em 2 de junho, e seguirá para testes em voo antes de chegar ao país. O orçamento de 2026 prevê 2,1 bilhões de reais para os caças Gripen, em meio à queda contínua da frota da Força Aérea Brasileira.

O governo brasileiro prevê investir 2,1 bilhões de reais nos caças Gripen em 2026, no mesmo período em que a fabricante sueca Saab apresentou o primeiro exemplar de uma versão criada por exigência da Força Aérea Brasileira. Segundo o orçamento do Ministério da Defesa, divulgado pela CNN Brasil, o valor é destinado ao projeto de aquisição dos caças F-X2, o F-39 Gripen, e deve financiar a entrega de duas aeronaves e o avanço da montagem de outras unidades. A apresentação do novo jato ocorreu em 2 de junho de 2026.

É preciso, porém, separar duas coisas que foram noticiadas juntas, pois o avião não foi entregue ao Brasil. No dia 2 de junho, a Saab realizou uma cerimônia de apresentação, o chamado rollout, do primeiro Gripen F em sua fábrica em Linköping, na Suécia, e a aeronave ainda passará por uma campanha de ensaios em voo antes da entrega definitiva à Força Aérea Brasileira, prevista para os próximos meses. O caça integra o Projeto F-X2, contrato assinado em 2014 que prevê 36 aeronaves até 2032.

Os 2,1 bilhões de reais previstos para os caças Gripen em 2026

Governo prevê 2,1 bilhões em caças Gripen no Projeto F-X2 em 2026, e a Saab apresenta o primeiro Gripen F biposto, sob requisito da Força Aérea Brasileira.
O número que dá a dimensão financeira do projeto está no orçamento da Defesa para 2026. 

De acordo com o Ministério da Defesa, são 2,1 bilhões de reais reservados ao projeto de aquisição dos caças F-X2, o F-39 Gripen.

Desse total, 1,357 bilhão de reais já constava na Lei Orçamentária Anual de 2026, e outros 739,5 milhões de reais foram previstos na portaria nº 184, publicada em maio de 2026 pelo Ministério do Planejamento e Orçamento.

Os recursos têm destino definido dentro do cronograma do programa. 

Segundo a pasta, o dinheiro deve viabilizar a entrega de duas aeronaves e o avanço das etapas de montagem de unidades previstas para os anos seguintes.

Há ainda um reforço maior no horizonte, pois o Congresso aprovou a Lei Complementar nº 221, de 2025, que assegura 30 bilhões de reais a projetos estratégicos de defesa em seis anos, dos quais a Aeronáutica recebeu 840 milhões de reais em 2026, valores que serão incorporados ao orçamento dentro do Programa Novo PAC.

O que realmente aconteceu na Suécia em 2 de junho

O episódio que ganhou as manchetes foi a apresentação oficial do primeiro Gripen F, e não uma entrega. 

A Saab realizou o rollout da aeronave em sua sede em Linköping, na Suécia, em 2 de junho de 2026, revelando o jato designado F-39F no Brasil, com número de série 4000, o mais novo dos caças Gripen encomendados pelo país.

Pelo cronograma da própria fabricante, o avião segue agora para o Centro de Testes em Voo da Saab e só depois será entregue à Força Aérea Brasileira, o que está previsto para os próximos meses.

A cerimônia reuniu autoridades dos dois países. 

Estiveram presentes o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, o ministro da Defesa, José Múcio, o ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson, e o presidente da Saab, Micael Johansson.

Lars Tossman, responsável pela área de Aeronáutica da empresa, descreveu o rollout como uma conquista compartilhada entre a Saab, a indústria brasileira e a Força Aérea Brasileira, segundo nota da companhia.

Um caça biposto desenhado a pedido do Brasil

Governo prevê 2,1 bilhões em caças Gripen no Projeto F-X2 em 2026, e a Saab apresenta o primeiro Gripen F biposto, sob requisito da Força Aérea Brasileira.
A grande particularidade do Gripen F é que ele nasceu de uma exigência específica da Força Aérea Brasileira. 

Trata-se da versão biposto da linha de caças Gripen E, com dois assentos, o que permite acomodar um piloto e um instrutor ou copiloto.

O Brasil foi o cliente que lançou essa configuração e participou do seu desenvolvimento, e por isso aparece como o primeiro operador do modelo no mundo, em um arranjo que envolveu transferência de tecnologia e o treinamento de centenas de engenheiros e técnicos brasileiros.

Apesar do segundo assento, o avião mantém a capacidade de combate. 

Segundo a Saab, o Gripen F preserva os sensores, os sistemas de missão, a aviônica e os pontos de armamento do monoposto Gripen E, acrescentando uma segunda cabine totalmente independente, útil tanto para acelerar o treinamento de pilotos quanto para dividir tarefas em situações de maior ameaça.

O contrato de 2014 prevê 28 unidades do Gripen E, monoposto e voltado ao combate, e 8 do Gripen F.

Versões biposto, vale notar, têm se tornado raras entre os caças modernos, e o modelo também foi escolhido por Tailândia e Colômbia.

Frota em queda, montagem no Brasil e a fila de novos caças

O investimento ocorre em um cenário de encolhimento da frota aérea brasileira. 

Segundo dados da própria Força Aérea Brasileira divulgados em setembro do ano passado, o número de aeronaves caiu 39,4% entre 2014 e 2025, enquanto o orçamento discricionário da FAB, voltado a investimentos e custeio, recuou cerca de 42% no mesmo intervalo.

O Projeto F-X2, programa dos caças Gripen, é apresentado como uma das respostas a esse quadro, ainda que sua execução se estenda por anos, com 11 das 36 aeronaves entregues até agora, segundo a Saab.

A participação industrial brasileira e a ampliação da frota seguem em andamento. 

Em 25 de março de 2026, foi apresentado o primeiro Gripen E montado no Brasil, na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto, embora a produção do biposto tenha acabado concentrada na Europa.

Pela trajetória de desembolsos, o Brasil investe em média 2,26 bilhões de coroas suecas por ano, cerca de 1,2 bilhão de reais, e já gastou 28,27 bilhões de coroas, aproximadamente 15,3 bilhões de reais, conforme a CNN Brasil.

O governo ainda quer comprar mais 20 caças Gripen E, mas esse contrato não foi assinado, e a Saab afirmou estar pronta para negociar.

O cruzamento entre os 2,1 bilhões de reais do orçamento e a apresentação do primeiro Gripen F biposto mostra um programa militar caro, longo e ainda em curso. 

De um lado, há um marco tecnológico e industrial relevante para o Brasil, que ajudou a criar uma versão inédita do caça e treina sua própria mão de obra.

De outro, há uma frota que diminuiu, prazos que se estendem até 2032 e uma ampliação anunciada que ainda depende de um contrato por assinar.

E você, considera o investimento de 2,1 bilhões de reais nos caças Gripen acertado diante das prioridades do país? Acha que a modernização da Força Aérea Brasileira deveria ser acelerada ou que os recursos teriam melhor uso em outras áreas? Deixe sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes opiniões, e compartilhe esta matéria com quem acompanha defesa e geopolítica.

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Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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