O jato foi apresentado em cerimônia de rollout em Linköping, na Suécia, em 2 de junho, e seguirá para testes em voo antes de chegar ao país. O orçamento de 2026 prevê 2,1 bilhões de reais para os caças Gripen, em meio à queda contínua da frota da Força Aérea Brasileira.
O governo brasileiro prevê investir 2,1 bilhões de reais nos caças Gripen em 2026, no mesmo período em que a fabricante sueca Saab apresentou o primeiro exemplar de uma versão criada por exigência da Força Aérea Brasileira. Segundo o orçamento do Ministério da Defesa, divulgado pela CNN Brasil, o valor é destinado ao projeto de aquisição dos caças F-X2, o F-39 Gripen, e deve financiar a entrega de duas aeronaves e o avanço da montagem de outras unidades. A apresentação do novo jato ocorreu em 2 de junho de 2026.
É preciso, porém, separar duas coisas que foram noticiadas juntas, pois o avião não foi entregue ao Brasil. No dia 2 de junho, a Saab realizou uma cerimônia de apresentação, o chamado rollout, do primeiro Gripen F em sua fábrica em Linköping, na Suécia, e a aeronave ainda passará por uma campanha de ensaios em voo antes da entrega definitiva à Força Aérea Brasileira, prevista para os próximos meses. O caça integra o Projeto F-X2, contrato assinado em 2014 que prevê 36 aeronaves até 2032.
Os 2,1 bilhões de reais previstos para os caças Gripen em 2026

De acordo com o Ministério da Defesa, são 2,1 bilhões de reais reservados ao projeto de aquisição dos caças F-X2, o F-39 Gripen.
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Desse total, 1,357 bilhão de reais já constava na Lei Orçamentária Anual de 2026, e outros 739,5 milhões de reais foram previstos na portaria nº 184, publicada em maio de 2026 pelo Ministério do Planejamento e Orçamento.
Os recursos têm destino definido dentro do cronograma do programa.
Segundo a pasta, o dinheiro deve viabilizar a entrega de duas aeronaves e o avanço das etapas de montagem de unidades previstas para os anos seguintes.
Há ainda um reforço maior no horizonte, pois o Congresso aprovou a Lei Complementar nº 221, de 2025, que assegura 30 bilhões de reais a projetos estratégicos de defesa em seis anos, dos quais a Aeronáutica recebeu 840 milhões de reais em 2026, valores que serão incorporados ao orçamento dentro do Programa Novo PAC.
O que realmente aconteceu na Suécia em 2 de junho
O episódio que ganhou as manchetes foi a apresentação oficial do primeiro Gripen F, e não uma entrega.
A Saab realizou o rollout da aeronave em sua sede em Linköping, na Suécia, em 2 de junho de 2026, revelando o jato designado F-39F no Brasil, com número de série 4000, o mais novo dos caças Gripen encomendados pelo país.
Pelo cronograma da própria fabricante, o avião segue agora para o Centro de Testes em Voo da Saab e só depois será entregue à Força Aérea Brasileira, o que está previsto para os próximos meses.
A cerimônia reuniu autoridades dos dois países.
Estiveram presentes o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, o ministro da Defesa, José Múcio, o ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson, e o presidente da Saab, Micael Johansson.
Lars Tossman, responsável pela área de Aeronáutica da empresa, descreveu o rollout como uma conquista compartilhada entre a Saab, a indústria brasileira e a Força Aérea Brasileira, segundo nota da companhia.
Um caça biposto desenhado a pedido do Brasil

Trata-se da versão biposto da linha de caças Gripen E, com dois assentos, o que permite acomodar um piloto e um instrutor ou copiloto.
O Brasil foi o cliente que lançou essa configuração e participou do seu desenvolvimento, e por isso aparece como o primeiro operador do modelo no mundo, em um arranjo que envolveu transferência de tecnologia e o treinamento de centenas de engenheiros e técnicos brasileiros.
Apesar do segundo assento, o avião mantém a capacidade de combate.
Segundo a Saab, o Gripen F preserva os sensores, os sistemas de missão, a aviônica e os pontos de armamento do monoposto Gripen E, acrescentando uma segunda cabine totalmente independente, útil tanto para acelerar o treinamento de pilotos quanto para dividir tarefas em situações de maior ameaça.
O contrato de 2014 prevê 28 unidades do Gripen E, monoposto e voltado ao combate, e 8 do Gripen F.
Versões biposto, vale notar, têm se tornado raras entre os caças modernos, e o modelo também foi escolhido por Tailândia e Colômbia.
Frota em queda, montagem no Brasil e a fila de novos caças
O investimento ocorre em um cenário de encolhimento da frota aérea brasileira.
Segundo dados da própria Força Aérea Brasileira divulgados em setembro do ano passado, o número de aeronaves caiu 39,4% entre 2014 e 2025, enquanto o orçamento discricionário da FAB, voltado a investimentos e custeio, recuou cerca de 42% no mesmo intervalo.
O Projeto F-X2, programa dos caças Gripen, é apresentado como uma das respostas a esse quadro, ainda que sua execução se estenda por anos, com 11 das 36 aeronaves entregues até agora, segundo a Saab.
A participação industrial brasileira e a ampliação da frota seguem em andamento.
Em 25 de março de 2026, foi apresentado o primeiro Gripen E montado no Brasil, na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto, embora a produção do biposto tenha acabado concentrada na Europa.
Pela trajetória de desembolsos, o Brasil investe em média 2,26 bilhões de coroas suecas por ano, cerca de 1,2 bilhão de reais, e já gastou 28,27 bilhões de coroas, aproximadamente 15,3 bilhões de reais, conforme a CNN Brasil.
O governo ainda quer comprar mais 20 caças Gripen E, mas esse contrato não foi assinado, e a Saab afirmou estar pronta para negociar.
O cruzamento entre os 2,1 bilhões de reais do orçamento e a apresentação do primeiro Gripen F biposto mostra um programa militar caro, longo e ainda em curso.
De um lado, há um marco tecnológico e industrial relevante para o Brasil, que ajudou a criar uma versão inédita do caça e treina sua própria mão de obra.
De outro, há uma frota que diminuiu, prazos que se estendem até 2032 e uma ampliação anunciada que ainda depende de um contrato por assinar.
E você, considera o investimento de 2,1 bilhões de reais nos caças Gripen acertado diante das prioridades do país? Acha que a modernização da Força Aérea Brasileira deveria ser acelerada ou que os recursos teriam melhor uso em outras áreas? Deixe sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes opiniões, e compartilhe esta matéria com quem acompanha defesa e geopolítica.

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