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Blue Origin celebrou vitória com uma mão e fracassou com a outra porque o foguete pousou perfeitamente mas jogou satélite gigante de 223 metros quadrados na órbita errada e agora ele será incinerado

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 20/04/2026 às 20:41
Atualizado em 20/04/2026 às 20:44
Assista o vídeoA Blue Origin pousou o New Glenn pela primeira vez mas colocou o satélite BlueBird 7 de 223 m² na órbita errada. O equipamento gigante será destruído na atmosfera.
A Blue Origin pousou o New Glenn pela primeira vez mas colocou o satélite BlueBird 7 de 223 m² na órbita errada. O equipamento gigante será destruído na atmosfera.
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A Blue Origin reutilizou pela primeira vez o foguete New Glenn neste domingo (19), pousando o primeiro estágio com sucesso, mas colocou o satélite BlueBird 7 numa órbita baixa demais, condenando à destruição na atmosfera um dos maiores equipamentos já lançados, com antena de 223 metros quadrados.

A Blue Origin experimentou no domingo (19) um resultado dividido ao meio: de um lado, a primeira reutilização bem-sucedida do foguete New Glenn, cujo primeiro estágio, batizado de “Never Tell Me The Odds” batizado com uma frase célebre do universo Star Wars, já havia voado anteriormente e desta vez pousou com precisão na plataforma marítima Jacklyn, no Oceano Atlântico, aproximadamente seis minutos após partir da base de lançamento 36 em Cabo Canaveral, Flórida. Porém, horas depois da celebração inicial, a Blue Origin reconheceu que a carga se desprendeu e o equipamento foi ativado, mas que a órbita atingida não correspondia à planejada. O que parecia um detalhe técnico se revelou uma falha com consequências irreversíveis.

A confirmação do fracasso veio da própria AST SpaceMobile, fabricante do satélite. A empresa informou que, embora o BlueBird 7 tenha se separado do veículo e entrado em funcionamento, a altitude alcançada era baixa demais para que o equipamento sustentasse operações com sua propulsão de bordo, e que ele seria desorbitado. Na prática, isso significa que um dos maiores satélites já colocados no espaço, com antena de 223 metros quadrados projetada para oferecer banda larga celular diretamente a smartphones, será destruído ao reingressar na atmosfera terrestre. Para a Blue Origin, o episódio transforma uma vitória técnica em resultado agridoce.

O que a Blue Origin acertou no terceiro voo do New Glenn

A Blue Origin pousou o New Glenn pela primeira vez mas colocou o satélite BlueBird 7 de 223 m² na órbita errada. O equipamento gigante será destruído na atmosfera.

O sucesso do pouso não pode ser minimizado. Reutilizar o primeiro estágio de um foguete orbital é uma capacidade que apenas a SpaceX domina comercialmente com o Falcon 9, e a Blue Origin demonstrou no domingo que seu New Glenn também é capaz de retornar e pousar após entregar carga ao espaço. O estágio “Never Tell Me The Odds” decolou, cumpriu sua função de impulsionar a carga para além da atmosfera e retornou à plataforma Jacklyn no Atlântico em aproximadamente seis minutos, operação executada sem falhas visíveis.

Para a empresa de Bezos, esse marco valida anos de investimento no conceito de foguete reutilizável de grande porte. A Blue Origin precisa dessa capacidade para competir com a SpaceX no mercado de lançamentos comerciais e para viabilizar contratos governamentais, incluindo missões lunares previstas para os próximos anos. O pouso bem-sucedido mantém a empresa na trajetória de desenvolvimento técnico e abre caminho para que futuros voos do New Glenn reutilizem estágios já testados, reduzindo custos e acelerando a cadência de lançamentos.

O que a Blue Origin errou e por que o satélite será destruído

A Blue Origin pousou o New Glenn pela primeira vez mas colocou o satélite BlueBird 7 de 223 m² na órbita errada. O equipamento gigante será destruído na atmosfera.

A falha ocorreu na entrega da carga à órbita correta. O segundo estágio do New Glenn, responsável por posicionar o satélite na altitude e inclinação planejadas, não conseguiu alcançar os parâmetros orbitais necessários para que o BlueBird 7 operasse normalmente. A órbita atingida ficou tão abaixo do previsto que o sistema de propulsão do próprio satélite, projetado para ajustes finos de posicionamento e não para manobras de grande escala, não tem capacidade de corrigir a diferença.

A AST SpaceMobile confirmou que o destino do equipamento é a desorbitação controlada. O BlueBird 7 perderá altitude progressivamente e será incinerado ao reingressar na atmosfera, encerrando prematuramente a vida de um satélite que custou milhões de dólares e que faz parte de uma constelação projetada para revolucionar a conectividade celular global. A Blue Origin não detalhou publicamente a causa exata da anomalia no segundo estágio, e a investigação sobre o que impediu a inserção orbital correta pode levar semanas ou meses.

O satélite BlueBird 7 que a Blue Origin perdeu não era qualquer equipamento

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O BlueBird 7 integra uma constelação da AST SpaceMobile voltada para fornecer sinal de banda larga celular diretamente a aparelhos de telefonia móvel, sem necessidade de antenas terrestres intermediárias. O diferencial do projeto está na escala da antena: com 223 metros quadrados de superfície, o satélite é um dos maiores já enviados ao espaço, dimensão necessária para captar e retransmitir sinais com potência suficiente para alcançar smartphones comuns no solo. Perder um equipamento desse porte representa não apenas prejuízo financeiro, mas atraso na implantação de uma tecnologia que promete conectar regiões sem cobertura terrestre.

A destruição do BlueBird 7 levanta questões sobre a confiabilidade do New Glenn como veículo de lançamento comercial. Clientes que contratam a Blue Origin para colocar cargas em órbita precisam de garantia de que o satélite chegará ao destino correto, e uma falha na inserção orbital no terceiro voo do foguete não inspira a confiança necessária para atrair contratos de alto valor. A empresa terá de demonstrar que a anomalia foi identificada e corrigida antes de convencer operadores de satélites a confiar novas cargas ao New Glenn.

O que o fracasso parcial significa para os planos lunares da Blue Origin

A empresa de Bezos tem no calendário uma descida lunar sem tripulação prevista para 2026, utilizando o módulo MK1 “Endurance”, versão anterior ao MK2 que futuramente levará astronautas da NASA ao polo lunar sul. A relação entre a falha do segundo estágio no domingo e o cronograma das missões lunares ainda não foi detalhada pela Blue Origin, mas qualquer problema de inserção orbital em voos comerciais gera perguntas inevitáveis sobre a maturidade do sistema para missões de maior complexidade. Enviar um módulo à Lua exige precisão orbital ainda maior do que posicionar um satélite em órbita terrestre.

O resultado meio a meio coloca a Blue Origin numa posição ambígua. De um lado, a reutilização do primeiro estágio é um avanço concreto que aproxima a empresa do patamar operacional da SpaceX. Do outro, a perda de uma carga no terceiro voo do New Glenn demonstra que o foguete ainda carrega imaturidades técnicas que precisam ser resolvidas antes que a Blue Origin possa se apresentar como alternativa confiável no mercado de lançamentos. No espaço, como o próprio episódio demonstrou, não basta levantar voo e pousar com elegância: é preciso entregar a carga no endereço certo.

E você, acha que a Blue Origin deveria celebrar o pouso ou se preocupar mais com a perda do satélite? O New Glenn tem futuro como concorrente do Falcon 9? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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