O guindaste de 4.000 toneladas da Zoomlion viajou mais de 2 mil km de Hunan ao deserto de Gobi na China, acompanhado de 28 equipamentos de apoio, para instalar turbinas eólicas de 6,25 megawatts com lança de 186 metros, numa máquina tão alta que possui elevador interno para acessar a cabine.
O maior guindaste todo-terreno já construído completou sua operação inaugural no deserto de Gobi, região desabitada do noroeste da China onde ventos constantes alimentam uma floresta crescente de turbinas eólicas. A máquina de 4.000 toneladas, fabricada pela Zoomlion na cidade de Changsha, província de Hunan, viajou mais de 2 mil quilômetros até o local de trabalho acompanhada por uma comitiva de 28 equipamentos de suporte, num deslocamento que marcou o início de sua missão como peça central da estratégia chinesa de expansão da energia eólica. A estrutura de base do guindaste atinge aproximadamente seis metros, e ao contrário de máquinas menores, onde o operador escala até a cabine, esta é equipada com um elevador interno que ocupa dois andares, detalhe que reflete a escala sem precedentes da máquina.
A operação no deserto de Gobi exigiu que o guindaste erguesse componentes de uma turbina eólica de 6,25 megawatts, incluindo o gerador de mais de 150 toneladas e pás de 108 metros transportadas por veículos especiais com dezenas de metros de distância entre eixos. A lança principal possui sete seções que, somadas à extensão da lança auxiliar para turbinas eólicas, atingem 186,4 metros de altura total, alcance que permite ao guindaste posicionar peças de centenas de toneladas no topo de torres que ultrapassam 170 metros. Quando totalmente operacional, cada turbina instalada por essa máquina gera mais de 6 mil quilowatts-hora por hora em capacidade plena.
Como o guindaste de 4.000 toneladas foi montado no meio do deserto

A montagem do guindaste no deserto de Gobi é uma operação que consome dias e mobiliza dezenas de profissionais. Dois equipamentos de apoio trabalharam em conjunto para erguer a plataforma giratória de 65 toneladas e posicioná-la sobre a base do guindaste, alinhando as duas estruturas circulares com precisão milimétrica antes de conectar as linhas hidráulicas que integram o sistema. Cada componente instalado exige coordenação entre múltiplas equipes, já que até peças consideradas menores nessa escala, como um par de cilindros hidráulicos, pesam 32 toneladas.
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A lança principal é composta por sete módulos, e somente as duas seções de base pesam 66 toneladas cada. Os guindastes de apoio giraram e posicionaram cada módulo na abertura da estrutura principal, enquanto o próprio guindaste de 4.000 toneladas utilizava seu cilindro hidráulico para retrair e encaixar as seções de forma autônoma. Todo o sistema de fixação é acionado por pressão hidráulica, substituindo o método tradicional de martelamento manual com ferramentas pesadas. Após a montagem completa da lança, o guindaste executou giros de verificação em todas as direções antes de iniciar o içamento.
A instalação da turbina eólica que só esse guindaste consegue fazer

A montagem de uma turbina eólica de 6,25 megawatts no deserto de Gobi requer três fases de içamento executadas por máquinas de capacidades diferentes. Primeiro, um equipamento de 900 toneladas posiciona o anel de base em concreto. Em seguida, outro de 1.800 toneladas ergue e fixa a seção central da torre. O guindaste de 4.000 toneladas entra em ação na etapa final, a mais desafiadora: erguer e posicionar os componentes superiores no topo da torre, que ultrapassa 170 metros de altura.
O gerador é a peça mais pesada de todo o processo, com mais de 150 toneladas. Trabalhadores posicionados nos quatro cantos da operação seguram cabos de estabilização que impedem a carga de girar sob a ação do vento enquanto o guindaste a eleva até o ponto de encaixe. Uma vez conectado, restam o cubo e as três pás. Cada pá tem 108 metros de comprimento e pesa 30 toneladas, sendo transportada por veículos especiais cujo peso total atinge 160 toneladas para evitar oscilações durante o deslocamento por estradas montanhosas. No dia do içamento das pás, ventos fortes obrigaram a equipe a esperar a madrugada inteira até que as condições permitissem a operação.
A logística extrema de levar o guindaste ao deserto de Gobi
Deslocar uma máquina de 4.000 toneladas por mais de 2 mil quilômetros não é uma viagem convencional. O guindaste da Zoomlion partiu das instalações da empresa em Changsha e atravessou províncias inteiras até atingir o noroeste chinês, acompanhado por 28 equipamentos auxiliares que transportavam seções da lança, contrapesos, estabilizadores e componentes hidráulicos. O comboio de máquinas percorrendo estradas e terrenos desérticos representa, por si só, uma demonstração de capacidade logística.
Os quatro estabilizadores laterais do guindaste recebem almofadas superdimensionadas que ampliam a área de apoio no solo, garantindo que a máquina permaneça firme durante operações em terreno arenoso e irregular. Quando totalmente instalados, os estabilizadores praticamente ocultam os pneus do guindaste, e cada unidade traseira pesa 20 toneladas. O contrapeso utilizado na operação do deserto de Gobi atingiu 260 toneladas, volume que, combinado com o sistema de posicionamento traseiro, foi mais do que suficiente para instalar a turbina de 6,25 megawatts sem necessidade de carga máxima.
O que o guindaste de 4.000 toneladas representa para a energia eólica na China
A China investe pesadamente na construção de parques eólicos em regiões desérticas do noroeste, onde ventos constantes e terrenos abertos oferecem condições ideais para turbinas de grande porte. O guindaste da Zoomlion foi projetado especificamente para esse cenário: torres cada vez mais altas e geradores cada vez mais pesados exigem capacidade de içamento que máquinas convencionais, limitadas a 900 ou mil toneladas, simplesmente não conseguem oferecer. A chegada de um equipamento de 4.000 toneladas ao deserto de Gobi sinaliza que a indústria chinesa se preparou para a próxima geração de turbinas eólicas antes mesmo de elas se tornarem padrão.
Atrás do guindaste, dezenas de turbinas já instaladas giram incessantemente, transformando os ventos do noroeste em energia que abastece lares espalhados por territórios imensos. Para os trabalhadores que passam semanas montando essas estruturas em condições extremas, a paisagem mais familiar não é a das cidades, mas a dos nasceres e pores do sol sobre o deserto, intercalados pelo brilho das estrelas e pelo rugido constante do vento. O guindaste de 4.000 toneladas da Zoomlion é uma máquina colossal, mas nas mãos das equipes que o operam, é apenas uma ferramenta, a maior e mais poderosa que a engenharia de içamento já produziu.
E você, imaginava que existisse um guindaste tão grande que precisasse de elevador interno? Acha que a China está à frente do mundo na construção de infraestrutura para energia eólica? Deixe sua opinião nos comentários.


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